
Os sonhos, desde a antiguidade, sempre foram considerados como um canal por onde os deuses poderiam se comunicar conosco. Os sonhos seriam a linguagem pela qual o Universo, a Vida, Deus pode se comunicar com o homem. Isso ocorre porque os sonhos são formas ampliadas de percepção e se expressam através de estados alterados de consciência. Quando dormimos e sonhamos, estamos mais próximos de nossa consciência interior, num estado mais elevado. Podemos despertar a nossa visão psíquica, que nos faculta algumas capacidades que muitos poderiam chamar de “poderes paranormais”.
Para Freud, os sonhos têm um conteúdo manifesto, ou seja, aquilo que está aparente e se apresenta em forma de simbolismo que deve ser interpretado, e o conteúdo latente, que seria o real significado interno do sonho que desvenda o desejo do sonhador. Nesse sentido, Freud apenas descreveu os sonhos como efeitos de uma cadeia inconsciente de significados que nada traz enquanto abordagem dos fenômenos espirituais envolvidos.
Para Jung, os sonhos são como indicadores de uma necessidade de transformação, o que Jung chamou de individuação, ou a integração total do psiquismo. Assim, os sonhos são sinais que mostram capacidades latentes a serem despertadas para que ocorra a individuação. Por exemplo, se uma pessoa sonha com a figura materna, isso pode indicar que o sujeito está deixando de dar atenção a este arquétipo dentro de si mesmo e deve concentrar sua atenção em desenvolver certos aspectos relacionados a ele.
Esses arquétipos aparecem muito nos sonhos, nos contos de fadas, nas parábolas, nos mitos, nas lendas, dos desenhos, nas artes etc. Porém, ao contrário do que se pensa, os arquétipos não são essas figuras, não são símbolos com forma definida, mas são idéias universais que revelam imagens estruturantes do psiquismo. Por exemplo, uma carta de Tarot não é um arquétipo, pois o arquétipo, por sua própria natureza, não aparece, não tem forma, mas é uma estrutura de significado total e universal. Uma onda do mar será sempre uma onda e quando observamos o mar podemos sempre saber identificar quando uma onda aparece, porém, ninguém pode identificar como essa onda vai se manifestar, a forma exata da onda ou perceber uma onda igual a outra. Ou seja, a onda é sempre a mesma, mas ela se manifesta de formas diferentes dentro das condições em que seja possível sua expressão. Assim, os arquétipos são modelos que trazem idéias originárias da Mente Cósmica. Para Jung, os sonhos são manifestações do nosso inconsciente individual e do inconsciente coletivo. É neste último onde estão situados os arquétipos.
Assim, podemos dizer que os sonhos têm as seguintes características:
Experimentação dos desejos: Os sonhos são uma tentativa do psiquismo de usufruir dos nossos desejos. Assim, uma pessoa pode desejar uma casa e sonhar com esta casa. Pode ter um desejo sexual com uma pessoa e sonhar com sua satisfação. Pode desejar algo que a princípio lhe pareça impossível e sonhar com esse desejo realizado. Essa foi a pesquisa central da Psicanálise: o sonho como expressão do desejo consciente e inconsciente. Por outro lado, os sonhos também podem revelar aspectos de nossa vida cotidiana, certas informações sobre nós que falam sobre afetos, crenças, emoções que não queremos admitir para nós mesmos, por isso se tornam inconscientes. O sonho nos revela esses conteúdos de uma forma simbólica.
Arquétipos: Conforme já explicamos, os sonhos também podem mostrar os arquétipos, as estruturas simbólicas de significado universal e totalizante.
Vidas Passadas: Os sonhos podem revelar nosso passado. Podemos ter vislumbres do passado da humanidade e principalmente de nossas vidas anteriores.
Premonição: Os sonhos podem nos revelar situações de nosso futuro. Na antiguidade, eles sempre foram vistos como proféticos, podendo nos revelar eventos e situações que ainda estariam para ocorrer.
Projeção da Consciência: Os sonhos revelam interações nossas com o plano espiritual. Quando dormimos, nossa consciência se projeta a outros lugares e outros níveis. Podemos interagir com seres espirituais e até mesmo receber mensagens deles. Isso é muito importante, porque sabemos que nossa consciência pode se expandir ao infinto, desde que nós estejamos aptos a enfrentar e ultrapassar os limites que cultivamos para nós mesmos.
(HUGO LAPA)
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