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Archive for maio \31\UTC 2017

Qual a sua obra?

 

peg947

 

QUAL A SUA OBRA?

É muito comum ver essa ou aquela pessoa pedindo orações para atingir objetivos. As pessoas pedem um emprego, pedem a cura de uma doença, pedem uma melhor colocação profissional, pedem que suas dívidas sejam pagas, pedem que seu filho melhore, que saia das drogas, que deixe as más companhias; pedem para passar no vestibular ou num concurso público, pedem o fim da depressão, dentre outros milhares de pedidos. O ser humano parece ser um eterno pedinte do cosmos. Nunca está satisfeito…

As pessoas estão tão acostumadas a pedir coisas que muitas vezes esquecem de algo importante, de um fator fundamental em suas vidas. Esse fator é: Eu mereço isto? O que fiz de bom, de positivo, de relevante para outras pessoas ou para o mundo, com a finalidade de que isso ou aquilo me seja concedido? A maioria das pessoas costuma se perguntar: o que fiz para merecer essa doença, essa perda de emprego ou esse sofrimento? Mas quantas pessoas se perguntam: O que eu fiz para merecer essa dádiva? O que fiz de bom para merecer essa cura? Que obra benéfica deixei para o mundo que me permitiu a realização desse milagre em minha vida?

Será mesmo que devemos pedir algo para nós sem que tenhamos o devido merecimento? Muitas pessoas acreditam que Deus nos concede dádivas e milagres com base apenas em Sua bondade divina e Sua misericórdia. Segundo essa visão, muito comum nas religiões mais dogmáticas, basta que tenhamos fé e aguardemos para que a misericórdia divina nos presenteie com algo. Mas será que é assim que funciona?

Vejamos alguns exemplos. Uma mulher que perdeu sua casa porque não conseguiu pagar suas dívidas. Ela pede a Deus que a ajude, mas nada acontece. Do outro lado da cidade, um homem passa por situação semelhante: começa a perder tudo, pois foi demitido de seu emprego. Tanto um quanto outro deveriam se perguntar: Por que Deus iria ajudar a mim e não a outra pessoa? Ou ainda: Por que Deus deveria modificar essa situação e dar-me uma casa se existem milhões de pessoas desabrigadas no mundo? Por que eu deveria esperar que Deus desse a mim um emprego quando existem mais de 100 milhões de desempregados no mundo? O que tenho eu de tão especial? Por que sou melhor do que todas essas pessoas aos olhos de Deus? Por que uns nascem sob uma boa estrela e outros vivem na rua da amargura?

Vamos imaginar uma disputa de um cargo dentro de uma empresa. Um homem quer um cargo de chefia e outro homem quer o mesmo. Por que Deus deveria escolher um homem ao invés do outro homem? Se você fosse esse homem, perguntaria: o que você fiz de positivo para o mundo? Que mérito tenho? Que obra leguei a humanidade? Esse homem participa de alguma missão humanitária? Ajuda na obra divina na Terra de algum jeito?

No outro dia veio uma pessoa me pedir oração para que ela passasse num concurso público, pois estava muito mal de vida. Mas eu pergunto: quantas dezenas de milhões de pessoas existem na pobreza, até mesmo abaixo da linha da miséria? Por que Deus iria ajudar um ao invés de ajudar todos os outros? Podemos ainda questionar: Por que Deus faria essa pessoa passar num concurso público onde 100 mil pessoas querem a mesma vaga? Por que você seria beneficiado ao invés das outras 100 mil pessoas? Que mérito tem? Que obra deixou? Qual o bem que você fez no mundo?

Infelizmente o ser humano é bastante egocêntrico em seu desejo de conquistar. Ele pede que Deus o ajude, mas não pede que ajude todas as outras pessoas, pois só existem algumas vagas. “Cada um que peça para si mesmo” pensa ele. No entanto, é preciso pensar no seguinte. Se uma pessoa conquista uma vaga, a outra que disputa ficará necessariamente de fora. Por que nos julgamos tão diferentes, tão bons, tão únicos a ponto de esperar que Deus ajude uns e outros não? Alguns podem dizer: “Eu quero que Deus ajude a todos, não apenas eu”. É possível perguntar a essas pessoas: “Quantas vezes você orou a Deus pedindo o bem de um desconhecido e quantas vezes você orou pedindo apenas em causa própria?”. A resposta de 99% das pessoas será óbvia. Cada um pede apenas para si mesmo…  Esse obviamente é um sintoma de uma sociedade competitiva, onde desejamos que nosso ego seja exaltado diante de todos. Mas podemos ainda questionar: por que seu ego seria exaltado e não o ego do outro? Por que você é melhor do que os outros? Não… não há melhor ou pior na vida humana. Acreditar-se melhor do que os outros nada mais é do que uma tremenda ilusão que nos conduzirá à ruína.

É certo que Deus jamais poderia beneficiar uns e marginalizar outros; jamais poderia dar a uns e esquecer dos outros; jamais poderia ter alguns poucos escolhidos e outros relegados ao “abandono cósmico”. Não… Deus é por todos. Ou como diz a máxima: o sol brilha para todos. A máxima que devemos sempre lembrar é: “Deus dá a cada um segundo suas obras”. O plano divino jamais pode ser arbitrário em suas decisões. Favorecer um e omitir-se com outro é uma atitude humana, egoica, limitada, e não uma ação divina. Por isso, é importante entender que:

“Deus dá a todos que merecem.”

O que garante nosso bem é nosso merecimento, fruto de um trabalho em prol do coletivo. O ser humano trabalha apenas para si mesmo, mas deixa em segundo plano o coletivo, a totalidade do mundo. Aqueles que realizaram uma boa obra, que edificaram os pilares do amor ao próximo, que espalharam flores ao invés de espinhos, que irradiaram paz aos que estavam em aflição, que semearam o bem sem olhar a quem, que deram amparo aos desesperados e aos deprimidos, dentre outras condutas elevadas, esses Deus poderá auxiliar. Quando sua obra é boa, quando você merece, Deus é obrigado a te dar; Deus te concede todo o bem que você já realizou, pois a vida é um eco: o que você recebe é aquilo que você criou como obra positiva no mundo. Mas se sua obra for degenerada e egoísta, você se prenderá a própria teia de negatividade e egocentrismo que teceu. Quanto mais pensamos apenas em nós mesmos, mais estamos presos e em sofrimento.

Como esperar que Deus estenda a mão a ti se você nunca estendeu a mão aqueles que sofrem? Como esperar que Deus enxugue suas lágrimas se você nunca apoiou aqueles que caem de joelhos em prantos profundos? Como esperar que Deus vá nos soerguer se você nunca deu alento aos desfavorecidos, aos carentes, aos que estavam largados e perdidos em sua própria ruína?

Aquele que nunca olhou para seu irmão em necessidade não pode esperar que Deus olhe para sua escassez; aquele que não perdoa, não pode esperar ser perdoado; aquele que não trata os outros com dignidade, não pode esperar que o cosmos venha em seu socorro; aquele que puxa o tapete do outro não pode esperar que um tapete seja estendido para si; aquele que quer tudo apenas para si mesmo não pode esperar que tudo lhe seja dado; aquele que olha apenas para seu umbigo não pode esperar que a inteligência do universo olhe para ele. Mas quando se trabalha coletivamente, compreendendo que somos não apenas cidadãos do mundo, mas seres cósmicos, nada nos falta, nada podemos perder e sempre estaremos felizes.

Aquele que dá tudo de si, esse receberá muito mais do que imagina… Não receberá coisas no mundo, dinheiro ou posses, pois tudo isso é passageiro e ilusório, mas terá paz e felicidade jamais sonhadas no Reino de Deus.

(Hugo Lapa)

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Não sou santo

 

NÃO SOU SANTO

De vez em quando vejo algumas pessoas dizerem o quanto é difícil praticar certos ensinamentos. Dizem que não somos santos, não somos evoluídos a ponto de praticar esse ou aquele princípio espiritual.

No entanto, as pessoas precisam entender que não precisamos ser evoluídos e santificados para praticar os ensinamentos espirituais… mas sim precisamos praticar os ensinamentos espirituais para nos santificarmos e purificarmos.

É justamente o esforço de praticar que nos conduz a pureza do ser. Quando a pessoa já é evoluída, isso ocorreu porque um dia ela optou em praticar certos princípios, como o amor, a paz, a justiça, o respeito, a compaixão, etc. Em algum momento ela decidiu iniciar, ela se despojou das emoções inferiores e transportou o ensinamento para a lado prático da vida.

Antes de um santo ser santo, ele despertou desse mesmo jeito… praticando, amando, transcendendo seu ego, suas paixões, sua animalidade… e sublimando suas emoções inferiores. Ninguém se depura sem deixar de lado sua natureza humana e inferior.

Alguns podem dizer: mas eu sou fraco, eu não consigo. Não sou bom o suficiente. Não tenho coragem.

Mas devemos esclarecer que ninguém é forte até conseguir vencer a fraqueza.

Ninguém é bom até vencer o mau em si mesmo.

Ninguém é corajoso até vencer o medo que estremece nosso ser.

Ninguém é capaz até vencer seus próprios limites internos.

Ninguém é calmo até conseguir vencer o nervosismo que nos intoxica.

Ninguém é virtuoso até conseguir vencer seus vícios e máculas.

Assim, essa ideia de “não consigo praticar porque não sou santo” não faz sentido. Todos os ditos “santos” ou espíritos mais elevados eram como cada um de nós, impuros, imperfeitos, cheios de ego e vaidade. Mas conseguiram sua elevação acima da condição humana seguindo o farol da espiritualidade e amando, perdoando, fazendo o bem, etc.

Como se tornar um espírito mais elevado? A maior luz já lançada sobre isso é a prática do que Jesus pregou no sermão da montanha. Para se tornar um bem aventurado é necessário ser pobre de espírito, ser manso, ter fome e sede de justiça, ser misericordioso, ser puro de coração e ser um pacificador. Além disso, é necessário também sofrer perseguições por defender a justiça, pois desses é o reino dos céus. É preciso também ser injuriado e sofrer todo o mal quando se defende a Deus e a verdade. Quem segue esse caminho, se torna um bem aventurado.

Dessa forma, ninguém precisa ser puro para praticar um ensinamento espiritual, mas sim precisa praticar o ensinamento espiritual para se tornar puro.

(Hugo Lapa)

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Felicidade não é deste mundo

 

A FELICIDADE NÃO É DESTE MUNDO

Você não deve pensar em casar para ser feliz…

Você deve ser feliz primeiro com a pessoa, para depois decidir casar com ela.

As pessoas invertem a ordem natural das coisas. Depois não entendem porque as suas vidas não dão certo e porque não conseguem ser felizes.

Há algum sentido em casar para ser feliz? Como pode o casamento lhe dar algo que você não conseguiu sozinho?

A ordem correta da nossa vida deveria ser:

Primeiro ser feliz mesmo estando sozinho. Quando somos felizes sem precisar de ninguém, somos felizes de verdade.

Depois de ser feliz sozinho, pode chegar alguém que vai compartilhar dessa felicidade conosco. Não acredite jamais que essa pessoa vai te fazer feliz. Ela vai apenas viver essa felicidade junto com você. Ambos vão emanar felicidade um ao outro. Nenhum deles vai trazer ao outro o que o outro já não tenha dentro de si. Ninguém pode dar o que não tem por si mesmo.

Meus amigos, entendam de uma vez por todas a máxima de que ninguém faz ninguém feliz. Ou somos felizes por nós mesmos, de forma natural, dentro da espontaneidade de nossa alma, ou jamais seremos felizes com alguém.

Depois que alguém encontra uma pessoa que é feliz junto com ela, e não que traz uma felicidade antes inexistente, aí sim, nesse momento, você pode pensar em se casar.

A felicidade ninguém te traz; a felicidade se compartilha. A felicidade consiste em cada um ser feliz ao seu modo, respeitando um a maneira do outro ser feliz. Quando ambos são felizes, a alegria de um acrescenta na do outro. Mas quando um traz ilusoriamente a felicidade ao outro, nenhum dos dois é feliz e o casamento tende a dar errado. Nesse momento começam as cobranças, as brigas, o ciúme, a posse, o controle, os jogos psicológicos, etc.

Mas quando há esse encontro de duas felicidades já estabelecidas, podemos admitir a ideia de passar nossa vida com esse companheiro ou companheira que é feliz conosco, e não que nos traz a felicidade.

Depois que duas pessoas são felizes compartilhando juntas os bons e maus momentos na vida, uma ajudando a outra; uma sendo o instrumento da evolução da outra… Não se deve acreditar que essa felicidade será para sempre, pois isso não é possível.

A felicidade do mundo material é sempre passageira, pois é condicional. Depende de certas causas e condições para ser realizada. Mas a felicidade espiritual, essa é incondicional, não depende de acontecimentos no mundo para ser plena. A felicidade espiritual se realiza por si mesma… ela não precisa disso ou daquilo para existir.

A felicidade espiritual não prescinde de marido ou esposa; não requer bens e riquezas materiais; não necessita de uma união familiar estável; não existe condicionada à saúde ou à ilusória qualidade de vida no mundo.

A felicidade espiritual independe do mundo, dos seus sonhos, de suas fantasias, de suas falsas esperanças e seus prazeres efêmeros. A felicidade espiritual se plenifica em si mesma: é independente; é eternamente presente; é pacífica; traz uma riqueza interior infinita que o ser humano jamais sonhou nem sequer pode imaginar.

Jesus disse: “Meu reino não é deste mundo”. O mesmo se pode dizer da felicidade. Esta também não é deste mundo. Ninguém será verdadeiramente feliz aqui na Terra. Você pode até acreditar que é feliz… Mas pense bem: se você perder tudo o que você possui, você ainda assim seria feliz? Se você perder seus amigos, sua família, seus filhos, sua profissão, seus bens, seu patrimônio, sua casa, suas terras, sua saúde, você ainda assim seria feliz?

Se a resposta é não, você tem uma felicidade condicionada pelas coisas desse mundo. Mas se sua resposta for sim… você já possui a felicidade real, a paz real, a liberdade real, a espiritualidade não condicionada, espontânea e, essa sim, pautada na realidade.

Felicidade é o bem mais precioso que podemos ter… Assim como a paz e a liberdade. São dons divinos que existem quando estabelecemos um contato com nossa alma e com a fonte de toda a vida, permitindo que a existência universal flua livremente em nós. Não há nada melhor do que sentir internamente a paz espiritual e a felicidade da alma.

(Hugo Lapa)

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ESCRAVOS DA MATÉRIA

Quando leio livros espiritualistas às vezes me dá a impressão de que somos apenas escravos da criação, destinados apenas a servir o propósito divino. Isso procede? Seremos eternamente servos de Deus?

As filosofias orientais por vezes contam uma parábola muito importante que pode ajudar a responder essa pergunta.

Imagine que você é filho de um rei e um dia se rebelou contra seu pai, o monarca, fugindo do reino. Você viajou para um país muito distante e nesse local, sem dinheiro, foi viver nas ruas. Acabou se tornando um mendigo e vivia apenas como um pedinte: jogado, maltrapilho e sem futuro. Certo dia, um servo do rei estava passando pelas ruas desse país distante em que se encontrava o filho do rei, agora mendigo. O servo observou o rapaz e rapidamente o identificou como o filho legítimo do monarca. O servo vai ao seu encontro e o convida a retornar para casa do seu pai. O filho se nega dizendo que vive para si mesmo e que não deseja viver nem trabalhar por nenhum reino. O servo do rei diz:

“Meu caro amigo, você não sabe o que está perdendo… Lá no reino você é o herdeiro do próprio rei, que é riquíssimo. Você não é um mendigo, esse aqui não é o seu lugar. Você é um príncipe e no reino terá tudo do bom e do melhor. Poderá trabalhar administrando o país junto com seu pai, o monarca supremo. Você terá vestes muito mais belas e reluzentes; terá comida à vontade; água da fonte; terá uma esposa; cavalos, carruagens; viverá num lugar cheio de verde, rios, florestas, animais, etc. Todas as tuas necessidades estarão satisfeitas. No reino você terá tudo o que precisa e nada mais te faltará. Você será feliz… eternamente feliz.”

O filho do rei titubeia um pouco, pensa bem, mas no final das contas decide deixar para sempre a vida de pedinte, onde passava necessidade, e regressa junto com o servo ao reino do seu pai. Lá ele trabalha para o rei e passa a ter tudo o que precisa. O servo tinha razão: lá ele se torna eterna e plenamente feliz.

Essa parábola nada mais é do que a própria história da nossa alma. Todos nós somos como esse filho do rei que abandonou seu reino e foi viver longe, muito longe, miserável, maltrapilho, aflito e infeliz no reino da matéria. O rei é nosso Pai, Deus. O seu reino é o cosmos infinito, do qual tudo procede e para onde tudo retorna. O servo que conversou com o filho e o convenceu a retornar ao seu lar são os mestres, sábios, santos e gurus espirituais que Deus envia ao mundo com a missão de trazer de volta ao reino de Deus as almas que ficaram perdidas, solitárias e infelizes aqui na miséria do mundo material, obrigadas a viver coo verdadeiros pedintes, esmolando pelas migalhas da ilusão.

Agora vem a pergunta: você diria que esse filho do rei que retorna ao seu lar e vai trabalhar no reino com seu pai estaria ele sendo escravo do monarca? Ou estaria no local exato onde precisa estar, onde é o seu verdadeiro lugar como príncipe que é?

O mesmo ocorre com os espíritos quando retornam a Deus. Somos os filhos de Deus, almas cuja herança é o próprio infinito e a eternidade. No cosmos pleno e total, que é a fonte de toda a existência universal, nada falta aos espíritos. Eles são plena e eternamente felizes. Trabalham no seio da criação e estão em contato direto com sua própria essência, a essência de toda a vida. Sua natureza é o todo… e quando eles se separam do todo e vem morar como pedintes na matéria, eles ficam infelizes, pois estão fora de sua origem, distantes daquilo que são verdadeiramente.

Por esse motivo, quando nos unimos a Deus e trabalhamos para seu Reino cósmico, não somos escravos dele, mas resgatamos nossa essência, aquilo que somos de verdade. Aqui na matéria é que somos verdadeiramente escravos, pedintes, miseráveis, vazios, carentes, seres faltantes, com um buraco em nosso peito que espera ansiosamente o momento em que terá esse vazio preenchido. Somente o retorno a nossa origem, a nossa essência é que pode preencher esse vazio, fechar essa ferida, apagar essa falta, satisfazer nosso interior…

Mesmo diante dessas explicações algumas pessoas ainda resistem em aceitar esse estado de coisas. Alguns argumentam que é difícil acreditar que Deus permite que seus próprios filhos sofram tanto fora de seu reino infinito. Essa situação não é difícil de compreender: imagine um filho que morava com o pai. No entanto, certo dia o filho brigou com seu pai e fugiu de casa. O filho foi morar em outro lugar e deixou o pai por livre vontade. O pai então por diversas vezes chamou o filho para retornar para casa, mas o filho se recusava a voltar, fechava seus olhos e seus ouvidos aos apelos do pai. Diante desse quadro, o pai dizia que nada podia ser feito, pois esse era o livre arbítrio do filho e deveria ser respeitado.

Essa estória é análoga ao que ocorre com as almas que deixam o infinito e vêm à roda das encarnações, se prendem aos nascimentos e mortes sucessivos. Somos almas que, por vontade própria, deixamos o infinito, abdicamos da eternidade para seguir nosso próprio caminho. Saímos da “casa do Pai” e desejamos seguir nosso próprio caminho longe de Deus. O que Deus poderia fazer? Certamente não pode obrigar os espíritos à regressarem a eternidade. Ele permite que seus filhos experimentem o que quiserem distantes do cosmos infinito e apenas aguarda o momento em que as almas decidirem retornar ao seu lar cósmico. Jesus utilizou essa mesma metáfora do filho que saiu da casa do pai. É a parábola do filho pródigo, a mais conhecida alegoria de Jesus. Nessa parábola, o filho fugiu da casa do pai, pegou sua parte na herança e saiu pelo mundo gastando todo o dinheiro que o pai lhe concedeu. Depois resolveu retornar à casa do pai e por isso foi recebido com festa, alegria e um banquete. 

O ser humano precisa compreender que na matéria somos escravos dos sentidos, vassalos do ter, capatazes dos desejos insatisfeitos, dominados pela falta e pelos instintos, completamente submissos à carência, prisioneiros do gozo do prazer que nunca encontra um ponto de saciedade. Aqui nós somos escravos; somos miseráveis implorando pelas pequenas migalhas de uma existência apequenada, fútil e vazia…

(Hugo Lapa)

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Doutrina dos reflexos

 

DOUTRINA DOS REFLEXOS

O cosmos nada mais é do que um reflexo, ou um espelho de alguma coisa. Essa forma de pensar foi denominada no esoterismo de “doutrina dos reflexos”. No Espiritualismo ela é conhecida como “efeito espelho”. Ela é uma ideia que encontra base em praticamente todas as tradições espirituais. De uma ou outra forma, todas as doutrinas espirituais falam sobre o mundo dos reflexos ou dos espelhos. Nesta oportunidade, vamos abordar esse tema em seus diversos aspectos. A correta compreensão destas verdades pode ajudar o ser humano a melhor compreender a si mesmo e a vida universal.

Em primeiro lugar, a tradição da Cabala possui um axioma muito importante e que serve de base para a compreensão de Deus e do universo. Os cabalistas afirmam que o universo é como um espelho no qual Deus contempla eternamente a sua própria imagem. A princípio essa pode parecer uma frase de difícil compreensão, mas ela significa apenas que o universo é um reflexo do plano divino. Tudo o que existe no cosmos, todos os seres e coisas são formas diminutas do divino que observa a si mesmo. Deus contempla a si mesmo, e a partir desta contemplação, nasce o universo. O universo nada mais é do que Deus se espalhando em cada coisa e olhando para si. Os seres e as coisas são reflexos de Deus, e assim, em essência, somos Deus.

Em segundo lugar, cada ser e coisa existente está refletido em tudo o que existe e tudo o que existe se reflete em uma coisa apenas. Há uma máxima budista que diz: cada coisa é com uma joia que em seu reflexo mostra toda infinidade e variedade de coisas que existem, assim como toda a infinidade e variedade de coisas que existem refletem essa uma joia. Nesse caso, é como uma sala de espelhos. Cada espelho reflete todos os outros e todos os outros espelhos refletem cada um. Isso significa que o um está no múltiplo assim como o múltiplo está no um. Na tradição hermética há uma máxima que diz: O Todo está em tudo, assim como tudo está no Todo. Todas as coisas são um reflexo do todo, assim como o todo é um reflexo de todas as coisas. Pegue em sua mão uma pequena pedra. Essa pedra contém o reflexo de toda a criação. Podemos não enxergar isso, mas o cosmos inteiro está ali, presente nessa pequena pedrinha.

Dessa forma, tudo é um reflexo de tudo. Todas as coisas se refletem mutuamente. Vamos imaginar um espelho qualquer. Pegamos outro espelho e colocamos na frente do outro espelho. O que acontece? Um espelho vai refletir a imagem do outro. Assim, milhares de imagens de espelhos podem surgir a partir de uma só imagem. Uma infinidade de reflexos vai surgir nesse momento. A maioria não desconfia desse fato, mas a partir dessa demonstração tão simples com os espelhos podemos tomar contato com um dos mistérios da criação. Toda a multiplicidade de coisas que existe no universo surge a partir de reflexos seguidos de reflexos, onde uma coisa vai refletindo a outra e assim até o infinito das multiplicidades e variedades possíveis.

Dentro do âmbito da visão humana, tudo o que vemos do mundo nada mais é do que um reflexo de nós mesmos. Algumas poucas pessoas já descobriram essa verdade. Um dia, toda a humanidade estará consciente disso. Muitos ainda podem negar, mas é certo que aquilo que vemos nada mais é do que um reflexo de nossa própria consciência. Quando uma pessoa vê uma árvore, essa árvore não está no mundo externo, mas sim em seu mundo interno. A árvore é uma imagem que se produz em nosso cérebro. Assim, a árvore nada mais é do que uma imagem que projetamos no exterior, mas a árvore mesmo, de verdade, não está fora, mas sim dentro de nós. No exterior há apenas vibrações, energia, ondulações e frequências diversas. Não há qualquer árvore, mas apenas uma essência na qual captamos com a imagem de uma árvore. A árvore nada mais é do que um reflexo de nossa capacidade de ver projetado no mundo externo. A árvore é criada dentro de nossa mente, e a mente projeta a árvore externamente. Assim, nossa consciência reflete aquilo que temos dentro de nós. Por isso dissemos que o mundo interior é um reflexo do mundo exterior e vice versa.

Do ponto de vista psicológico ocorre o mesmo. As pessoas sempre projetam no exterior algo que elas possuem dentro de si mesmas, em forma de tendências, limites, preconceitos, ódio, mágoas, etc. Muitas vezes observamos uma pessoa e mesmo sem qualquer motivo sentimos uma aversão por ela. Nesse momento, podemos estar projetando nessa pessoa algo que não gostamos em nós mesmos. Podemos também enxergar nesse indivíduo uma certa capacidade ou desenvoltura que não possuímos, mas desejamos ter. Por exemplo, um homem consegue bastante destaque na mídia como uma celebridade, é aclamado e admirado por muitos. Pessoas que desejam ser celebridades, mas não são e por isso ficam frustradas podem não gostar desse homem. Elas sentem essa aversão porque esse homem representa tudo o que elas gostariam de ser, mas não conseguem ser.  Desejamos ser como ele, não conseguimos e por isso, passamos a não gostar dele sem motivo. Podemos criar diversas desculpas para justificar o motivo de dessa antipatia gratuita. Mas no fundo sabemos que sentimos essa aversão por ser ele aquilo que desejamos ser, mas não fomos capazes de ser. Dizem que quando estamos falando sobre alguém na maioria das vezes estamos falando, na verdade, sobre nós mesmos. Por isso se diz que quando julgamos alguém, estamos na verdade mostrando mais quem nós somos do que quem o outro é.

Esse processo pode ser comparado a uma mancha no olho. Observamos o mundo externo e possuímos um ponto negro em nossa visão. Fitamos nosso olhar sobre alguém e o enxergamos com a escuridão dessa mancha. Como não desejamos ver a mancha em nós mesmos, acreditamos que ela se encontra no outro. Mas na verdade, a mancha está em nós. Projetamos no outro porque essa escuridão está dentro de nós. O outro acaba sendo um reflexo daquilo que somos lá no fundo, no âmago de nós mesmos. Esse é um processo conhecido na Psicologia analítica como projeção da sombra. O psicanalista Sigmund Freud denominou esse processo simplesmente de “projeção”. Jesus mencionou essa dinâmica quando afirmou que antes de apontar a trave no olho dos nossos irmãos devemos primeiro retirar a trave do nosso olho. Somente retirando essa trave, podemos enxergar nosso irmão tal como ele é. Antes disso, estaremos vendo no outro nada além do que aquilo que nós somos.

Assim, é certo que o outro passa a ser um reflexo do eu e o eu acaba se tornando um reflexo do outro. Vemos isso muitas vezes na vida humana. De certa forma, o ser humano é um reflexo do meio e o meio é um reflexo dele mesmo. Somos definidos pela palavra do outro sobre nós. Nos projetamos no outro a partir disso criamos nossa autoimagem. É muito difícil uma pessoa não definir a si mesma pelo que os outros pensam sobre ela. Mesmo que uma pessoa julgue que é muito independente da visão dos outros, ela acaba quase sempre reproduzindo o que o coletivo pensa a seu respeito. O eu passa a ser um efeito, ou um subproduto do outro, e o outro nada mais é do que um reflexo do eu, ou uma criação deste. O eu e o outro são partes integrantes de um único e mesmo processo.

Nas filosofias orientais, principalmente no Advaita Vedanta se diz que “o outro não existe”. Para essa filosofia, o outro é formado, gerado, criado e é trazido à existência pelo eu. O eu cria o outro tal como ele mesmo é. O outro existe apenas no eu e não no mundo externo.

Nos relacionamentos humanos ocorre algo semelhante. A maioria das pessoas deseja modificar o outro e molda-lo para ser aquilo que desejamos que ele seja. Tentamos mudar o outro para encaixa-lo dentro dos parâmetros do nosso eu. Dentro do nosso egoísmo julgamos que o desenvolvimento do outro se dá quando ele está mais próximo do ideal que nosso eu criou. Ou seja, desejamos transformar o outro para que ele se torne um reflexo do nosso eu. O ser humano não consegue amar em liberdade, amar de forma desprendida. O amor humano é egoísta e focado na moldura do nosso ego. O outro precisa ser um reflexo daquilo que nós desejamos que ele seja, com base em nossas crenças e nosso modo de ser.

Muitas pessoas se interessam apenas por pessoas que são semelhantes a si mesmas. No fundo estamos buscando a nós mesmos no outro, e não o outro nele mesmo. Mas o amor verdadeiro pressupõe sempre abandonar nosso ego e olhar para o outro aceitando-o tal como ele é. Quem tenta mudar minimamente o outro, já não ama. O amor requer o desprendimento total, a ausência de qualquer tentativa de fazer o outro diferente do que ele é.

(Hugo Lapa)

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Visão espiritual da vida

 

 

VISÃO ESPIRITUAL DA VIDA
 
Quando vemos alguém em sofrimento, nossa primeira reação é sempre de dar conselhos que reforcem o lado mundano da vida.
Seu pai está doente? Calma, ele vai se curar.
Sua mãe está quase morrendo? Fica tranquilo, ela vai sobreviver.
Quando alguém está triste, nossa primeira reação é: não fica assim não.
Quando alguém está chorando, dizemos: não chora…
Quando tudo está mal, dizemos: não se preocupe, vai dar tudo certo.
Há de se perguntar uma coisa:
Vai dar tudo certo mesmo? O que é dar certo para essa pessoa? Será que a vida dá certo da forma como nós julgamos o certo?
Não chora? Mas não devemos chorar por quê? O choro é algo natural… Ajuda a aliviar as emoções. É bom chorar e colocar toda a carga para fora…
“Não fica triste não”. Por que alguém não deve ficar triste? Qual o problema em vivenciar a tristeza? É melhor fingir que se está alegre ou forçar uma falsa felicidade?
Nada disso faz sentido… Nossa sociedade prefere fugir da dor, da perda, do errado, da doença.
Mas o melhor caminho é modificar o nosso olhar, ver tudo com outra visão, enxergar tudo sob outra perspectiva.
A visão espiritual da vida é mais real, mais verdadeira, não é uma fuga e é muito mais consoladora.
É melhor dizer:
Uma doença? Não se preocupe… Ela vem para te curar.
Alguém vai morrer? Ninguém morre… Quando alguém morre na matéria, ela renasce no plano espiritual.
Você perdeu algo? A perda no mundo abre espaço para o ganho espiritual.
Tudo está dando errado? Não… Tudo já está dando certo, mas às vezes é preciso dar errado para aprendermos a ver o certo…
É preciso chegar o mal para o transformarmos em bem.
É necessário que venha a crise para surgir a oportunidade e a abertura de um novo caminho.
Devemos atravessar a escuridão da madrugada para que o áureo alvorecer floresça no dia seguinte.
Uma porta deve ser fechada para que outras possam ser abertas.
A vida humana deve chegar ao fim… Para que a vida espiritual possa começar.
Não veja mais as coisas do ponto de vista do mundo humano e do ego.
Passe a enxergar tudo dentro de uma visão espiritual da vida.
Essa visão, certamente, não vai te decepcionar…
 
(Hugo Lapa)
 
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Proibido estacionar

 

PROIBIDO ESTACIONAR

Certa vez sonhei que estava caminhando pelo infinito. Os anjos de Deus estavam lá, em toda a sua glória. Eles me explicavam todas as verdades da vida criadas por Deus.

Vi um automóvel muito bonito parado e quis andar nele. Um dos anjos disse: Pode dirigir esse carro, se você quiser. Aqui tudo é permitido pelo livre arbítrio dos seres.

Sentei na poltrona do motorista, acelerei e comecei a dirigir por todos os lugares. Fiquei um tempo percorrendo várias distâncias, cruzei belíssimas paisagens e fiquei espantado com as maravilhas que existiam no reino do infinito. No entanto, observei algo curioso: pelas ruas onde passava havia sempre uma placa com os dizeres: “Proibido estacionar”. Por onde quer que eu passasse, lá estava a mesma placa alertando que era proibido estacionar. Não havia um local sequer onde aquela placa não estivesse presente.

Invoquei a presença do anjo e ele apareceu. Perguntei por que haviam todas aquelas placas com a inscrição “Proibido estacionar”. O anjo olhou-me amorosamente e respondeu:

“Meu querido filho, não sabes que a vida é movimento? A existência universal é um eterno fluxo, onde tudo vibra e nada pode estar parado. Aquele que vive sua vida e fica estacionado, acaba morrendo… pois na vida é preciso que haja movimento, é preciso sempre ir além… para que exista o progresso, a evolução, o desenvolvimento e o despertar. Seu corpo físico está sempre em movimento, até seu pensamento sempre está ativo. Por que haverias tu de ficar paralisado? Por esse motivo os anjos sempre colocam essa placa de “proibido estacionar”.

Muitas pessoas ficam estacionadas na vida após a morte de um ente querido; após o fim de um casamento; após a perda de um emprego; após uma forte decepção; após uma perda financeira; após o abandono paterno; após um trauma intenso, etc. Mas os anjos sempre nos dizem que não devemos jamais estacionar na estrada da vida. É preciso movimento; é necessário que a caminhada continue, caso contrário, a vida acaba…

Dessa forma, observe as indicações e jamais fique parado. Na vida, é proibido estacionar, pois quem pára, perece… quem estaciona, morre por dentro; quem se acomoda e fica preso numa determinada condição, acaba perdendo sua vida. Mas quem vai sempre além… esse renasce e vive plenamente.

(Hugo Lapa)

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