Feeds:
Posts
Comentários

Archive for 10 de janeiro de 2019

 

É POSSÍVEL UM MUNDO ONDE TODOS SEJAM PRÓSPEROS?

Não… em nosso mundo, isso não é possível. Não tem como todos serem prósperos… pois se todos se tornassem prósperos, ninguém seria próspero, mas todos se tornariam iguais. Em nosso mundo, com algumas poucas exceções, sempre que alguém ganha, outra pessoa perde. Se eu ganho um dinheiro e fico rico, é preciso que haja pobres, ou seja, pessoas abaixo de mim na escala social… caso contrário, eu não poderia ser considerado rico. Por isso, sempre é preciso que haja pobres para que alguém possa ser rico… Não é possível todos serem ricos, pois se todos fossem ricos, todos seriam iguais, e ninguém seria rico.

O exemplo abaixo pode esclarecer bem essa questão. Vamos imaginar uma situação hipotética em que numa cidade de 3000 anos atrás, um homem encontrasse um diamante muito precioso. Esse homem vai até a cidade e mostra o diamante para o povo. Todos ficam desejando ter um diamante belíssimo como aquele. Esse homem ganhou algo que ninguém mais possui, algo valiosíssimo. Ele pode vender aquele diamante e ficar rico. Agora vamos imaginar que ele comentasse com o povo e todos os habitantes da cidade fossem ao local em que ele extraiu o diamante. Todos fazem garimpo e cada habitante da cidade encontra um diamante igual ao dele. Todos agora têm algo valiosíssimo em mãos. Agora vamos pensar sobre isso: se todas as pessoas encontraram um diamante igual, o diamante do primeiro homem deixa de ter o valor que tinha antes, pois o que conferia o valor ao diamante não é apenas a sua beleza, mas principalmente a sua raridade, ou seja, o fato de que apenas esse homem possuía um diamante. No momento em que toda a cidade conseguiu o mesmo diamante, esse homem perde a vantagem que ele tinha em relação a todas as pessoas do seu povoado.

Vamos imaginar que esse fosse o único povoado do mundo. Todos os diamantes perderiam seu valor, posto que, se cada pessoa tem o seu, nenhuma das pessoas possui qualquer vantagem em relação as outras. A não ser que um diamante fosse melhor e mais bonito que os outros, mas se todos tivessem a mesma beleza e “radiância”, todas as pessoas teriam um igual valor pela posse do diamante. Esse processo é a base para se compreender o que ocorre em nosso mundo: você só pode ser próspero, ter sucesso, se você possuir algo que os outros não possuem, ou seja, se você for melhor do que os outros em algum aspecto valorizado por todos. Se todos tiverem o que você tem, você perde todo destaque, toda a vantagem e passa a ser igual aos outros. Assim, para uma pessoa ser próspera, outras pessoas precisam necessariamente não ter a mesma prosperidade.

O mesmo se dá com os chamados “homens de sucesso”. Sempre é necessário que alguém seja fracassado, para que o outro seja considerado alguém de sucesso. É preciso que um seja melhor do que o outro, que um ganhe do outro, que um esteja acima do outro. Ter sucesso é isso… é estar acima de outros que não tem tanto sucesso quanto você. Assim, o sucesso de um sempre representa o fracasso de outro.

O mesmo ocorre com a beleza. Para uma pessoa ser considerada bonita, sempre é necessário existir alguém que seja feia ou carente daquela beleza. Se não existisse a feiura, como tomaríamos consciência da beleza? Por isso, para uma mulher, por exemplo, ser bela, é necessário que outras não sejam tão belas como ela, ou sejam consideradas feias. Se todas as mulheres fossem igualmente bonitas, nenhuma seria bonita… todas seriam iguais e uma não teria destaque em relação as outras. Por isso, até mesmo nos critérios de beleza, uma pessoa precisa sempre ser melhor do que a outra, ter algo que a outra não tem. Quando nos colocamos acima, precisamos necessariamente colocar o outro abaixo.

Vamos imaginar agora uma fábrica que consiga um crescimento das vendas e todos sejam com isso beneficiados, tanto o dono quanto os trabalhadores, que teriam mais lucro. Neste caso, quanto mais o dono fica com o lucro, mais os trabalhadores perdem o lucro compartilhado. O dono sempre vai desejar mais lucro, ganhar mais… e o dono ganhar mais implica sempre nos trabalhadores ganharem menos. Claro, é possível imaginar uma utopia onde o dono da fábrica queira verdadeiramente compartilhar todo o lucro com os trabalhadores, então quanto mais a fábrica cresce e ele tem lucro, mais esse lucro é dividido entre todos. Agora vamos voltar ao mundo real: no mundo real, é extremamente raro que exista um dono de fábrica que compartilhe seu lucro com os funcionários, pois é certo que quanto mais ele compartilha o lucro, mais ele perde esse dinheiro que foi compartilhado. Quantos donos de fábrica conhecemos que são assim? Quase nenhum… pois como dissemos, o dono sempre vai desejar que o lucro quase todo fique com ele. É assim que o ser humano funciona… quer ganhar mais e mais sempre. E para ele ganhar mais, alguém tem que perder.

Agora, no caso da fábrica crescer, o dono lucrar e todos os trabalhadores receberem uma parcela desse lucro junto, isso implica em dizer que essa fábrica ganhou enquanto outra fábrica concorrente perdeu. Uma fábrica ganhou mais clientes, enquanto outra perdeu esses mesmos clientes e, consequentemente, o lucro que vem deles. Assim, observamos que não é possível se ganhar algo nesse mundo se alguém não perder alguma coisa. Sempre que ganhamos algo, alguém perde algo… com raríssimas exceções. O mesmo se dá com países ricos e pobres: para um país ser rico, outro país deve necessariamente ser pobre, pois se um país tem riqueza, essa riqueza só pode ser considerada como tal em comparação com a pobreza de outro país, com suas carências, suas faltas, etc. Se todos os países tivessem a riqueza igual, nenhum seria rico, todos se colocariam no mesmo nível.

Por isso, precisamos tomar cuidado com essa ideia de que é possível todos serem ricos e prósperos, todos ganharem, todos terem sucesso, etc. Isso não é possível, pois é sempre necessário que alguém perca para que você possa ganhar. É assim também no mundo do trabalho. Se uma pessoa conquista um emprego, isso significa que alguém necessariamente perdeu esse emprego. Você ficar de dentro acarreta em alguém ficar de fora. Você ganhar o emprego promove a perda do emprego para alguém. O mesmo se dá em concursos públicos. Se você conquista uma vaga. alguém necessariamente terá que perder essa vaga. Isso nos remete também a competições esportivas, onde há sempre vencedores e perdedores… ou competições de qualquer tipo. Se você ganhou uma promoção em seu emprego, significa que alguém perdeu aquela promoção. Se você conquistou uma terra de 1000 hectares, isso significa que outros perderão a chance de cultivar aquela mesma terra, e quanto mais alguns tem terra, mais outros perdem a chance de ter suas terras, e assim por diante.

É sempre desse jeito… O ser humano deseja ser melhor do que o outro, estar acima do outro, vencer o outro, ter mais destaque que o outro. Não é possível todas as pessoas terem destaque, pois, como dissemos, o destaque pressupõe que uma pessoa terá o referido destaque enquanto outra não terá esse mesmo destaque. Se ambas tiverem o destaque igual, nenhuma delas teve… Se todas as pessoas do mundo tiverem destaque, o conceito de destaque automaticamente é neutralizado, termina… pois, como dissemos, se todos tiverem igual destaque, o destaque deixa de existir.

Complementando a resposta da pergunta inicial: não é possível um mundo onde todos sejam prósperos, mas é possível um mundo onde todos possuam o essencial para viver bem e dignamente. Mas para que isso se torne possível, é necessário que todos abandonem a idealização de sucesso, de prosperidade, de beleza, de ganhar algo, de vencer, etc. Enquanto o ser humano quiser vencer… sempre terá alguém que vai perder. Sempre que o ser humano quiser ser melhor, sempre precisará criar alguém que terá que ser pior e assim sucessivamente. Por isso, o desapego é essencial…

(Hugo Lapa)

Tratamento espiritual de vidas passadas à distância

portaldoespiritualismo@gmail.com

 

Read Full Post »