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Archive for the ‘Doutrinas e Tradições’ Category

Mentalismo

 

 O QUE É O MENTALISMO?

Vivemos no universo material. Este universo composto de matéria não se mostra aos seres da forma como ele é. Nossa mente capta as vibrações e transforma uma coisa em outra. Quando percebemos uma pedra, estamos na realidade formando uma imagem sobre a pedra, mas a pedra, num nível mais profundo, não é como a pedra que vemos, tocamos, cheiramos dentro de nossa experiência sensorial. Ela é essencialmente uma vibração, e é uma essência no mais fundo de si mesma. Isso significa que todas as coisas desse mundo são uma aparência montada pela nossa mente que distorce, traduz e modifica vibrações em imagens.

Pegue uma pedra no chão, de preferência num local intocado pela ação humana. Primeiro observe essa pedra, depois comece a senti-la com seu tato. Procure senti-la o máximo possível com seu olhar e tato. Depois considere que há algo além daquele aparência visual e daquela sensação de toque. Tente sentir o que está escondido a nossa percepção no mais profundo dessa pedra. Num certo momento, você poderá captar uma energia difícil de descrever. Você poderá estar em contato com a vibração mais profunda daquela pedra. É possível fazer isso também com outros objetos.

Tudo neste mundo são aparências, nada é exatamente como se apresenta. Uma cor, por exemplo, não existe na natureza. As cores, tal como as enxergamos, são apenas uma impressão captada por nosso cérebro e transformada na visão da cor. Mas a cor é meramente uma vibração, uma frequência. A cor azul é de uma frequência diferente da cor verde, que é diferente da cor vermelha. As variações de vermelho, azul e verde vem das diferentes frequências da luz. As frequências existem, e quando nossa mente as capta, ela gera um efeito em nosso cérebro que cria a imagem mental daquela cor. Mas a cor, em si mesma, não existe na natureza, não existe no mundo. A cor, da forma como a percebemos, não tem existência fora de nós. Em nosso exterior ela é apenas vibrações. Mas em nosso interior é a cor tal como vemos.

O universo material não é percebido como uma realidade. Ele é percebido como uma aparência. O erro do ser humano está em julgar a aparência como sendo a realidade.

Autor: Hugo Lapa

 

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Nadis

 

Os Nadis são os “condutos” ou “canais” por onde circula a energia vital ou bioelétrica no corpo. Embora a tradição da Yoga fale de 10, 12, 14, 72, até 72.000 nadis pelo corpo, existem três nadis principais, que são: Ida, Sushumna e Pingala. Sushumna fica situado no centro e Ida e Pingala localizam-se como uma espiral à volta de sushumna. Estes são os mais importantes canais para a tradição da Yoga.

Porém, o Tri-shikhi-Brahmana-Upanishad, um texto tradicional da Yoga,  afirma que os nádis são incontáveis (Feuerstein, 1997).

Para a Yoga, a purificação dos nadis ou canais sutis são essenciais para o progresso das práticas meditativas mais avançadas. O avanço do yogue deve privilegiar a limpeza desses canais de circulação de energias, sob pena de causar perigos para si mesmo no chamado “despertar da kundalini”. Essa purificação chama-se Nadi-Shodhana na Yoga.

 

(HUGO LAPA)

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Oxumarê ou Oxumaré é o orixá conhecido como a serpente arco íris. Sua característica é o movimento contínuo, que nunca descansa. Ele gira ao redor do mundo e ajuda a manter seu equilíbrio. Seu movimento contribui para a perpetuação do ciclo das águas, já que ele devolve aos céus, ao palácio de Xangô, a água que caiu na terra. O dia de Oxumaré é terça-feira e as cores são amarelo e preto ou amarelo e verde. Este orixá é sincretizado no Brasil e em Cuba com São Bartolomeu.

A exemplo do símbolo gnóstico do Uroboros, Oxumaré também é representado, em algumas circunstâncias, como uma serpente que morde a própria cauda. Esse símbolo é muito significativo, pois traz a ideia de movimento perpétuo, o moto contínuo, que por sua constante circulação assegura a manutenção do mundo. No círculo do Uroboros também vemos também a noção de ciclos, o ritmo perpétuo da vida, como o ciclo das águas que oxumaré faz funcionar. A serpente que morde a própria cauda carrega a ideia de fluxo incessante da energia que nunca pára, que gira em torno de si mesma e realimenta toda a criação.

A serpente, com seus movimentos sempre ondulares que a permitem rastejar e mover-se pelo solo, representa a energia que oscila e se desloca. A serpente é, em muitas tradições, o símbolo da energia acumulada e da queda e ascensão da consciência. Quando está descontrolada, ela pode matar; aqui entra sua picada feroz cujo veneno amortece os sentidos e pode levar a morte. Por outro lado, a subida da kundalini, ou da “serpente adormecida”, pode ser o símbolo da ascensão da consciência a níveis mais elevados. Quando o “fogo serpentino” sobe pelos canais sutis, a consciência vai se elevando até atingir os píncaros da realização espiritual.

Por outro lado, quando há uma descida dessa mesma energia, a consciência se prende no abismo mais denso, profundo e aterrador das imperfeições dos reinos inferiores. Tanto é assim que, em várias tradições, os heróis são representados como aqueles que conseguiram assassinar a serpente, ou o dragão. No cristianismo, o mito de São Jorge traz a mesma ideia, quando o santo consegue matar o dragão com sua espada.

Dessa forma, a serpente, sendo um símbolo da kundalini, representa a ascensão ou queda, e também os degraus que devem ser transpostos para se subir ou descer. Aqui entra o outro símbolo associado a Oxumaré, o arco Iris. O arco Iris simboliza o caminho entre o céu e a terra, a ponte entre o mundo humano e o divino. Por isso se diz, na mitologia Iorubana, que Oxumaré é um mensageiro de Olodumaré, pois ele permite o trânsito entre os diferentes estados para se ascender ou decair, do alto ao baixo ele regula a escada que leva do inferior ao superior e do superior ao inferior.

Neste aspecto também vemos presente o simbolismo da kundalini, que quando sobe pela coluna vertebral permite a realização espiritual, mas quando desce e se fixa em níveis inferiores, promove a degradação e a morte. As diferentes cores do arco Iris representam os diferentes estados de consciência, ou mesmo ou planos espirituais do mundo profano ao sagrado, ou empíreo ao celeste e vice versa. O arco Iris é “a ponte, de que se servem os deuses, e heróis, entre o Outro-Mundo e o nosso. Essa função quase universal é atestada tanto entre os pigmeus quanto na Polinésia, na Melanésia, no Japão – para mencionar apenas culturas extra-europeias” diz Chevalier, no livro “Dicionário dos Símbolos”.

Como o arco Iris vem pela interação da luz do sol com a chuva, vemos uma interação entre a luz (representando o mundo divino) e a água (representando a matéria primordial, o caos primevo) indicando que o intercambio entre a luz fecunda a matéria primordial e dessa interação nascem os diferentes planos da existência universal, representados pelas diferentes freqüências de ondas das cores do arco Iris. Dessa forma, Oxumaré é o orixá que regula a passagem pelos diferentes planos e níveis de consciência, sendo o mensageiro de Olodumaré, aquele que estabelece a ligação entre o inferior e o superior. Segundo Zeca Ligiéro Oxumaré representa “o pacto entre os deuses e os homens”.

 

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Obaluaiê também é conhecido como Omulu, que é seu nome mais antigo e tradicional, e como Xapanã e Sapatá. Este é considerado o orixá que contém em si mesmo a doença e a cura. Conhece os segredos de ambos, da patologia e da cura de qualquer moléstia. Obaluaiê, por ser o orixá das enfermidades, também carrega a cura destas mesmas epidemias. Ele é o senhor da peste, da varíola e das doenças infecciosas.

Dizem que Obaluaiê, ou Omulu tem ainda outros nomes, mas muitos deles não podem ser falado, pois a pronúncia de um destes nomes pode acarretar em maldição para aqueles que os proferirem. Por outro lado, a tradição afirma que este orixá detém muitos mistérios que não podem jamais ser profanados e divulgados, pois estas revelações poderiam ser arriscadas aos não-iniciados. O dia da semana de Obaluaiê é segunda feira e sua cor é o branco e o preto alternados. Seu sincretismo é com São Lázaro.

Obaluaiê tem seu rosto e parte de seu corpo coberto por uma camada de palha. Ele cobre a si mesmo para esconder as feridas que a varíola causou a sua pele. Por debaixo das roupas de palha ele possui muitas pérolas do mar, que foram dadas a ele por Iemanjá, que se solidarizou com a peculiaridade de suas chagas e quis compensá-lo por isto. Por isso Obalualiê ostenta muitos colares de pérolas por baixo de sua roupa de ráfia.

Dizem que Obaluaiê conhece os segredos da morte e do renascimento. Seu sofrimento lembra muito o mundo de provas e expiações que todos nós vivemos, e está associado a realidade nua e crua da vida mundana, repleta de dor, angústia, tormentos, fardos, perecimento e morte. Suas características equivalem a uma existência de sacrifícios e percalços a fim de se libertar dos pecados cometidos. Sua vida é um símbolo de uma existência carimbada de provações, martírios e penitências visando a purificação do espírito. Para os espiritualistas, o fardo carregado por Obaluaiê é um efeito puro e simples da lei do karma, a lei das causas e efeitos que prega as experiências dolorosas que purgam e varrem as más ações praticadas.

Obaluaiê representa o arquétipo do curador-ferido. Esse arquétipo revela a necessidade de se conseguir a purificação ou resolução de algo através da experiência mais dolorosa e excruciante. A ideia do curador ferido, ou seja, de que o curador precisa antes ser vitimado por um dano, uma lesão, uma chaga, um ferimento grave está presente em muitas culturas antigas. Somente aqueles que sentiram em si mesmos a dor correspondente ao que pretendem curar é que podem desenvolver a capacidade de cura daquele mal. É preciso ter experimentado uma moléstia para ser capaz de curá-la.

Quanto mais profunda é a ferida, maior o poder de cura. É como se o remédio brotasse das profundezas da dor mais angustiante e fizesse emergir uma capacidade de cura latente e natural. É como se o homem precisasse tomar o veneno, para que seu organismo criasse anti-corpos e assim produzir a cura daquele mal. Isso ocorre também em nosso interior, o ser humano precisa viver a doença para poder libertar outras pessoas daquela mesma doença. Neste simples adágio vemos bem claramente a sabedoria da natureza e da vida.

No caso de Obaluaiê, ele precisou ser vitimado durante por várias doenças para se tornar um exímio curador. É como se a doença e a cura convivessem conjuntamente nele. Ele carrega a ferida para poder curar. Dessa forma, ao maior curador é aquele que, nesta vida e principalmente em vidas passadas, viveu intensamente todas as condições possíveis de enfermidades mais duras e ferozes, e hoje desenvolveu seu antídoto interior para todos os males que assolam os homens. Os grandes curadores de hoje são os grandes feridos de ontem, que aprenderam com sua doença e sua consciência pôde purificar-se a ponto de desenvolver o poder de curar as graves moléstias que assolam a humanidade. Na mitologia grega, o curador ferido é Quíron, o centauro, que foi ferido por uma flecha envenenada e graças a isso pôde obter o dom da cura.

 

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Oxossi é um orixá cultuado nas tradições de origem afro brasileira e descendentes da religião iorubana. Também conhecido como Odé Wawá, ou seja, o “Caçador dos céus”. Este orixá é irmão de ogum e aprendeu com ele a arte da caça. Oxossi é um exímio caçador. Ele também é protetor dos animais e não admite a matança dos seres, com exceção de que eles sirvam de alimento para os seres humanos.

Na tradição iorubana, de acordo com a mitologia, Oxossi é o grande caçador e seu irmão Ogum é um excelente guerreiro. Oxossi recebeu esse nome após ser o único caçador bem sucedido a conseguir matar o grande pássaro enviado pelas feiticeiras Iá Mi Oxorongá. Oxossi é o orixá da abundância, da opulência e da fartura e prosperidade. Mas o contrário também pode ocorrer, pois um extremo sempre pode levar ao outro, assim pode decorrer um período de ausências e vacas magras quando a energia de Oxossi é mau utilizada. Seu excesso de trabalho pode conduzir a um período de escassez e privação.

Os sacerdotes de Ifá advertem que se devem fazer oferendas a Oxossi quando não se consegue identificar o mal que nos acomete, pois ele representa a consciência da definição de trabalho a ser realizado ou de uma meta a ser cumprida. Isso ocorre por que ele é um caçador que tem habilidades de rapidamente encontrar e abater sua presa, atingindo com perfeição o objetivo final. Sua precisão confere aos seus filhos uma clareza na perseguição do final do caminho.

Enquanto Oxossi consegue atingir com maestria seus objetivos, de forma exata, seu irmão Ogum é conhecido e admirado pela sua obstinação, resistência e teimosia. Oxossi é conhecido por viver em meio à natureza. Nos contos mitológicos que contam sua história, Oxossi é representado como um herói. O dia de Oxossi é a quinta feira e as cores que lhes estão associadas são o azul-claro e o verde. No Rio de Janeiro ele foi sincretizado com São Sebastião, já na Bahia ele foi associado a São Jorge.

Em alguns dos mitos de Oxossi, vemos que a obstinação do orixá em perseguir seu objetivo na caça o conduz a ilusão de confundir a caça com algo que não é a caça. Num desses mitos, Oxossi começa a lançar flechas indiscriminadamente, e depois disso surge uma fera em sua frente. Oxossi, como caçador versátil e apaixonado, deseja imensamente abater a fera, mas ela se transforma num outro orixá, Odudua.

Nesse mito podemos encontrar um significado bastante interesse. Devemos lembrar que Oxossi é um caçador, e que o arco e flecha representa a pontaria, o alvo e a flecha que deve ser cravada no ponto desejado. Aqui vemos a representação clara daquele que se embrenha num caminho a procura de um objetivo. Ele representa o exagero na busca de uma meta qualquer que, por ser perseguido de forma turbulenta e impensada (como as flechas de Oxossi que foram atiradas em várias direções), acaba confundindo seu objetivo com algo ilusório, que não representa o ponto de conquista que estávamos esperando. A busca desenfreada por algo tem como consequência criar uma falsa busca e faz o caminhante cair numa miragem: ele acha que está indo na direção do seu objetivo, mas não está.

Em outro conto de Oxossi ocorre algo similar: Obatalá, um outro orixá, pede a Oxossi que não continue sua caça, mas Oxossi ignora o pedido e sai em busca de sua presa. O grande caçador, então, se depara com um veado. Logo após perceber a presença do animal, Oxossi não hesita e dispara uma série de flechas para acertar o animal, mas nenhuma delas consegue mata-lo. Logo depois o veado começa a reluzir e se transforma em Obatalá. Tomado por arrependimento, Oxossi não consegue mais caçar depois disso. Aqui vemos um conjunto de símbolos que falam sobre um buscador que, ao confundir o alvo, se desespera e não consegue mais empreender outras buscas. Isso é uma boa indicação de como não se deve mergulhar tão vorazmente em qualquer propósito, pois a busca irrefletida pode gerar transtornos que inviabilizam outras conquistas.

 

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O dilúvio é um tema quase universal em muitos relatos de antiguidade. Muitas tradições falam de uma grande inundação da terra pelas águas. Essa inundação pode ser total ou restrita a uma área específica, de acordo com uma ou outra tradição. Dentre as mais importantes referências acerca da grande inundação da antiguidade, seja ela verídica ou lendária, as mais importantes são a Epopéia de Gilgamesh, o dilúvio bíblico e o dilúvio presente no Mahabharata.

O simbolismo do Dilúvio é o da purificação através do poder de dissolução da água. Ele abre as portas, com a purificação, para o surgimento de uma nova humanidade, um novo mundo, renovado e regenerado. Neste sentido, ele pode ser comparado, dentro da esfera individual, ao batismo. Da mesma forma que a água é purificadora e regeneradora dentro do cristianismo primitivo, o dilúvio transforma por meio de uma dissolução coletiva das mazelas globais. Podemos dizer que é um “batismo coletivo” dos povos que são submetidos a ele. O dilúvio é o evento divino que vem de um decreto superior para lavar os pecados, transgressões, deslizes e maldades cometidas por um ou mais povos.

Como o dilúvio traz esse poder de transformação, parece que ele representa a passagem de uma era a outra. Com essa transição, o velho é descartado e o novo começa a nascer. Aqui talvez exista uma linha limítrofe entre a História conhecida e a pré-História desconhecida, com conhecimentos de civilizações anteriores a História conhecida que podem ter se perdido dos anais dos registros oficiais. É bem possível que a divisão entre a História conhecida e a história desconhecida seja o evento do dilúvio universal. De outra forma, como seria possível que tantas tradições antigas falassem sobre um mesmo acontecimento sem que ele tivesse de fato ocorrido?

 

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O QUE É EXU?

Exu é uma palavra com diferentes significados, dependendo da tradição religiosa a que estamos nos referindo. O Exu do Candomblé é diferente do exu da Umbanda, que será diferente do exu de outras correntes. Dentro do Candomblé, a palavra exu ou esú denomina um orixá que tem como característica o movimento e a comunicação. Ele é considerado um intermediário entre o mundo terreno (ayé) e o mundo dos deuses (orum).

Na língua iorubana, a palavra exu significa “esfera”. Talvez por este motivo exu seja encarado como o orixá que atua em todos os caminhos e em todas as direções, já que o círculo se expande para todas as direções espaciais. Por outro lado, as oferendas que geralmente são ofertadas a exu devem sempre ser colocadas em encruzilhadas. Aqui percebemos o simbolismo da cruz interagindo com o simbolismo do círculo. Não seria estranho dizer que as oferendas a exu representam a cruz inserida dentro do círculo, um símbolo esotérico por excelência. Não entraremos em detalhes sobre o significado desta simbologia, mas os interessados podem fazer uma pesquisa a este respeito e entender melhor do que se trata e quem sabe desvendar, ao menos em parte, seu significado oculto.

Na mitologia grega, exu seria o equivalente a Mercúrio, que também é um mensageiro dos deuses. Com o sincretismo das religiões afro-brasileiras e o catolicismo português, o exu foi associado com o diabo, mas esta ligação não é correta. Exu jamais significou o diabo ou mesmo um demônio, a não ser que citemos os demônios no sentido de daimons, ou seja, de gênios que na Grécia antiga eram considerados intermediários entre o mundo celeste e o mundo terreno (da mesma forma que o exu é considerado, como um intermediário e mensageiro).

Em decorrência de sua natureza intermediária entre o céu e a terra, o exu é visto como sendo dual, um ser cuja natureza é a bipolaridade. O exu está sempre compartilhando de duas faces de uma mesma moeda, onde reinam os opostos. Por este motivo, se diz que o exu gosta de provocar conflitos e contradições. Porém, isso ocorre por que as pessoas não conseguem enxergar sua face dual e veem apenas um dos extremos representados nele. O exu tem vários mitos, um deles fala sobre essa questão dos opostos. Certo dia, exu pintou metade de seu corpo de vermelho e a outra metade de preto e apostou com dois amigos qual deles conseguia adivinhar qual era sua cor exata. Os amigos, porém, só conseguiam enxergar um dos lados, um observava e via o preto, o outro observava e via o vermelho. Cada um falou a cor que lhe aparecia e errou. Exu ganhou a aposta e disse que “vocês não saberão como eu sou se não derem a volta ao meu redor”.

Mais uma vez vemos aqui bem representada a natureza circular do exu. Mesmo uma esfera material não pode nunca ser observada, na visão comum, em todos os seus lados ao mesmo tempo: ou vemos um lado ou o outro. Neste sentido, o exu vem trazer a ideia dos extremos que fazem parte da natureza dual do nosso mundo, com suas contradições e erros, sempre oscilando entre os contrários e criando confusões. Talvez por este motivo exu tenha sido sincretizado com o diabo católico, posto que, por sua natureza bipolar, ele leva aqueles que o visualizam ao erro de percepção. Essa é uma das características do diabo católico, confundir, ludibriar, burlar, enganar, iludir, tal como o mundo das ilusões de nossa percepção mundana fazem conosco. Neste sentido, o exu é o símbolo da ilusão do mundo, dos contrários, da confusão, dos erros perceptivos, da miragem da vida.

Além disso, representa o caos primordial, a vida em sua origem, a desorganização de tudo o que se inicia, ainda carente de um formato inteligível. Segundo a tradição iorubana, para se conseguir transpor essa dificuldade de ser ludibriado pela consciência de exu, é necessário adquirir um conhecimento transcendente, intuitivo, que enxergue além das dualidades e ilusões do mundo. Parece que o exu é o símbolo da ilusão presente em tudo que existe no mundo material, no mundo da manifestação. Observamos aqui como a sabedoria de uma tradição pode estar contida implicitamente em seus mitos, símbolos e personagens. Estes representam arquétipos que trazem, em sua bagagem simbólica, uma sabedoria que revela modelos, leis e princípios da existência.

As cores do exu são, como já revelou o mito, o preto e o vermelho. No candomblé, o exu não é uma entidade, como o é na umbanda. Na tradição umbandista, os exus são considerados espíritos de um nível mais denso, que atuam no policiamento do astral inferior. Eles fazem parte daquilo que se denomina linha de esquerda. Os exus podem incorporar em médiuns na Umbanda. Já no candomblé, os exus não incorporam em médiuns, ao menos na maioria de suas ramificações, um orixá jamais se presta a uma incorporação mediúnica. Porém, no candomblé de Angola já se pode observar que os exus, algumas vezes, incorporam nos médiuns e falam por eles.

Os médiuns e líderes das tendas umbandistas têm visões diferentes acerca da natureza do exu, muitos dizem coisas contraditórias sobre sua natureza e seu trabalho na Umbanda. Alguns afirmam serem eles bons; outros dizem que são neutros (podendo fazer o bem ou o mal); e há aqueles que dizem que são mais inclinados ao mal.

Autor: Hugo Lapa

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