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Archive for the ‘Espiritismo’ Category

 

ESCLARECIMENTO SOBRE PSICOGRAFIAS

Amigos, é importante esclarecer uma coisa:

Nem todo mundo que pede psicografia, recebe. Aliás, acredito que mais de 50% dos pedidos de psicografia, seja onde for, não receberão uma resposta.

Muitas vezes os espíritos não querem ou não recebem autorização para se comunicar. Outras vezes os espíritos invocados estão ainda presos a Terra, em estado de perturbação ou mesmo estão no umbral. Então, eles ficam incapacitados de uma comunicação. Em outras situações, o encarnado que sente que “perdeu” a pessoa precisa mesmo vivenciar a perda, sem que receba uma mensagem do ente querido. Essa é uma experiência necessária para que o encarnado possa seguir com sua vida, entregar o ente querido a Deus, despertar sua fé e deixar que o espírito vá em paz ao plano espiritual. Pessoas que ficam muito ansiosas esperando uma psicografia, como se isso fosse sua tábua de salvação, tem muito menos chance de receber.

Na verdade, a época em que esses fenômenos estavam em voga, que ocorriam com muita frequência, já passou. Toda a fenomenologia relacionada a comunicação dos espíritos com o plano material foi necessária no passado, nos séculos XIX e XX. Nessa época havia uma grande necessidade de se divulgar o Espiritualismo, de se chamar a atenção para esse fenômeno. Hoje em dia todas as pessoas já podem ter acesso ao Espiritualismo. É algo que já está bem mais divulgado. Sendo assim, não existe mais a necessidade de tanta comunicação.

Em nossa época existe outra necessidade: a do despertar da fé, sem se tomar como base os fenômenos. A fé pela fé, e não a fé com base em milagres, em provas físicas, em comunicações, etc. O século XXI é também uma época voltada para o desprendimento das nossas reações emocionais e do desapego em relação as pessoas. Vivemos num período onde não é mais recomendável que as pessoas busquem os fenômenos. Agora é necessário o despertar… É preciso crer sem ver… a fé pela fé, o despertar de nossa intuição, de nossa sensibilidade, de nossa consciência. É o momento de elevação e da sabedoria… A época dos fenômenos já passou.

Por isso, todos devem entender que nem todos que pedem uma psicografia, vão recebe-la. Hoje em dia a humanidade já tem as ferramentas necessárias para entender a jornada do espírito… permitir que os desencarnados possam seguir seu destino sem que fiquemos os invocando toda hora para saciar uma necessidade nossa de te-los por perto. Estamos numa época de deixar que eles vão… nada mais pode ficar sendo preso. É a época da busca pela liberdade… Onde todos devem entender que ninguém perdeu nada, mas que a vida continua… e esse entendimento precisa vir do desenvolvimento de nossa consciência, e não mais de provas materiais.

(Hugo Lapa)

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pog167

 

ATAQUE AO BUSTO DE CHICO XAVIER

Amigos, recentemente o busto de Chico Xavier foi vítima de um ataque, provavelmente motivado por intolerância religiosa de fanáticos. Muitas pessoas ficaram bravas com essa atitude e decidiram até fazer campanhas contra o que ocorreu. De fato, a intolerância está tomando conta de nosso país cada vez mais. O brasileiro que era um povo acolhedor, tolerante e respeitoso, está se tornando cada vez mais reativo, intolerante, sectário, etc. Tudo isso vem, provavelmente, de novas denominações religiosas políticas, como as igrejas midiáticas da teologia da prosperidade, que se infiltraram na população e cada vez mais estimulam o fanatismo, o dogmatismo, o preconceito, o conservadorismo, o egoísmo, etc.

No entanto, o que nós espiritas e espiritualistas devemos pensar de tudo isso? A melhor atitude seria combater esse tipo de pessoas e se opor fortemente a essa conjuntura de ódio? Ou, pelo contrário, esse é justamente o momento de viver a nossa fé e seguir os ensinamentos dos mestres e dos espíritos de luz? Sim… essa é uma época de ouro para que todos possam manifestar a verdadeira fé, e seguir os preceitos cristãos na prática.

No caso do busto de Chico Xavier, vamos refletir no seguinte… O vidro do busto quebrado faz alguma diferença para nós? O busto do Chico Xavier é o próprio Chico Xavier? Não, não é… aquilo nada mais é do que uma forma, uma estátua, uma representação do Chico, não é o Chico em si mesmo. Por acaso o Chico Xavier foi afetado por aquilo? Não… jamais. Caso estivesse vivo, não tenho dúvida que ele diria a todos que orassem pelos vândalos e respondessem o ódio deles com amor.

Sim… Chico diria algo do gênero, porque ele sabia que a matéria não é nada e que o espírito é tudo. Ele sabia que a representação de algo não é esse algo em si mesmo. Trata-se apenas de um símbolo, uma lembrança, uma imagem. Penso também que ele concordaria em dizer que não devemos ficar tão afetados apenas porque uma imagem foi atingida, ainda mais uma imagem dele mesmo, que pregou a paz em resposta a guerra; que pregou a tolerância e o amor em resposta ao ódio e a intolerância. Responder ao fanatismo com ódio, com agressões, com irritação, com mágoa, com palavras duras, é fazer exatamente o oposto do que o Chico pregava… e entrar na mesma vibração de ódio que os fanáticos. Vamos refletir sobre isso: se estamos defendendo a memória de Chico Xavier, como podemos defender essa memória agindo de forma oposta a tudo o que ele pregou e ao seu próprio exemplo de vida?

Sim, o busto do Chico não é o Chico… Os fanáticos podem destruir o quanto eles quiserem as imagens, as formas, as representações, a matéria… pois eles nada poderão fazer contra a mensagem do Chico e seu legado. Nada disso será afetado por esses atos de violência, pelo contrário. O que é a matéria em relação ao espírito? O que é a imagem diante da essência da mensagem e da memória de Francisco Cândido Xavier? O que é um busto em relação a toda a mensagem de amor e paz que Chico nos legou?

Por outro lado, é certo que quanto mais Chico for atacado e perseguido, mais essas injustiças farão sua memória crescer, se expandir… todos começarão a perceber a injustiça desse ato. As pessoas ficarão sensibilizadas, mesmo aquelas que não creem em Chico e muitas podem até buscar o Espiritismo e o Espiritualismo para tentarem entender o que é essa doutrina que tanto é atacada pelos fanáticos.

Allan Kardec concordava com isso. Muito não sabem, mas o professor Rivail foi muito perseguido durante sua vida física. O fanatismo em sua época foi tanto que alguns padres da época chegaram a juntar centenas de exemplares de obras espíritas e colocarem fogo em tudo. Isso nos lembra, obviamente, toda a repressão que o misticismo e o espiritualismo sofreu durante a idade média e todos os inocentes que foram queimados na fogueira da Santa Inquisição. Kardec, como sempre, teve uma abordagem lúcida do ocorrido. Ele declarou o seguinte sobre esse episódio da queima dos livros espíritas:

“Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo, na Espanha, vai ouvir falar do espiritismo e quererá saber o que é; é tudo o que desejamos. Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as ideias; as chamas das fogueiras as superexcitam em lugar de abafa-las. As ideias, aliás, estão no ar, e não há pireneus bastante altos para detê-las; e quando uma ideia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la.”

Sim, Kardec estava certo, porque depois disso o Espiritismo cresceu ainda mais e hoje ocupa um lugar de maior destaque no mundo. Por isso dizemos que ninguém deve ficar com raiva de atitudes de fanatismo, nem tentar guerrear contra esse tipo de ação. Nada disso pode nos afetar, assim como não afetou o busto de Chico… não deve abalar nenhum de nós. Não se pode destruir a mensagem pelo fanatismo, pela destruição, pelo vandalismo, pela injustiça. Ao contrário, tudo isso se torna o fermento de nossa fé e de nossa mensagem.

Os cristãos facilmente esquecem das palavras de Jesus. O que Jesus disse sobre isso? Jesus aconselhou a todos a lutarem contra a intolerância? A combaterem o fanatismo, o dogmatismo? Aconselhou a denunciar as agressões, as destruições, as ofensas, as injustiças? Não… Jesus foi bem claro quando disse:

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. (Mateus 5:11,12)

Vamos refletir sobre isso…

(Hugo Lapa)

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OS ESPÍRITOS CURARAM MINHA IRMÃ (CASO REAL)

Recebi esse relato aqui, muito interessante por sinal, de uma pessoa que me pediu para não ter seu nome revelado.  Ela contou que sua irmã estava internada no hospital, com câncer e realizando certos procedimentos médicos. Ela conta que:

“Na manha seguinte, às 05:30hs, já em casa, enquanto meu filho e sobrinhos dormiam, fui até a varanda, fiquei sozinha e comecei a rezar. Rezei… rezei… rezei muito. Coloquei toda a minha fé naquela prece pedindo ajuda aos guias de luz. Pedi que eles socorressem minha irmã, que estava muito mal de saúde. Passado algum tempo, para meu total espanto, comecei a ter uma visão… pude ver vários espíritos de branco no hospital onde minha irmã estava internada.

Um deles tinha vestimentas de índio. Esse índio tinha vestes brancas, mas usava um cocar e roupas típicas de um indígena. A impressão que tive é que ele era uma espécie de chefe de tribo, um cacique ou xamã. Em fila comecei a ver todos eles entrando na UTI onde minha irmã estava internada. Depois começaram a rodear a maca onde minha irmã estava deitada. Vi que eles faziam uma oração ao redor da maca, ou algum tipo de tratamento espiritual.

Ficaram assim por um tempo e depois saíram. Isso tudo eu vi de olhos fechados na minha casa, enquanto estava imersa em oração. Depois de tudo isso eu me senti leve… bastante leve. Me veio uma sensação de leveza e tranquilidade. Quando abri os olhos, não sei por quanto tempo toda essa experiência durou, mas aos poucos fiquei sabendo que minha irmã começou a melhorar. Ela ainda teve algumas sequelas da doença, mas a partir daquele momento começou a ter uma melhora muito significativa.

Quando fui ao hospital, vi exatamente a maca onde ela estava e a sala, da mesma forma que percebi em minha visão. Até então não havia ido até a UTI onde ela estava internada, mas a sala batia perfeitamente com a visão que eu tive na minha casa, de olhos fechados. Por tudo isso, agradeço imensamente a Deus e aos seres de luz que nos concederam essa graça.”

Gostou desse relato?

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Psicografia da Chapecoense

 

PSICOGRAFIA DO ACIDENTE DA CHAPECOENSE

Amigos, estou vendo agora que saiu uma suposta psicografia dos espíritos do acidente da Chapecoense. Advirto a todos: não acreditem nisso.

É muito triste um médium tentar pegar carona na comoção popular que se criou em torno do acidente apenas para se promover.

Obviamente essa mensagem, se foi mesmo divulgada por algum médium, é falsa… Primeiro porque não teria dado tempo do espírito enviar a mensagem. Segundo que muitos espíritos que morrem em acidentes graves, em catástrofes coletivas como essa, podem se encontrar em estado de perturbação e não serem ainda capazes de enviar uma mensagem psicografada. Claro que sempre é possível contatar um espírito em sofrimento e ver o que ele pode estar sofrendo, mas isso deve ser realizado apenas com um motivo útil e nunca por sensacionalismo. Aliás, qual seria o sentido de enviar uma mensagem de dor e sofrimento, sem qualquer lição de vida implícita? É muito conveniente nesse momento de clamor popular um médium divulgar essa mensagem. Obviamente esse é um momento de dor e desespero para o espírito e para a família. Que o espírito está em sofrimento é até óbvio e muito provável disso ocorrer. Tudo isso atrai a atenção de todos e pode ter como objetivo fazer desse médium alguém mais conhecido.

Além disso, em minha opinião, não é correto fazer isso com a família das vítimas. Os familiares ainda estão de luto, sofrendo por esse terrível acidente. Envolver as pessoas que desencarnaram nessa catástrofe tão triste e atribuir-lhes uma fala de desespero não é uma atitude positiva. Pode até mesmo aumentar o sofrimento dos parentes que eventualmente venham a ler essa psicografia.

A função do médium é utilizar seu dom ou sua faculdade para ajudar as pessoas. O médium deve dar sua contribuição à humanidade tornando-se uma ponte entre o mundo visível e o invisível, entre o manifesto e o imanifesto. Ele deve ser um mensageiro do além, que entrega uma informação aos encarnados e não faz nenhum alarde sobre isso. O médium não pode colocar sua personalidade em destaque e jamais deve buscar a fama. Ele deve se colocar apenas como um instrumento de Deus para os propósitos divinos se realizem na Terra.

Por isso eu sempre digo: desconfiem de qualquer tipo de mensagem mediúnica de celebridades ou pessoas muito famosas na mídia. Desconfiem também de psicografias de políticos falando do momento atual. Algumas dessas mensagens foram concebidas pelo próprio médium para manipular o eleitorado. Há muitos médiuns que não são sérios e querem apenas publicidade.

(Hugo Lapa)

 

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Ser espírita

 

 

SER ESPÍRITA

Ser espírita é, em primeiro lugar, praticar os ensinamentos de Jesus e não apenas acreditar nele. O espírita deve seguir principalmente o ensinamento de Jesus que diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo a ti mesmo”. O espírita deve ter como objetivo amar a Deus e amar seu próximo, independente do que lhe ocorra.

Ser espírita não é apenas acreditar em espíritos, acreditar em mediunidade, acreditar em fenômenos inexplicados. Ser espírita é principalmente acreditar em Deus, na essência da vida, no espírito eterno e imortal que somos e procurar expressar tudo isso em sua vida prática.

Ser espírita é procurar ser melhor a cada dia. É fazer o bem sem olhar a quem. É dar sem esperar receber em troca. É entender o outro e se colocar em seu lugar.

Ser espírita é aceitar suas imperfeições; aceitar nossos defeitos; aceitar nossas limitações; aceitar que ainda temos muito o que aprender. Ser espírita é, tal como disse Jesus, se fazer inocente como as crianças. É aceitar que não sabemos tudo, que não somos os donos da verdade e que não somos melhores do que ninguém.

Ser espírita é entender que nossa religião não é melhor do que qualquer outra, mas sim que qualquer religião é boa desde que faça a pessoa melhor. Não importa a religião que a pessoa segue, importa apenas ela saber aproveitar os ensinamentos religiosos para evoluir e se elevar. 

Ser espírita é não tentar convencer os outros a serem espíritas ou a aceitarem seus princípios, mas sim respeitar a fé de cada e o grau de consciência que a pessoa se encontra. O verdadeiro espírita não cultiva dogmas ou verdades prontas, mas mantém sua mente e seu coração abertos, além de não idolatrar ou cultuar a personalidade de ninguém.

Ser espírita é não ficar segregando os outros; não ficar dividindo o movimento entre espíritas ortodoxos e espíritas liberais; não ficar impondo sua própria visão do que seja o Espiritismo. O espírita que fica tentando impor o que é e o que não é o Espiritismo ainda não entendeu a essência da doutrina.

Ser espírita é admitir que o Espiritismo pode ser entendido e vivenciado de diversas formas, respeitando a individualidade de cada um, sem imposições, sem censuras e sem proibições de nenhum tipo.

Ser espírita é não julgar, não rotular, não tentar encaixar o outro em padrões pessoais de certo e errado. É deixar o outro ser como quiser ser. O espírita não condena antes da hora e não fala sem conhecer.

Ser espírita é não mentir, não dissimular, não manipular e nem tentar controlar o outro de acordo com sua vontade.

Ser espírita é ter humildade, é cultivar a compreensão com todos. é responder com amor mesmo àqueles que nos fazem mal, é respeitar cada ser da criação, por menor que seja, é ser compassivo com todos, pacífico em cada ato, puro de coração e sincero em suas ações. Ser espírita é despertar a equanimidade e ser livre, totalmente livre de qualquer prisão mental e emocional.

(Hugo Lapa)

Tratamento Espiritual a distância com Captação Anímica

lapapsi@gmail.com

 

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Um espírita no umbral

 

UM ESPÍRITA NO UMBRAL

Um homem de 55 anos, espírita, sofreu um acidente e morreu de repente. Ele se viu saindo do corpo e chegando a um lugar escuro, feio, tétrico, com energias muito negativas.

Assim que começou a caminhar por aquele vale sombrio, viu três espíritos vestidos com capa preta caminhando em sua direção. Assim que chegaram, o homem perguntou:

– Que lugar é esse?

– Aqui é o que vocês espíritas chamam de umbral – disse um dos espíritos. O homem ficou chocado com aquela informação. Mal podia acreditar que estava no umbral. Considerou que talvez estivesse ali para participar de alguma atividade socorrista aos espíritos sofredores. O espírito negativo, que lia seus pensamentos, respondeu que não. Ele estava ali porque o umbral era a zona cósmica que mais guardava sintonia com suas energias.

– Mas isso é impossível!!! – disse o espírita em desespero. – Não posso estar no Umbral. Deve haver algum erro… Em primeiro lugar eu sou espírita, faço parte dessa religião maravilhosa que é considerada o consolador prometido por Jesus. Realizo também projetos sociais de doação de sopa aos pobres. Ministro o passe magnético duas vezes por semana a uma multidão de pessoas lá no centro. Também ajudo financeiramente instituições de caridade muito necessitadas, além de dar palestras no centro para os iniciantes no Espiritismo. Definitivamente há algo errado…

Não há nenhum erro – disse o espírito das sombras – Em seu atual estágio de evolução, você tem que ficar aqui mesmo. É verdade que você é espírita e faz parte desta doutrina consoladora, mas intimamente você julgava pessoas de outras religiões inferiores por não serem espíritas. Sim, você realizava projetos sociais dando sopa aos pobres, mas em seus pensamentos sentia-se o máximo praticando a caridade e julgava que os pobres não eram tão evoluídos por estarem amargando a pobreza, quando na verdade muitos deles eram mais puros que você. Sim, você ministrava o passe, mas considerava que seu passe era mais “poderoso” e mais curador do que o passe de outros passistas. Sim, você ajudava financeiramente instituições de caridade, mas dentro de ti sempre dava o dinheiro esperando receber algo em troca e sentindo-se alguém muito “caridoso”. E finalmente… Sim, você dava palestras aos iniciantes na doutrina, mas acreditava ter mais conhecimento que eles e se colocava numa posição de destaque e vaidade intelectual. Tudo isso suscitando uma das maiores chagas da humanidade, o “orgulho” e a “vaidade”.

O homem ficou impressionado com as revelações daquele espírito. De fato, revendo suas atitudes e sua perspectiva, intimamente havia quase sempre um sentimento de superioridade, de orgulho em relação aos outros, diante de tudo o que foi feito.

O espírita então olhou para dentro de si e começou a se arrepender de tudo aquilo, reconhecendo seu erro e sentindo-se mais humilde. Nesse momento, ele sentiu uma luz brilhando dentro dele e começou a se elevar. Ao perceber que estava se elevando e deixando o umbral, avistou outros espíritos ainda presos à condição umbralina e novamente lhe veio um orgulho e uma sensação de superioridade em relação aos mesmos. Após sentir isso, caiu novamente no umbral, e a queda dessa vez foi ainda mais dolorosa. Um dos espíritos trevosos disse:

– Você caiu novamente porque, no momento em que se elevava, começou a sentir uma certa superioridade em relação aos espíritos que aqui estavam, suscitando mais uma vez uma condição de orgulho. Além disso, “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.” (Lucas 12:48). 

O homem ficou muito triste com tudo aquilo. Entrou dentro de si mesmo e com toda a sinceridade pensou: Sim, é isso mesmo. Eu fui uma pessoa arrogante por ser espírita e por tudo o que eu fazia. Esse orgulho neutralizou todo o mérito de minhas ações. Mas tudo bem, eu mereço estar aqui no umbral. Vou ficar por aqui mesmo, quem sabe eu aprendo alguma coisa. Não me importo mais comigo e entrego minha vida a Deus… Como disse Jesus, “Que seja feita a vontade de Deus e não a minha”.

O homem caiu no chão e apenas se entregou a Deus com fé. Nesse momento, não tinha mais nenhum sentimento de autoimportância. Fechou os olhos e deixou tudo fluir…

Nesse momento, seu corpo começou a se tornar um corpo de luz e, sem nem perceber, começou a se elevar novamente. Assim que chegou a uma zona mais elevada, abriu os olhos e, para sua surpresa, havia se libertado do umbral. Dessa vez, nem percebeu que estava se elevando e se libertando.

Um dos espíritos trevosos estava esperando por ele nesse plano mais elevado. Tirou a capa preta e uma luz maravilhosa começou a brilhar. O espírita percebeu que esse espírito não era negativo, mas um espírito de luz que o estava ajudando desde o início. O espírito disse:

– Tua renúncia de ti mesmo no último momento te salvou do umbral. Que tudo isso sirva de lição para você, meu filho. Toda essa experiência que você passou serve para os membros de qualquer religião. E não se esqueça jamais do que disse Jesus:

“Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.” (Mateus 6:3)

(Hugo Lapa)

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Estupro coletivo

ESTUPRO COLETIVO

Vimos recentemente na mídia um episódio triste onde 30 homens estupraram uma moça e colocaram as imagens dessa violência em vídeo nas redes sociais. Após o evento, várias pessoas vieram me perguntar qual o significado do estupro do ponto de vista espírita. Não abordarei a visão espírita do estupro, pois o Espiritismo é algo bem mais amplo e profundo do que nossa consciência pode alcançar. Acho um tanto quanto pretensioso quando vejo uma pessoa dizer que ela pode declarar qual é a “visão espírita” sobre determinado tema atual. Na verdade, essa visão nada mais é do que sua leitura sobre o espiritismo, sua interpretação do mesmo. Ninguém pode arrogar ser o “porta voz” do espiritismo e ninguém conhece o Espiritismo tão profundamente a ponto de dar esse testemunho. Por isso, podemos descrever apenas os fatos espirituais dentro de nossa visão, de acordo com nossos estudos, pesquisas e as verdades colhidas de nossas experiências.

Do ponto de vista humano, o estupro é encarado como uma grave violência contra a mulher. Ele viola sua integridade física e psíquica. É sem dúvida uma marca que poderá ficar com a pessoa por anos, ou mesmo décadas. Pessoas submetidas a uma violência desse gênero devem procurar abordagens psicoterapêuticas para melhor elaborar essa experiência. O estupro é, sem sombra de dúvida, algo lamentável, condenável, injustificável, realizado por pessoas que ainda estão aprisionadas nas trevas da consciência.

Ninguém deve estimular o pensamento machista de que “A mulher facilitou o estupro”. Ideias como “Se ela estivesse em casa lavando roupa, isso não teria acontecido”. Ou “Se a mulher não andasse de mini-saia, isso não ocorreria” acabam alimentando novos estupros. Esse é um pensamento machista, que acaba por colocar na mulher a responsabilidade sobre o estupro. Declarações como essa são o produto de uma sociedade que ainda guarda resquícios do patriarcado, onde o homem é o soberano e a mulher deve ser submissa e não fazer nada para “provocar” o homem. Isso deve ficar bem claro para todos: a responsabilidade do estupro, do ponto de vista humano, não é da mulher, mas sim do estuprador.

Do ponto de vista espiritual, o estupro, assim como outras formas de violência sofrida pelas pessoas, como o homicídio, o roubo, o latrocínio, a tortura, etc, nada mais são do que provas que o espírito deve passar. O espírito, antes de encarnar no plano material, faz uma escolha das provas mais importantes a serem experimentadas, e essas provações são os caminhos ou os meios que ele se utilizará para seu desenvolvimento espiritual. Essas provas podem ter duas origens principais:

1) O espírito pode ter um karma passado com o estupro. Ele pode ter estuprado uma ou mais pessoas em suas vidas passadas, e na vida atual, ele precisa sentir em si mesmo a violência que praticou. Experimentando em si mesmo ato semelhante ao praticado em vidas passadas, ele tem a oportunidade de viver o choque da experiência que ele mesmo gerou, e assim, o espírito passa a entender mais profundamente seus próprios atos. Como tudo no universo está inter-ligado, o que fazemos a outros sempre retorna para nós. Quando agredimos alguém, estamos na realidade agredindo a nós mesmos; quando estupramos ocorre o mesmo: estamos estuprando a nós mesmos. Tudo o que é produzido no outro ecoa em nós, é realizado para nós, é nossa obra que nos será devolvida mais cedo ou mais tarde. Dentro da realidade kármica, quando vemos uma pessoa ser estuprada e a tomamos como vítima, ignoramos toda a caminhada ou a história daquela alma. Não sabemos o que aquele espírito fez em vidas passadas, qual foi a sua obra, que atos ele praticou ao longo de dezenas de vidas. Vamos supor que um estuprador de uma criança morresse hoje e reencarnasse como uma criança que foi abusada. Alguém diria que essa alma é uma vítima? Não… Essa alma plantou o estupro em vidas passadas e colheu o estupro na vida atual. Assim, Deus não dá a ninguém nada além do que ele precisa e merece.

2) Outra alternativa é o espírito ter escolhido essa prova, mesmo sem ter um karma diretamente relacionado. Nesse caso, o espírito sente que é importante vivenciar o teor de uma prova como o estupro para aprender diversas coisas, como por exemplo: 1) o melhor entendimento sobre a sexualidade; 2) entender e respeitar o corpo do outro; 3) não cometer qualquer violação à intimidade alheia; 4) compreender o corpo como nosso templo e nossa morada transitória, 5) respeitar o espaço de cada um, dentre outros aprendizados. O estupro, assim como qualquer prova da vida material, pode abrir as portas da percepção do espírito para toda uma consciência a respeito do outro e da valorização e respeito de sua vontade e intimidade. Uma mulher estuprada pode com o tempo despertar para uma consciência onde o respeito, o cuidado, o amor, e outras virtudes prevaleçam. A consciência espiritual que pode advir de uma prova de violência física são impossíveis de se descrever, pois essa consciência é de um domínio espiritual que ainda escapa de nossa visão humana limitada.

O valor da prova reside na necessidade de se avançar espiritualmente. Quando uma pessoa almeja um emprego público, ela precisa ser submetida a uma prova de concurso, que vai testar seus conhecimentos. O mesmo ocorre com o espírito: quando o espírito aspira a mais felicidade, mais harmonia com o cosmos, mais paz, etc… ele precisa se submeter as provas da vida material e são justamente essas provas que abrirão os portais da felicidade e tranquilidade interior. Mas é importante entender que uma pessoa passa por um estupro por um motivo, um propósito, que sempre está ligado a evolução do seu espírito. Isso significa que alguém que precisa de uma determinada prova sempre encontrará com alguém de temperamento e energia semelhante, que poderá lhe proporcionar aquela prova. Um se une ao outro por questões de afinidade e sintonia. Um precisa atravessar a prova e o outro anseia em proporcionar a prova. Tudo se une de forma harmônica e perfeita.

O estupro, assim como outras formas de violência, são provas para o espírito. Não há outra maneira do espírito evoluir a não ser atravessando as provações da existência material. Infelizmente o ser humano aprende muito mais pela dor do que pelo amor.

(Hugo Lapa)

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