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Archive for the ‘reflexões’ Category

Ninguém vence ninguém

 

NINGUÉM VENCE NINGUÉM

O mundo atual tem como característica a competição. A maioria das pessoas sonha em vencer umas as outras. Elas desejam vencer o outro para conquistar uma vaga no vestibular; desejam vencer o outro para conseguir um cargo mais alto na empresa; vencer o outro para fazer seu comércio ganhar os clientes do mercado; vencer o outro numa competição esportiva, e assim por diante. Praticamente tudo o que existe em nosso mundo possui algum aspecto de competição, de conquista de uns sobre os outros, onde uma pessoa sai vitoriosa e outra sai derrotada. Seja num simples jogo de videogame até uma eleição para presidente de um país; tudo na vida humana gira em torno de concorrências, rivalidades e disputas diversas.

No entanto, todo esse mundo de competição e de vitórias e derrotas nada mais é do que uma insustentável ilusão. Não há vencedores e não há tampouco perdedores em nosso mundo. Uma pessoa jamais pode vencer a outra, seja em que campo for. Essa afirmação pode parecer estranha e irreal a primeira vista. Ela parece contradizer tudo o que conhecemos do nosso mundo de êxitos, triunfos, conquistas e sucessos, onde desejamos que nosso ego seja mais e mais reforçado diante de todos e nossos desejos mais e mais satisfeitos. Vamos explicar, com alguns exemplos, porque esse mundo de competição não passa de mera ilusão e de que forma é impossível uns vencerem os outros.

Vamos imaginar que um jovem deseje passar no vestibular. Para realizar esse feito, ele deve fazer uma prova e adquirir uma pontuação mais alta do que os outros candidatos. Ele inicia seus estudos e logo se depara com uma série de problemas e contratempos. Conforme vai estudando, ele sente dificuldade de concentração. Todo o mundo ao seu redor o induz a largar os estudos e usufruir dos prazeres que se apresentam. Ele poderia parar de estudar e começar a ver TV; poderia parar o estudo e jogar videogame; poderia conversar pelo celular com seus amigos; poderia simplesmente sair e ir ao shopping; poderia também sair com amigos para beber e se divertir. Mas a cada momento ele sente que o estudo é mais importante e vai aos poucos vencendo as tentações de sair, se divertir, ou simplesmente ficar deitado numa condição ociosa. 

Dentro desse exemplo é importante notar o seguinte: cada vez que ele dispensa o prazer e se concentra nos estudos, ele obtém uma vitória sobre si mesmo. Ele sabe que precisa renunciar a coisas menores,  momentâneas e fúteis para adquirir algo maior. Fazendo isso, ele trabalha a si mesmo e vai se tornando uma pessoa melhor. Vamos observar que essa vitória não é sobre outros candidatos, não diz respeito a ganhar do outro, mas sim uma vitória sobre si mesmo: sobre a preguiça, sobre o prazer, sobre a impaciência, sobre o tédio, sobre a insegurança, etc. Na realidade, conforme ele vai estudando e se dedicando mais e mais, ele não vai vencendo outros candidatos, ele vai vencendo apenas a si mesmo. Esse caso é bastante ilustrativo de como o ser humano conserva a ilusão de estar vencendo o outro quando, na realidade, ele está apenas superando a si mesmo a cada dia.

Vejamos outro exemplo que pode nos esclarecer ainda mais. Vamos imaginar um corredor que deseje conquistar uma medalha de ouro numa competição. Esse corredor estabelece uma meta de correr 2 horas por dia. Ele percebe, no entanto, que essa meta não será suficiente pra leva-lo à vitória. Ele decide então aumentar esse meta; ao invés de 2 horas, ele passa a correr 3 horas. Para honrar essa meta ele deve resistir ao cansaço que se estabelece em seu corpo. Conforme ele vai correndo, não apenas o cansaço físico vai se fazendo presente, mas também pensamentos de insegurança vão invadindo sua mente. Ele começa a pensar: Será que sou capaz? Será que estarei tranquilo na hora da corrida? Vale a pena largar tudo por esse objetivo? Ele precisa renunciar a uma série de coisas. Ele terá que vencer o desânimo dentro de si; terá que vencer seus próprios medos de perder; terá que vencer sua ansiedade e suas angústias diante da possibilidade da derrota. Tudo isso gera um movimento dentro de si que o faz conhecer a si mesmo e superar seus próprios demônios internos.

Nesse momento, seu confronto não é com o outro corredor, mas sim consigo mesmo. Ele precisa vencer seus limites, precisa superar sua condição antiga e ir além, passando a uma condição mais desenvolvida e madura de si mesmo. Conforme vai treinando mais e mais, ele vai conseguindo vencer e triunfar sobre si mesmo, e não sobre o outro. Se ele fosse um arqueiro numa competição, precisaria trabalhar sua tranquilidade interior para acertar o alvo; se ele fosse um jogador de basquete, teria que liberar sua mente de qualquer insegurança, qualquer medo, qualquer autocobrança, para conseguir acertar as cestas, fazendo mais pontos. Vamos mais uma vez observar que a vitória que ele conquista não é sobre outras pessoas, mas sobre si mesmo, sobre suas imperfeições, seus limites, seus medos, seu desânimo. Ele vai ficando mais forte, mais resistente e mais humilde. Cada vez que ele tenta ir além, há uma série de barreiras internas que fazem pressão para trás. A pessoa, por seu lado, deve resistir a essa força contrária de limites pessoais, fraquezas e falhas, conseguindo superar cada um deles, obtendo assim uma vitória sobre si mesmo.

Nessa preparação, onde está o outro? Os outros competidores não participam daquilo que pode nos levar à vitória. Ele não vem nos impedir de estudar; ele não vem nos colocar para baixo; ele não vem nos segurar enquanto estamos treinando; ele não vem nos dizer que não vamos conseguir. Quem faz tudo isso é a nossa mente, nossas emoções e nossos limites internos. Por isso, cada competição humana nada mais é do que o ato de vencer a si mesmo; de vencer nossos erros, nossas máculas, nossos preconceitos, nossa apatia, nossa preguiça, nosso orgulho, etc.

Esse processo de mergulho interior e superação ocorre tanto antes quanto depois de uma competição. O aluno que não passa numa prova de concurso faz (ou deveria fazer)  uma reflexão sobre o que deveria ter feito para passar. Ele se lembra de todas as vezes que faltou as aulas; todas as vezes que deixou de estudar por preguiça; todas as vezes que realizou atividades diversas ao invés de estudar e vai tomando consciência do que pode melhorar numa próxima ocasião. Nesse momento, a revisão de nossos erros pode também nos obrigar a uma mudança de atitude para que, da próxima vez, nos esforcemos para mudar certos aspectos que nos limitaram. Nesse sentido, as competições humanas também são oportunidades de crescimento interior, melhoramento pessoal, amadurecimento, superação e autoconhecimento. Então, a pessoa que estava competindo conosco nos ajudou; ela foi o instrumento de nossa melhora, de nossa reforma interior, do mergulho que precisamos dar dentro de nós mesmos. Aquele que competiu conosco e nos venceu pode nos ajudar na compreensão de muitos dos defeitos e fraquezas que nos levaram a suposta derrota. Essa derrota aparente traz uma possibilidade de vitória sobre nós mesmos.

Assim, não apenas a competição humana é mera ilusão, como aqueles que competem conosco nos ajudam a olhar para nós mesmos, reconhecer nossas limitações e ir além.  Portanto, todos devem abandonar essa ideia de que é possível vencer o outro. Não há vitória nem derrota sobre quem quer que seja. As disputas e competições humanas são ilusões do mundo. Elas nos fazem acreditar que é possível vencer uns aos outros, quando, na verdade, as competições apenas nos colocam diante de nós mesmos, de nossos limites, fraquezas e imperfeições, e nos obrigam a sempre a supera-los.

Assim, todos devem entender que o eu está sempre competindo consigo mesmo, e não contra o outro. A vida humana não um conjunto de competições contra outras pessoas, mas é apenas um exercício de superação de si mesmo.  Como disse Buda: “A vitória sobre si mesmo é a maior de todas as vitórias”. O restante não passa de ilusão, pois ninguém compete com ninguém e ninguém vence ninguém. Cada pessoa é que deve vencer suas próprias limitações.

(Hugo Lapa)

Tratamento espiritual de vidas passadas a distância

portaldoespiritualismo@gmail.com

 

 

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Vazio do Egoísmo

 

O VAZIO DO EGOÍSMO

Uma das causas do vazio é o estilo de vida egoísta e individualista que a maioria das pessoas leva atualmente. Uma pessoa egoísta é aquela que vive apenas para si mesma. Ela desconsidera os outros, não vive pelo coletivo, não olha para o mundo a sua volta, e pensa apenas em seus desejos, em suas conquistas, em seus sonhos, em suas demandas imediatas.

Pensar apenas em seus interesses pessoais gera um isolamento do restante do mundo e cria um sentimento de solidão. Quanto maior o egoísmo de uma pessoa, mais ela viverá apenas para si, e, consequentemente, mais ela se sentirá isolada e solitária. Essa solidão, claro, gera um vazio dentro dela. Todos aqueles que vivem apenas para si mesmos começam a sentir esse vazio. Por isso, tentam preencher esse vazio com as conquistas individuais, com o consumo, com o ter tudo para si, com a obtenção de poder, dinheiro, posses, status, fama, cargos, admiração dos outros, etc.

Quando não conseguem, o vazio começa a retornar com mais força. Mas quando uma pessoa vive não somente para si mesma, mas para o coletivo, para o mundo, para Deus, para a vida, ela passa a sentir a aquilo que denominamos de a plenitude da existência. Quanto mais rígido é nosso ego, maior será a solidão e maior será o vazio. Por outro lado, quanto mais abertos, livres, compassivos e em harmonia com tudo e todos, mais nos sentimos plenos e felizes.

Um exemplo dessa situação é o amor humano, que é egoísta por si mesmo. Quando amamos e vivemos apenas por uma pessoa, nossa vida passa a depender apenas dessa pessoa. Caso a percamos, o vazio se instala e não conseguimos mais sentir em frente. No entanto, quando amamos todas as pessoas, ou quando amamos toda a vida, todo o cosmos, como é possível se perder alguma coisa? O amor ao todo nunca é perdido, nunca nos decepciona, nunca nos traz dúvidas, medo e incertezas. O amor humano limitado a apenas um ou outro indivíduo nos traz, ao contrário, medos, incertezas, dúvidas, decepções, mágoas, etc.

Aquele que vive pelo bem de todos, nunca erra, nunca se decepciona, nunca se magoa, está sempre bem, satisfeito e feliz. Mas aquele que vive apenas para si mesmo, ou por uma ou algumas pessoas, esse está sempre infeliz, sempre ausente, sempre vazio.

Por isso, o egoísmo, o individualismo e a vida voltada aos interesses pessoais sempre vai nos conduzir a um vazio interior profundo, a depressão e a infelicidade. Não importa o quanto conquistemos, o vazio nunca vai embora. Dessa forma, devemos deixar de lado todo o egoísmo, todo o sentimento de valor individual, todo o egocentrismo, toda a aposta na felicidade particular e exclusiva.

(Hugo Lapa)

Atendimento com Terapia de Vidas Passadas

lapapsi@gmail.com

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Projetar uma imagem

 

PROJETAR UMA IMAGEM

Precisamos parar de alimentar a necessidade de mostrar aquilo que não somos, ou de tentar expor o que não sentimos.

Eu recebo pela internet uma média de 70 mensagens por dia. Muitas pessoas vêm me contar suas vidas e seus problemas. Leio o que a pessoa está passando, seus problemas, suas dores, suas decepções… Muitas vezes percebo que seu sofrimento parece profundo, duradouro e agudo. No entanto, em seu perfil, ela aparece sempre sorridente em viagens, em fotos com amigos, em festas, abraçada com familiares (às vezes pessoas que ela detesta), dentre outras situações. Alguns falam frases de efeito, declaram sua fé em Deus, falam em religião, mas se comportam de forma diferente. A pessoa demonstra estar super bem em seu perfil, mas por dentro ela está destruída.

Precisamos parar de tentar sempre projetar uma imagem de felicidade e sucesso aos outros. Podemos até enganar outras pessoas que não nos conhecem, mas jamais poderemos enganar a nós mesmos ou a Deus. O fato de você parecer bem não fará você ficar bem… nem te ajudará a se sentir melhor. É possível dizer que quanto mais infeliz é uma pessoa, mais ela poderá tentar demonstrar felicidade, pois convencendo os outros que ela está bem, ela pode acreditar que se sentirá melhor. No entanto, isso nunca acontece, ou acontece apenas por um curto tempo.

Acredite… Não há nada melhor do que viver a sua realidade. Viver de aparências, demonstrando algo que não somos ou projetando uma alegria inexistente, só piora as coisas. Passamos a viver uma ilusão e tentamos acreditar na ilusão em que tentamos viver. Aceitar a nossa realidade é a melhor coisa que podemos fazer. Aquele que vive sua própria realidade, mesmo sendo muito dura, sabe onde está, sabe quem é, sabe o que precisa melhorar, sabe de onde vai partir, sabe o esforço que terá que fazer, não fica se enganando, não fica paralisado… Ele simplesmente vive aquilo que é… Sendo assim, ele vive melhor.

Só há nada como viver uma vida real quebrando e rejeitando toda a ilusão. Isso porque o sofrimento reside unicamente na ilusão. Quem não se ilude, sofre muito menos, ou não sofre. Mas quem passa a vida se iludindo, vive pulando de ilusão em ilusão, tentando fugir de todas as formas do real. Mas isso é impossível, pois o real é onde estamos, e não se pode fugir daquilo que é.

Aceite sua realidade… Você verá como tudo vai melhorar e você se sentirá mais leve e feliz.

(Hugo lapa)

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Não se anule pelo outro

 

NÃO SE ANULE PELO OUTRO

Muitas vezes recebo casos de pessoas me contando o quanto se anularam por uma ou mais pessoas.

É muito comum ver mães que se anulam completamente para viver pelos filhos. A pessoa já não vive sua própria vida, mas passa a viver a vida do seu filho. Ela praticamente se despersonaliza, deixa de ser ela mesma, deixa de ter gostos próprios, deixa de sentir a alegria de viver, e passa a viver apenas segundo os ditames da vida do outro. Ela abdica de si mesma e passa a existir apenas pelo outro. Vive em função do outro. Ela já não é mais ela mesma, mas passa a ser uma sombra de seu passado, perdida dentro da carência e da dependência em relação ao filho.

É muito comum que pessoas infelizes, que tiveram sérias decepções na vida, passem a viver mais a vida do outro do que a própria vida. Gosto de dar o exemplo da mãe que se anula pelo filho porque esse é o caso mais emblemático desse quadro. A pessoa vive um trauma, uma decepção, um grande sofrimento e não consegue mais viver com alegria, de forma desprendida, com vitalidade, nem consegue mais aproveitar sua existência. Ela não consegue mais ser ela mesma e fica triste tentando resgatar a si mesma,  perdida que está num passado que não retorna mais. Quando ela não consegue mais encontrar a si mesma, ela inconscientemente desiste dessa busca, e começa a se fundir em outra pessoa. Isso pode ocorrer com parentes mais próximos, cônjuge e o mais comum… com filhos.

A mulher que é infeliz, que não realizou seus sonhos, que não fez na vida o que gostaria de fazer, que sente que sua vida é insatisfatória, que não consegue mais ter fé nem esperança, ou que entrou num quadro depressivo leve ou mediano, pode se agarrar emocionalmente ao filho. Ela pode também sentir-se solitária e pensar que o filho é a presença mais certa em sua vida, pelo menos por um bom tempo até atingir e metade ou o final da adolescência. Quando o filho ainda é criança, ele depende da mãe. Nesse caso, a mãe sente-se mais confiante de se ligar emocionalmente ao filho, mesmo que de forma neurótica, pois ela sabe que o filho não tem para onde ir, não tem como abandona-la, é uma presença certa por anos e anos em sua vida. Assim, ela passa a viver em função do filho e deixa de viver a triste e solitária vida que ela tinha. É também comum ver mulheres vivendo a vida do marido e vice versa, ou a vida da mãe e do pai. Passamos a experimentar a vida por intermédio do outro e esquecemos de nós mesmos.

Vejo muitas pessoas, muitas mesmo, perdendo suas vidas nesse processo. Passamos a viver a vida do outro, e esquecemos completamente de nós mesmos. Alguns podem pensar que esse sacrifício de si mesmo para viver pelo outro é algo positivo, nobre, sagrado, meritório, que enaltece nosso ser e nos faz evoluir, mas não é. Esse é um grande engano, pois viver em função do outro só atrasa nossa vida, nos paralisa e nos faz sofrer. O outro passa a ser como um entorpecente. Sem o outro, não somos nada. Sem o outro, temos dificuldade de ficar sozinhos, conosco mesmos. Sem o outro, nos sentimos vazios. Sem o outro, nem sabemos direito como continuar nossa vida. Muitos não conseguem se imaginar vivendo sem a pessoa em questão, tal é o poder da simbiose que experimentamos. Há pessoas que só em cogitar o término de um relacionamento já sentem desespero, tristeza e uma ausência de si mesmos. E quando a pessoa vai embora, não conseguimos seguir nossa vida. Por que isso acontece? Isso ocorre por um motivo muito simples. Quem estava dentro de nós era o outro, e não nós mesmos. O eu se retira para dar espaço ao outro em nosso interior. Doamos tudo para o outro, e não sobra quase nada para nós. Acreditamos que somos tão essenciais ao outro que nos esquecemos de uma coisa básica: a pessoa que mais precisa de nós, somos nós mesmos.

É importante também esclarecer que anular-se por alguém não é sacrificar-se por amor, mas tão somente viver constantemente uma fuga de si mesmo e de uma existência infeliz e solitária. Isso nada mais é do que uma dependência emocional, um vício, uma embriaguez de renúncia a nós mesmos. Não há nada de virtuoso em largar quem somos para viver viciado ou fixado em alguém. A verdadeira renúncia em favor do bem se faz com todas as pessoas, sem distinção, sem eleger escolhidos para destinar nossas boas ações. Se a pessoa escolhe apenas uma ou outra pessoa para canalizar sua bondade, então ela não é boa verdadeiramente, pois a bondade, a caridade, a virtude da solidariedade se faz com todos sem distinção e não apenas com as pessoas que gostamos. 

O resultado dessa troca de nós mesmos pelo outro é muito claro. Precisamos do outro para nos preencher; para vivermos nossa vida. O outro passa a ser necessário a nós, quase como um vício, uma grave obsessão. Mas quando o outro nos falta, está ausente, ou não faz o que desejamos, queremos imediatamente controla-lo, pois precisamos dele para viver. A simbiose gera uma necessidade de controle que se manifesta principalmente com cobranças, chantagens e manifestações de ciúme. É comum também a pessoa revestir-se do papel de vítima, dizendo o quanto ela se “sacrificou” pelo outro; o quanto já fez pelo outro e o quanto o outro não consegue retribuir sua atenção. Por mais que o outro faça por nós, nunca é suficiente, queremos sempre que o outro esteja cada vez mais presente; que faça cada vez mais coisas; que nos dê mais atenção, pois desejamos de todas as formas que o outro supra nossas carências e tape nosso buraco interior. As cobranças podem ser frequentes, assim como tentativas sistemáticas de controlar as ações do outro. Já que nós não conseguimos ser quem gostaríamos de ser, desejamos que o outro seja por nós, tal como a mãe que deseja que o filho faça medicina porque ela não conseguiu fazer e sente-se frustrada por isso.

Ao tomar consciência desse processo, muitos pensam em parar de se anular e retomarem suas vidas. No entanto, aqui ocorre um fenômeno curioso: algumas pessoas passaram tanto tempo se anulando; tanto tempo voltadas para o outro; tanto tempo deixando de serem quem são para se tornarem apenas alguém que vive para o outro, que sequer essas pessoas conseguem retomar quem elas são de verdade. Muitas vezes elas nem lembram de si mesmas, como elas eram, o que faziam, como sentiam a vida, o que gostam, etc. Isso ocorre porque muitas vezes elas perderam o contato consigo mesmas e já não conseguem mais acessar ser verdadeiro ser. Tornaram-se tão fragmentadas vivendo em função do outro que não são mais capazes de restituir seu verdadeiro eu. Seu jeito de ser, sua vitalidade, sua memória, o sentir a si próprio. tudo isso já se perdeu tanto que parece não haver mais retorno ao estado de ser anterior a anulação de si mesmo. Caso a pessoa não faça uma terapia e resolva essa pendência, o resultado inevitável em muitos casos é a tristeza, depressão, sofrimento e em algumas situações o suicídio. Muitos não conseguem recuperar a si mesmos, e quando o outro vai embora, passam a viver como zumbis numa existência penosa, solitária e vazia de sentido e satisfação.

Aquele que está infeliz deve buscar maneiras de curar essa infelicidade e restabelecer sua alegria de viver. Essa é a forma correta de proceder. Fugir de seus problemas e evitar sua própria realidade para ser pelo outro, respirar pelo outro, experimentar a vida pela perspectiva do outro, não é saudável, não é natural, não é necessário, mas algo doentio que precisa de autoexame e tratamento.

Quem vive se anulando pelo outro deve rever profundamente sua vida. A infelicidade é o destino inexorável daqueles que seguem esse caminho. Por isso dissemos: não perca sua vida anulando a si mesmo. Não viva pelo outro, viva por você. Cada pessoa vive a própria vida. Nossa existência é caracterizada pela arte do encontro e do convívio e não pelo escapismo e fraqueza de uma fusão emocional no outro. Não caia nesse erro. Ninguém pode ocupar o seu lugar a não ser você mesmo. Nenhuma pessoa, por melhor que ela seja, é capaz de preencher o buraco que ficou dentro de você. Não adianta dar a desculpa de que ama o outro e por isso se sacrifica. Isso nada tem a ver com amor, mas com apego, dependência e carência emocional. É certo que esse vazio somente nós podemos resolver.

Se você está se anulando pelo outro, vivendo em função do outro, apegado ao outro, ou sua vida é toda direcionada a alguém, reveja seus atos. Ninguém pode preencher a si mesmo com alguém. Você é uma pessoa… Você não deve se preencher com outra pessoa, caso contrário, você morre, deixa de existir e o outro passa a existir em seu lugar.

(Hugo Lapa)

Tratamento Espiritual a distância com Captação Anímica

lapapsi@gmail.com

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Disciplina é liberdade

 

 

DISCIPLINA É LIBERDADE

Queria abordar nessa oportunidade um tema bastante mundano, mas que também possui a sua contraparte espiritual dentro do nosso crescimento interior. É necessário que todos meditem na importância de se poupar dinheiro, de se ter uma reserva financeira, de ter guardadinho lá a nossa poupança para melhor enfrentar as épocas de crise que todos nós passamos.

Antigamente o ser humano tinha a consciência do valor que se deve dar ao hábito de se poupar dinheiro, de se ter uma reserva financeira. No entanto, com o advento do século XX, mais propriamente a partir dos anos 50, a atividade comercial cresceu vertiginosamente em todo o mundo. Por esse motivo, um pesado investimento foi empreendido em propagandas de massa, a fim de atrair o público a consumir em maior quantidade toda uma gama de produtos.

Essa conjuntura social teve como consequência induzir a maior parte da população a quase sempre gastarem mais do que o necessário. Muitas pessoas pobres ou de classe média, que anseiam pelo consumismo dos mais ricos, tão logo conquistam um dinheirinho a mais, acabam entrando de cabeça nesse mundo consumista, e por esse motivo, ficam lotadas de dívidas. A dívida nada mais é do que uma forma de escravização moderna. A pessoa faz uma dívida e fica presa a um sistema financeiro, uma empresa, e o mais comum, um banco. O banco vai cobrando juros sobre juros dentro da dívida inicial, e quando nos damos conta, já pagamos 2 vezes, 3 vezes, 5 vezes, 10 vezes o valor da dívida inicial. Esse sistema é injusto, claro, pois beneficia sempre aqueles que mais têm em detrimento dos que menos têm. Muitos dos grandes ricos do país fazem sua fortuna às custas tão somente das dívidas de pessoas mais pobres. Muitas dessas pessoas menos favorecidas trabalham diariamente, dando seu sangue, suor e lágrimas, apenas para pagar o que devem, e são obrigadas a dispor de um valor muito maior do que deveriam. Alguns perdem sua vida somente pagando dívida atrás de dívida, quando poderiam estar poupando seu dinheiro e já ter conquistado uma certa segurança financeira.

O que provoca esse estado de coisas? Na quase totalidade das vezes, é a ganância humana que gera as dívidas. Vamos ver exemplos disso. Uma pessoa que ganha, por exemplo, 3000 reais por mês. Essa pessoa sente que está abaixo de muitos na escala social. Ela fica a todo momento sendo bombardeada na mídia pela influência de propagandas sedutoras que acabam fazendo a sua cabeça e a convencendo de que, para ela ser completa, ela precisa consumir mais e mais, pois só assim ela estará satisfeita na vida. Obviamente essa é uma das maiores mentiras do nosso tempo, mas a maioria das pessoas acaba caindo nesse grave erro que destrói suas vidas. Então o que ela faz? Ao invés de usar 1500 reais todo mês para pagar suas contas, ela gasta 3000 reais por mês, ou em contas, ou em consumos desnecessários a sua sobrevivência, como bebida alcoólica, lanches, roupas que não precisa, etc. O resultado disso é que o dinheiro não sobra no final do mês e essa pessoa fica dependente do seu emprego e da empresa que trabalha, assim como fica bastante vulnerável a qualquer crise. Se ela perder o emprego, perde tudo. Se ela tiver que pagar, por exemplo, uma cirurgia de 5000 reais, ela não terá de onde tirar. Nesse caso, uma dívida pode começar e a escravizar por anos e anos a fio.

Para não cair nas garras das dívidas e não ser surpreendido por épocas de crise, as pessoas devem fazer duas coisas. A primeira é se libertar desse mundo consumista, onde a ganância e a carência são os principais regentes do nosso comportamento. Desejamos ter cada vez mais coisas para não nos sentirmos inferiores e para preencher um pouco do vazio de nossa existência. A segunda atitude a ser tomada é sempre poupar uma certa quantidade de dinheiro todo mês. Isso nos dá segurança, liberdade e evita que sejamos presos nessa teia complexa de dívidas.

Vamos dar alguns exemplos para que esse ponto fique melhor compreendido. Se uma pessoa ganha 2000 reais por mês, ela deve gastar apenas 1500 reais. Assim, ela vai poupando 500 reais todo mês e ao cabo de um ano, ela terá uma reserva de 6000 reais. Se uma pessoa ganha 5000 reais, ele deve gastar nas contas do mês apenas 3500 reais. Assim, ela vai juntando 1500 todo mês, e ao cabo de um ano ela terá uma reserva de 18.000 reais para protege-la de perder um emprego, de momentos de crise ou de gastos inesperados, como uma cirurgia, um acidente, etc. Se uma pessoa ganha 10.000 reais, ela deve guardar todo mês 3000 reais do seu orçamento e só gastar 7000 reais. Ela não pode jamais gastar os 10.000 reais em contas e consumos, caso contrário, ficará vulnerável a qualquer mudança externa. Ao cabo de 1 ano, ela terá uma reserva de 36.000 reais. Em 5 anos guardando sempre o mesmo valor, ela terá uma reserva de 180.000 reais.

Isso lhe proporcionará uma sensação maravilhosa de liberdade e segurança, onde ela não depende de instituições financeiras e esta livre de qualquer dívida. Pode até usar esse dinheiro para fazer uma nova formação profissional, comprar um sítio, abrir um novo negócio ou simplesmente deixar no banco rendendo. A pessoa vai ficar 5 anos fazendo um esforço de poupar, mas ao final desses 5 anos, terá uma estabilidade maior. Há uma máxima hindu, citada numa das músicas da banda legião urbana, que diz: “Disciplina é liberdade”. Essa máxima é muito ampla e abrange vários aspectos da vida humana, mas dentro do contexto de contenção de gastos ela significa que, aquele que consegue manter uma disciplina de comedimento por um determinado período de sua vida, conquista depois uma liberdade e uma segurança com o dinheiro guardado que será sua recompensa. Ela vai abrir mão de uma série de regalias consumistas vazias, mas depois poderá experimentar uma tranquilidade que valerá todo o esforço.

Para se ter tranquilidade e liberdade em nossa vida financeira, é preciso abnegação; é preciso deixar de lado esse mundo consumista que nada nos acrescenta e simplesmente aprender a poupar um pouco a cada mês. Assim, não seremos mais vítimas dessa nova forma de escravização moderna, pelas dívidas e pela prisão do nosso nome a instituições financeiras.

Por isso, não se esqueça: “Disciplina é liberdade”. A renúncia de hoje será a liberdade e a tranquilidade de amanhã. Aliás, isso se dá com tudo em nossa vida. A renúncia da vida humana é também a nossa liberdade e tranquilidade no plano espiritual.

(Hugo Lapa)

Tratamento Espiritual a distância com Captação Anímica

lapapsi@gmail.com

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Eu salvaria o traficante

EU SALVARIA O TRAFICANTE

Sim, eu salvaria o traficante…

Já prevejo uma enxurrada de críticas, de ofensas e de agressões diversas, com ódio sendo destilado a torto e a direito apenas pela simples menção de que eu salvaria o traficante.

Mas sim… Se eu fosse médico salvaria todos os bandidos. Não deixaria nenhum morrer.

Pois não é matando bandidos ou deixando-os morrer que vamos melhorar nossa sociedade.

É como a estória de diminuir o número de assassinos no mundo.

Se eu matasse um assassino, não teria um assassino a menos no mundo… Não, ao contrário, teria mais um assassino: eu mesmo.

Violência só gera mais violência. O ódio só produz mais ódio que gera ainda mais violência.

Um erro não justifica o outro. Matar quem matou não é mais digno do que o assassinato inicial. Você se coloca no mesmo nível do assassino, cometendo o mesmo crime e se tornando também um assassino.

“Bandido bom é bandido morto”. Essa é uma frase fascista e sem sentido.

Todos nós somos bandidos em algum nível do nosso ser. Todos temos a violência dentro de nós. Por que as pessoas gostam tanto de ver sangue? Por que amam programas como Datena e Marcelo Resende? Por que gostam de boxe, vale-tudo e de ver brigas na rua? Desde crianças vibramos com as brigas dos nossos colegas da escola, adorando ver uma luta. Poucas são as exceções a esse fato. E por que tudo isso? É simples… porque todos nós somos violentos; todos possuímos as sementes da violência dentro de nós. Algumas dessas sementes germinaram um pouco mais em algumas pessoas mais do que outras. Mas todos nós somos intrinsecamente violentos. Desde a Roma antiga no Coliseu até os dias de hoje no MMA. Todos nós somos seduzidos pela violência, seja em filmes, seja em reportagens na TV.

É possível que se você tivesse vivido tudo o que o “bandido” viveu, você também seria um bandido. Calce os seus sapatos e faça o mesmo percurso que ele fez… Vejamos se você sai mesmo tão puro de todas as experiências dolorosas e não se torna também alguém violento.

Acreditar que o outro é sempre mau e nós somos os bons é a maior ilusão que existe.

Muitas vezes, ver o mal apenas no outro, no bandido, no trombadinha, nada mais é do que um mecanismo de defesa para não enxergar o mal que carregamos em nosso íntimo.

Não existe uma “classe separada” chamada bandidos, que todos devem combater. Também não existe uma classe chamada “homens de bem”, a qual nós acreditamos ilusoriamente pertencer.

O mal não está fora… O bandido não é mau e você não é bom. O bom e o mau estão dentro de todos nós. Depende apenas de darmos atenção mais a um ou a outro.

Não existe uma “classe separada” chamada bandidos, que todos devem combater.

Mas esse instinto de se fazer justiça com as próprias mãos; de desejar a morte do outro; de aspirar à violência para aqueles que praticam a violência, tudo isso só aumenta o mal dentro de nós; só nos faz escolher o mal ao invés do bem que existe em nosso interior. Tudo isso só nos faz ainda mais propensos a sermos tal como o bandido que tanto repudiamos com nosso ódio.

(Hugo Lapa)

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Prova da Solidão

 

A PROVA DA SOLIDÃO

Pergunta: É muito difícil viver na solidão. Por que temos que enfrentar a prova da solidão? Muitas pessoas que eu conheço têm vários amigos e eu estou só.
 
Resposta: É difícil por que? Você só acha difícil viver só porque você quer muito viver com uma pessoa, mas ninguém pode ser feliz se essa felicidade vem de fora. A felicidade só pode vir de dentro de si. A ilusão da felicidade externa é apenas uma miragem, algo falso e sem realidade. A felicidade nasce do nosso interior e nada nem ninguém pode nos fazer feliz a não ser nós mesmos. Buscar a felicidade no outro é algo ilusório e sempre transitório, pois o outro pode nos magoar, pode nos abandonar, pode nos ferir ou pode morrer. Se colocamos nossa felicidade no outro, como fica nossa felicidade quando o outro faz tudo isso? Se colocamos nossa vida no outro, quando o outro faz tudo isso, nossa vida se esvai e ficamos desvitalizamos, sem vida própria, pois o nosso coração pulsava alimentado pelo afeto de outra pessoa e não por nós mesmos. Precisamos entender, em nome de nossa felicidade, que não há como o outro nos fazer feliz, simplesmente porque a felicidade só pode ser encontrada dentro de nós.
 
Você diz “Muitos que eu conheço têm vários amigos e eu estou só”. Mas será mesmo que essas pessoas que você conhece têm vários amigos? Muitas pessoas fazem essa comparação equivocada e definem sua solidão pela observação da vida do outro. Qualquer comparação é um erro por si só, mas esta pode ser considerada ainda mais nociva. Alguns se impressionam com as rodas cheias de “amigos”, em bares, restaurantes ou em festas, e supõe que aquela pessoa tem amigos e que não experimenta a solidão. Nada mais falso. Vamos imaginar que alguma dessas pessoas que você diz ter vários amigos ficasse pobre. Essa pessoa perde sua casa, seu carro, seu dinheiro e tudo o que um dia possuiu. Ela vai morar na rua e se torna um indigente. Minha pergunta é: quantos desses supostos amigos estariam ao lado dela nesse momento difícil? É possível afirmar que quase todos iriam se afastar. Muitos ficariam com pena dela e poderiam visita-la uma ou duas vezes na rua. Depois disso nunca mais iriam aparecer. A maioria iria desejar a essa pessoa apenas um cínico “boa sorte” e iria torcer para que ela rapidamente superasse essa condição. Mas quantos desses supostos amigos estariam na sarjeta, junto com ela, a apoiando, dando força e a ajudando de diversas formas? Não meus caros, as pessoas julgam que possuem muitos amigos, mas a verdade é que a maioria não tem quase nenhum amigo.
 
O verdadeiro significado da amizade é representado por aqueles que estão conosco nos bons e maus momentos, no sol e na chuva, na escuridão e na luz, nos dando suporte quando precisando na época de vacas magras e correndo conosco livremente pelos campos floridos na época de fartura e alegria. Esses amigos de verdade são raros. Esses sim valem a pena serem chamados de amigos. Mas aqueles que estão conosco apenas quando estamos bem não podem ser considerados amigos. São apenas colegas, pessoas que estão conosco num momento, mas na primeira adversidade podem ir embora e nunca mais aparecer. Por isso, não se impressione ao ver pessoas supostamente rodeadas de muitos amigos. Tudo não passa de uma ilusão que pode se desmanchar a qualquer momento.
 
Portanto, não acredite que você precisa de um parceiro ou de pessoas a sua volta. Na verdade, ninguém precisa do alimento emocional de ninguém. Quem está em contato com sua essência, jamais se sente sozinho, pois nossa essência está ligada ao espírito universal, a Deus. E quem está com Deus nunca está sozinho. Estamos sozinhos, isso sim, quando dependemos do outro para sermos felizes e estarmos bem. Essa é a verdadeira solidão. A solidão nada mais é do que necessitar de um alimento emocional externo para não nos sentirmos sós.
 

(Hugo Lapa)

Tratamento Espiritual a distância com Captação Anímica

lapapsi@gmail.com


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