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Archive for the ‘reflexões’ Category

 

pog422

 

A RIQUEZA E A POBREZA SÃO INSEPARÁVEIS

É certo que o universo é abundante. Deus nos provê com todos os recursos necessários a nossa subsistência. Mas os seres humanos criaram a propriedade privada e estabeleceram um sistema financeiro onde devem existir ricos e pobres. A grande armadilha desse sistema é que ele nunca pode funcionar adequadamente, pois sempre haverá exclusões e sobreposições de uns sobre outros.

Isso significa que ao falarmos de riqueza no sentido financeiro, estamos determinando que exista uma divisão… e essa divisão cria sempre a pobreza. Como disse Gandhi: “Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns.”

Vamos explicar isso melhor, para que não paire dúvidas sobre o que estamos dizendo. O princípio básico que todos devem conhecer sobre a segregação social, as divisões de classe, as castas e qualquer forma de acumulação de riquezas é o seguinte:

“A riqueza e a pobreza são inseparáveis. Sempre que existe um, o outro deve necessariamente existir.”

Isso é fato e não poderia ser de outro modo. Quando falamos que existe a riqueza, é necessário, em termos de comparação, que exista a pobreza. O mesmo se diz a respeito de todo e qualquer contrário de nossa vida: para existir o alto, é preciso existir o baixo; para existir a escuridão, é preciso existir a luz, para existir o bonito, é preciso que ele seja comparado com o feio para só então o belo poder ser identificado. Lao Tsé afirmou isso poeticamente:

“Só temos consciência do belo, 
Quando conhecemos o feio. 
Só temos consciência do bom, 
Quando conhecemos o mau. 
Porquanto, o Ser e o Existir, 
Se engendram mutuamente. 
O fácil e o difícil se completam. 
O grande e o pequeno são complementares. (…)
O sábio tudo realiza – e nada considera seu. 
Tudo faz – e não se apega à sua obra. 
Não se prende aos frutos da sua atividade.”

Assim, questionamos: é possível que existam ricos sem pobres? A razão e a lógica nos mostram que não. Sempre que há ricos, há pobres trabalhando para esses ricos. Sempre que existe um rei, é necessário todo um conjunto de servos, de guardas, de trabalhadores empenhados em manter esse rei possuindo um status e uma condição material de rei. Para haver um monarca, é necessário haver súditos. Da mesma forma, para existirem ricos, é necessário existirem pobres que sustentem esses ricos. Alguém consegue imaginar um rico vivendo na riqueza sem que alguém trabalhe para que ele continue rico? Não… Um rico, para ser rico, precisa de uma certa quantidade de pessoas que trabalhem para sustentar sua alta qualidade de vida. Supondo que exista um homem muito rico, com tesouros magníficos, vivendo sozinho numa ilha… sem ninguém por perto. Mesmo sendo portador de riquezas fabulosas, como ele poderia gastar esse dinheiro sem ninguém próximo para reconhecer o valor de suas posses, de seu ouro e aceitar trabalhar para ele?

Vamos dar um exemplo para que esse princípio fique mais claro. Imaginemos um rico que compra um celular caríssimo. A princípio, não há absolutamente nada de errado nisso. Ele está apenas comprando um celular. No entanto, todos devem saber que para este celular existir fez-se necessário o emprego de uma extensa e acentuada mão de obra, de dezenas ou mesmo centenas de trabalhadores. Aqui podemos perguntar: esses trabalhadores são ricos ou pobres? Alguém consegue imaginar um trabalhador que produz celulares sendo rico? Ou o rico é aquele que compra o celular ou que possui a fábrica que produz os celulares? Claro que o rico não vai trabalhar com, por exemplo, a extração de cobalto (minério necessário para a fabricação de celulares). Muitos daqueles que realizam esse trabalho são pobres e vivem em condições subumanas de vida. Muitos moram em favelas, sem saneamento básico, sem hospitais, sem educação de qualidade e mal tem dinheiro para se alimentarem. Muitos não têm direito e nem condições mínimas de vida. Alguns destes podem ser crianças, que trabalham em países africanos com extração de minério, como revelou recentemente a Anistia Internacional sobre o mercado de smartphones onde as corporações utilizam trabalho infantil de crianças com até sete anos de idade na exploração de cobalto.

Este pode ser também um trabalho análogo à escravidão, como aquele encontrado na fabricação de roupas de grandes redes de lojas brasileiras, onde o trabalho escravo já foi identificado várias vezes na produção das vestimentas baratas que sempre consumismos. O preço de mercado destas roupas é baixo porque a mão de obra é paga com salários igualmente baixos. Um levantamento realizado pela ONG Repórter Brasil traz uma lista de marcas de roupas que foram flagradas explorando trabalho escravo. Claro que muitas vezes o trabalho de produção não se encontra em condições tão degradantes, mas é certo que quase sempre a produção dos artigos de luxo que os ricos compram está de alguma forma relacionado com mão de obra de pessoas pobres, que vivem em condições indignas. Assim, é certo que a pobreza sempre deve sustentar a riqueza, para que esta possa continuar existindo. Um rico não pode ser rico sem que exista um ou mais pobres para sustenta-lo. Riqueza e pobreza existem de forma inseparável, de modo que onde existir um rico não pode faltar um ou mais pobres para que o rico possa ser rico ou continuar sendo rico.

Algumas pessoas afirmam que o ideal seria um mundo onde todos fossem ricos e não houvesse nenhum pobre. Mas é possível mesmo todos serem ricos? A lógica nos demonstra que não. Imagine uma cidade onde todas as pessoas fossem ricas… todas possuíssem todos os artigos de luxo, boa comida, tudo do bom e do melhor… Todas essas pessoas tem exatamente a mesma quantidade de riqueza. Com o dinheiro que elas têm guardado, elas podem comprar qualquer coisa. Tudo o que essa cidade precisa ela compra de fora. Imaginemos agora que essa cidade passou a viver isolada de tudo e não mantém mais comunicação com o mundo exterior, não podendo mais comprar nada de fora. Uma moça rica quer comprar a melhor comida vinda de fora, mas ela não pode mais adquirir sua comida por conta do isolamento. O que ela deve fazer? Ela pensa então em comprar a comida na própria cidade. No entanto, se todos são ricos nessa região, quem vai querer cozinhar para ela? Quem vai querer se submeter a um trabalho “menor” e plantar as hortaliças e as frutas na própria cidade? Quem vai cultivar a terra? Quem vai se sujar na lama? Todos os ricos da cidade estão acostumados a serem servidos e não a servir… se eles são ricos, não aceitam produzir seu próprio alimento, eles aceitam apenas que outros produzam para que eles possam comer bem.

A moça rica então resolve contratar alguém da cidade para cozinhar para ela, mas se todos são ricos e se todos tem exatamente a mesma riqueza, quem cozinhará para quem? Quem trabalhará para quem? A senhora rica conversa com outra senhora rica e pergunta se ela gostaria de cozinhar para ela em troca de dinheiro, mas como a outra senhora também é rica, ela não precisa do dinheiro, pois já tem grande fortuna. Por isso, ela não aceita cozinhar para ninguém e diz que também está procurando alguém que cozinhe para ela. Todavia, como a cidade ficou isolada e todos são ricos, é impossível encontrar alguém que cozinhe para o outro, ou para todos por dinheiro, posto que todos já são ricos, ninguém precisa de dinheiro e ninguém irá se submeter a servir e sim apenas a serem servidos. Dessa forma, as moças ricas chegam a conclusão de que, como ninguém aceita cozinhar, por serem todos ricos, elas precisam ou começar a cozinhar por si mesmas ou trazer cozinheiras de outro lugar para que possam ir a cidade para cozinhar a elas. E essas mulheres não podem ser ricas… elas precisam ser pobres e precisarem do dinheiro. Os homens ricos dessa cidade precisam de motoristas, precisam de empregados que façam certos trabalhos, precisam de secretárias, mas como não existem mais pobres nessa cidade, esses homens precisam começar a dirigir sem motoristas, atender seus telefones e anotar tudo sem secretárias, e realizar outras tarefas que antes não era feita por eles. Observe que o luxo que eles tinham começa a diminuir, posto que não há mais quem trabalhe para eles, já que todos são igualmente ricos e cada um precisa resolver suas própríras atividades, sem recorrer aos pobres.

Assim, essa explicação esclarece duas coisas: a primeira é que os ricos, para serem ricos, precisam encontrar pobres para trabalhem para eles. A riqueza precisa que exista a pobreza para que a riqueza continue sendo a riqueza. A segunda é que não é possível todos serem ricos, pois se todos fossem ricos, ninguém será mais rico, mas todos serão iguais, todas as pessoas passariam a estar no mesmo nível. Ou seja, se todos fossem ricos, a riqueza simplesmente deixaria de existir. Destas considerações podemos concluir que a riqueza é dependente da pobreza para que continue sendo riqueza. Se em um lugar não existem pobres, também não existem ricos. Quanto mais o número de pobres diminuir, mais o número de ricos também vai diminuir.

Essa é a triste verdade que a maioria das pessoas deseja negar. Muitos querem fechar os olhos para essa realidade, a fim de que seu sentimento de culpa possa ser diminuído. Mas o fato é que o rico, para ser rico, precisa necessariamente explorar outra pessoa, precisa aproveitar-se do trabalho alheio, precisa valer-se de mão de obra barata para manter seu padrão de vida. Assim, a riqueza só existe às custas do trabalho árduo da pobreza, não há como ser de outro modo. Podemos criar inúmeras desculpas para negar este fato, mas nenhum argumento do mundo pode contraditar a realidade de que a riqueza e a pobreza são inseparáveis e uma não existe sem a outra.

Algumas pessoas podem argumentar que existem países ricos, onde todos têm uma boa condição de vida. Para esta afirmação é possível nos remeter ao exemplo da cidade onde todos são ricos. Por que os países ricos são ricos e continuam sendo ricos? Porque em algum momento eles usam a mão de obra barata de outros países para manterem sua riqueza. Aqui cabe o mesmo princípio: para que possam existir países ricos é necessário que existam países pobres. Se todos os países fossem ricos, quais habitantes dos países ricos trabalhariam pelas melhores condições dos habitantes de outros países ricos? Se todos são ricos, ninguém aceitaria se submeter a prestar serviços uns para os outros… todos desejariam receber os serviços de luxo ao invés de oferece-los. Assim, a riqueza de um país anularia a riqueza do outro país e todos passariam a ser iguais. Mas quando existem 160 países pobres e 40 países ricos… os 160 pobres oferecem seu trabalho para que os ricos paguem barato por essa mão de obra. Assim, eles continuam sendo ricos e os pobres continuam sendo pobres. Quanto mais os ricos são ricos, mais os pobres são pobres.

Com essa reflexão, não estamos propondo nenhuma alternativa ao nosso modo de produção. Não somos nem comunistas nem capitalistas. O comunismo não deu certo em nenhum lugar do mundo e tampouco o capitalismo deu certo. Não somos a favor nem de um nem de outro. Claro, é possível dizer que o capitalismo deu certo para os ricos, mas para a maior parte da população, o capitalismo vem dando errado dia após dia. No momento em que uma mãe não pode levar um filho doente em um hospital por não ter dinheiro, observamos claramente o quanto o capitalismo está dando errado para a maioria das pessoas no mundo.

Mas então qual seria o melhor modelo de produção? Qual seria o sistema mais próximo de uma vida de prosperidade para todos? Não há outra forma ou modelo social capaz de dar boas condições a todos os habitantes do planeta Terra senão aquele baseado na extinção completa do egoísmo humano e de qualquer sentimento de posse. O modelo ideal seria cada pessoa trabalhar pelo coletivo e não apenas pelo individual; o melhor seria a parte trabalhar para o todo… e não o todo para a parte, como ocorre no mundo de hoje. Seria trocar a competição pela cooperação.

Por exemplo, uma pessoa produz comida… e esse é seu trabalho. Essa pessoa deveria produzir comida para todos. Qualquer pessoa que precise de comida pode ir até ela e pegar a comida. Uma pessoa cria cavalos. Qualquer pessoa pode ir ao local e pegar um cavalo. Essa pessoa que cria cavalos pode igualmente ir ao cozinheiro e pegar sua comida. Outra pessoa pode fabricar bicicletas e permitir que todos peguem suas bicicletas. Todos os que precisam de uma bicicleta simplesmente vão ao local de fabricação e pegam a bicicleta que precisam. A cadeia de produção da sociedade poderia ser toda intercalada dentro de um conjunto, onde todos trabalham pelo bem de todos. O individual trabalha sempre pelo coletivo e o coletivo trabalha pelo bem do individual.

Muitos podem acreditar que isso nada mais é do que uma utopia e nunca irá se concretizar. Sim, de fato, enquanto os seres humanos ainda insistirem na terrível chaga do egoísmo, sempre existirão ricos e pobres, sempre haverá homens que exploram outros homens, sempre haverá crianças trabalhando por um prato de comida, sempre haverá trabalhadores sofrendo por realizarem uma mão de obra análoga à escravidão… e isso nunca terá fim. O sofrimento será sempre presente na humanidade, assim como a violência, o estupro, os assassinatos, a tristeza, a depressão, a angústia, e todos os males possíveis que invadem nossa alma e deixam um profundo vazio dentro de nós.

(Hugo Lapa)

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Querer ser forte o tempo todo

 

 

QUERER SER FORTE O TEMPO TODO

Quanto mais uma pessoa faz de tudo para ser forte ou parecer forte diante dos outros… mais esse empenho faz ela ficar fraca.

Aqueles que desejam ser felizes precisam entender essa verdade. Ninguém deve ficar tentando ser forte o tempo todo. Muitas vezes nossa força está justamente na admissão de nossa fraqueza, na consciência de nossa fragilidade, no reconhecimento dos nossos limites.

A sociedade atual nos exige cada vez mais que sejamos fortes, primorosos, aplicados, infalíveis e obstinados na luta da vida. “Você precisa ser forte pelo seu filho”; “Você precisa ser forte para manter seu casamento”; “Você precisa ser forte para continuar ganhando dinheiro”; “Você precisa ser forte para poder vencer na vida”, etc, etc. Quantas vezes já não ouvimos isso? Mas a pergunta é: precisamos mesmo ser fortes o tempo todo? Será que todas essas exigências impostas e autoimpostas não minam nosso psicológico e drenam justamente nosso vigor, nosso ânimo e nossa eficácia na vida? Será que nossa força não vem justamente da consciência de nossa fraqueza?

De que adianta ficar tentando ser forte quando na verdade estamos completamente enfraquecidos? Será que essa luta pela potência total não nos enfraquece ainda mais? Será que o esforço imenso que fazemos em ser sempre estáveis e sólidos não nos tira justamente a energia que precisamos para poder seguir em frente? Claro que ninguém deve desistir e viver prostrado pela ideia do enfraquecimento mental. No entanto, fazer força o tempo todo para não demonstrar fraqueza é uma atitude que nos desgasta, nos esgota, nos torna ainda mais vulneráveis aos problemas que enfrentamos.

Qual o grande mal de demonstrar nossa fraqueza para os outros? Será que os outros precisam acreditar que somos fortes para que nós também possamos acreditar nisso? Para que ficar demonstrando uma imagem de firmeza plena quando dentro de nós estamos completamente destruídos e desgastados? Já vi muitos casos de pessoas que não gostam de chorar. Quando se pergunta para essas pessoas o motivo delas não gostarem de chorar, na maioria das vezes elas admitem que, em sua crença, o choro é inevitavelmente um sinal de fraqueza. Elas evitam o choro para que assim não deem nenhuma demonstração de debilidade e desânimo diante de si mesmas e dos outros.

Mas será que o choro nos enfraquece mesmo? Ou será que é justamente essa prisão das emoções dentro de nós, esse represamento sentimental que cria uma bomba interna prestes a explodir? Muito pelo contrário… o pranto ajuda a descarregar as emoções. Quantas vezes após um longo pranto nos sentimos aliviados e suavizados em nossas emoções, como se um peso tivesse saído de dentro de nós? O choro é uma descarga… e essa descarga nos ajuda a tirar uma enorme peso emocional que podemos estar carregando. Esse fardo, sendo aliviado, nos ajuda a seguir em frente com mais tranquilidade. É como um descanso na sombra com água fresca após uma estafante maratona. A pessoa que quer se fazer de forte o tempo todo e não dá alívio para suas emoções é como aquele homem que fica carregando um peso imenso nas costas… sendo que esse peso não é necessário dentro da estrada que ele precisa percorrer. Mas se ele soltar esse peso ele poderá transmitir a impressão de que é fraco… e não aguenta carregar tudo.

A verdade é que a força que fazemos para ser ou parecer fortes nos enfraquece mais e mais; a imagem que projetamos para não mostrar nossa vulnerabilidade nos deixa ainda mais vulneráveis; a luta que ingressamos para não deixar visíveis as nossas feridas interiores pode nos ferir ainda mais. É mesmo tão importante assim mostrar essa fortaleza toda para os outros e para nós mesmos? Sim… ser “forte” o tempo todo acaba nos deixa muito muito cansados, desgastados, fragilizados, desanimados e infelizes. A ânsia por demonstrar força para resolver um problema nos torna ainda menos aptos a soluciona-lo. Pode acontecer também de alguém tentar demonstrar força justamente porque sente uma considerável fraqueza dentro de si mesma. A demonstração de força seria uma forma de ocultar o definhamento de sua vitalidade. Assim, ela pensa que precisa demonstrar algo justamente porque sente que não possui esse algo.

Tão importante quando seguir em frente numa longa estrada é também parar um pouco para descansar e recobrar nossas energias. É certo que o repouso é fundamental, tanto quanto o movimento que fazemos para continuar nossa jornada. O descanso emocional é, para muitas pessoas, a libertação definitiva dessa crença de excelência, de eficiência total, de poder total, de habilidade total e da necessidade de luta constante por algo. Aquele que vive tenso e preocupado em ser forte não descansa, não relaxa e está permanentemente se cobrando ser mais e mais forte.

A verdade é que a própria cobrança em ser forte cria uma luta perene… E nessa eterna luta interna o perdedor não é outro senão nós mesmos.

Vamos refletir sobre isso…

(Hugo Lapa)

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Hipocrisia do natal

 

VAMOS FALAR DA HIPOCRISIA DO NATAL?

Amigos, o natal está chegando… Penso que nesse momento todos devem refletir sobre um comportamento muitíssimo comum para os cristãos. Esse comportamento se chama hipocrisia.

Precisamos urgentemente refletir sobre isso e pararmos de ser hipócritas quando chega o natal. A maioria das pessoas do mundo se dizem cristãos. Isso significa que elas seguem o Cristo, o ideal de fraternidade, paz e amor que encontramos na figura, na vida e nos ensinamentos de Jesus.

Quantos cristãos existem nos dias de hoje que se fingem de bonzinhos no natal, mas que o ano inteiro foram intolerantes, julgaram seus irmãos, maltrataram e não são capazes de perdoar. Jesus disse: perdoa 70 x 7 vezes… mas muitos supostos cristãos não fazem nem sequer um esforço para perdoar aqueles que nos fizeram mal. Quantos cristãos hoje em dia vivem mergulhados dentro do ódio político? Quantos ditos cristãos destilam seu ódio contra partidos e pessoas? Quantos cristãos julgam outras pessoas? Quantos cristãos pregam o amor, mas fecham os olhos diante das injustiças? Quantos cristãos seguem Jesus, mas ignoram seus ensinamentos sobre o desapego material e procuram acumular mais e mais dinheiro e tesouros sobre a terra? “Não acumuleis tesouros sobre a terra, mas acumuleis tesouros no céu” disse Jesus. Quantos vivem na simplicidade pregada por Jesus?

Quantos líderes religiosos cristãos recebem imensas doações em dinheiro… enganam seus fiéis… entram na política para fazer negociatas com dinheiro do povo… vivem pedindo doações em dinheiro e ficam extorquindo pessoas pobres. E quantos desses fiéis assistem tudo isso acontecer, mas nada fazem, são omissos e permitem que esses líderes religiosos cristãos continuem sugando a população. A omissão também nos torna cúmplices dos malfeitos desses supostos líderes e nossa consciência depois nos cobrará esse preço.

Quantos presidentes se dizem cristãos, em países cristãos e fazem guerras contra outros povos? Muitos… A maioria dos presidentes americanos eram cristãos e no entanto fizeram guerras e mais guerras contra outros povos, por uma causa apenas… dinheiro e poder. E o povo, que também se diz cristão, assiste a tudo de camarote, na telinha de sua TV, sem fazer nada, permitindo que seu governo destrua outros países, mate homens, mulheres e crianças, crie a fome, a desnutrição infantil e outros males.

Esse povo dito “cristão” não vê problema com essas guerras, desde que esse mesmo povo muito “cristão” esteja suprido de bens materiais, dinheiro e conforto que é roubado cruelmente desses outros países. Referi-me ao governo americano, mas a maioria dos países cuja maioria é cristã faz a mesma coisa e o povo, em boa parte, é omisso, não se posiciona e permite que seu governo crie divisões de ricos e pobres, faça guerras, estimule injustiças, crie a fome, a miséria, o caos social… e poucos são aqueles que se movimentam pelo fim dessas injustiças.

O que fizemos de bom antes do natal e depois do natal? Adianta alguma coisa nos dizermos cristãos se não praticamos nada ou quase nada dos ensinamentos do Cristo? Vivemos apenas uma mentira… preferimos viver na mentira e não ligamos para isso? Por que não praticar os ensinamentos cristãos, que são a base, o fundamento do próprio cristianismo? Por que insistimos em viver na hipocrisia, nos dizendo cristãos e fazendo o oposto do que o Cristo ensinou? Vamos refletir sobre isso?

(Hugo Lapa)

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Orientar os filhos

 

ORIENTAR OS FILHOS, NÃO MANDAR NELES
 
Você sabia que, do ponto de vista espiritual, não deve mandar no seu filho, dizer-lhe o certo e o errado, impor verdades a ele, nem preserva-lo das intempéries da vida?
 
O comportamento mais aconselhável dos pais é apenas orientar, propor, sugerir, ensinar, educar, mostrar o caminho e suas possíveis consequências… Esse é o máximo que você, como pai ou mãe, pode fazer pelos seus filhos. Quando as crianças são pequenas, é preciso sim impor limites, mas quando crescem, eles devem decidir sozinhos sua vida.
 
Não pode tomar posse do seu filho, nem desejar que ele siga seus passos, nem querer que ele seja isso ou aquilo, nem fazer dele sua imagem e semelhança, nem obriga-lo a seguir um caminho que você acredita ser o melhor para ele. O que acreditamos ser o melhor para o outro quase nunca é.
 
Você também não deve jamais dar tudo o que ele pede… não deve mima-lo, não deve fazer todas as vontades dele, não deve retira-lo da provação, não deve construir verdades imutáveis, não deve deixa-lo sem responsabilidades… Você deve sempre colocar alguma responsabilidade ou tarefa para que ele sinta que pertence a um coletivo e não apenas ao individual. Ele deve sentir que pertence ao todo e deve respeitar esse todo… e não que ele é o todo ou a parte mais importante do todo.
 
Todo pai e toda mãe deve ensinar seu filhos os valores mais fundamentais, como a justiça, o amor, a fraternidade, o respeito, a compaixão e o desapego. É importante mostra-lo que o mundo não gira ao redor dele, que existem outras pessoas no mundo e que todas devem ser respeitadas. É importante dar-lhe a noção de consequência de seus atos… ensinar-lhe a causa e o efeito… Mostrar a ele que um comportamento sempre irá produzir um resultado, que se ele colocar a mão na tomada, por exemplo, vai levar choque.
 
Pais e mães precisam entender, de uma vez por todas, que não podem proteger os filhos das adversidades da vida. Os filhos precisam viver as provações, para que assim possam se desenvolver. Crianças e jovens que foram sempre preservados de tudo crescem e se tornam adultos dependentes, egoístas, amargos, vazios e infelizes.
 
Quanto mais tentamos proteger os filhos de tudo, mais desprotegidos eles ficam. Quanto mais fazemos as coisas para eles… menos eles aprendem a fazer por si mesmos. Quanto mais os retiramos das dificuldades… mais difícil será para eles passarem por essas mesmas dificuldades no futuro. Quanto mais os ajudamos, mais podemos os estar atrapalhando e impedindo seu próprio desenvolvimento. Quanto mais os preservamos de tudo, mais vulneráveis eles vão ficar. Quanto mais damos as coisas a eles sem esforço… menos eles vão aprender a conquistar por si mesmos. Você pode acreditar que fazendo por eles os está ajudando… mas pode os estar prejudicando imensamente.
 
Os pais que amam de verdade seus filhos permitem que eles vivam o que precisam viver… vivam aquilo que eles escolheram viver. Todo pai e mãe deve saber que cria seus filhos para o mundo, que os filhos não são seus e que um dia, inevitavelmente, eles vão embora, fazer suas vidas. Há muitos pais que caem em depressão quando os filhos saem de casa… É preciso estar imune a essa dependência emocional, esse apoio psicológico que se faz nos filhos. Filho não pode ser muleta emocional de ninguém, nem pode se tornar a nossa vida. Aqueles que não conseguem viver sem os filhos já estão mortos e nem sabem.
 
Assim, os pais podem aconselha-los, mas jamais impedir que eles sigam um caminho que desejam seguir. Não podem modificar seu karma, nem suas escolhas, nem molda-lo a um comportamento e a um modo de ser que não seja o seu. É preciso respeitar a individualidade de cada ser, mesmo aqueles que chamamos de filhos.
 
Entenda que a missão dos pais é apenas orientar… e não forçar a coisa alguma. Não se deve preservar os filhos nem dar-lhes todo o conforto. Como já dissemos em outras ocasiões, o ser humano aprende mais nas provações do que no conforto; aprende e se desenvolve mais na insegurança do que na segurança; aprende mais na queda do que na estabilidade; aprenda mais na perda do que se tudo ganhar, e claro… aprende muito mais caminhando sozinho.

(Hugo Lapa)

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Depressão atual

 

 

pog383

 

QUAL O MOTIVO DA DEPRESSÃO ATUAL?

Por que estamos tão deprimidos nessa época pós-moderna?

Porque estamos vivendo uma época materialista, tecnológica, consumista e sem alma. Cada vez mais estamos aprisionados a tecnologia, ao mundo virtual e as suas futilidades. A vida da maioria é totalmente banal, sem profundidade; as pessoas vivem no automático e pensam apenas no dinheiro, no conforto material e em projetar uma imagem positiva, sempre numa lusória felicidade… no trabalho, nas redes sociais e na comunidade.

O entretenimento vale mais do que a dignidade da pessoa humana. Ao invés de separar as brigas entre pessoas filmamos a confusão com celulares para compartilhar depois e mostrar aos amigos, além de obter curtidas e audiência em nossos canais de divulgação às custas do sofrimento dos outros.

A violência está cada vez mais presente na mídia. Os programas sensacionalistas das nossas tardes divulgam cada vez mais a violência e a banalizam completamente, estimulando ainda mais a própria violência. Esses mesmos programas pedem medidas igualmente violentas contra a violência, o que apenas a alimenta, a estimula e nos torna mais e mais violentos… mais e mais superficiais em nossa análise da situação atual. Há muitas brigas políticas, ideológicas… uns combatem com ódio estrito o comunismo, outros combatem o capitalismo… disseminam vídeos de ódio à esquerda e a direita. Não há mais diálogo entre as pessoas… há apenas cliques, vídeos e demonstrações rasas de carinho, afeto, cuidado…

O ser humano se tornou um objeto de si mesmo e dos outros. As pessoas usam umas as outras e cada vez menos acreditam em relacionamentos verdadeiros. A tecnologia está cada vez mais tomando conta.. e uma pessoa “avançada” é aquela que mais está na vanguarda de todas as “novidades”… que rapidamente se tornam velhas, desgastadas e ultrapassadas. Compramos eletrodomésticos que hoje duram 1 ou 2 anos. Antigamente as máquinas de lavar duravam 10 ou 15 anos. Hoje em dia duram 3 anos e já estão fora de moda, ou quebram naturalmente, numa obsolescência programada que foi feita para que tudo quebre rápido e as pessoas sejam obrigadas a comprar mais e mais. Tudo hoje em dia parece vago, impreciso, líquido, seco, sem vida, sem alma, sem graça, escurecido, desanimado, pois o ser humano está muito mais desligado de sua essência do que antigamente.

As músicas de hoje são ou sexualizadas ou violentas. As letras são estéreis e pueris. Há pouquíssimos músicos falando de amor, de verdade, de justiça, de humanidade, de sentimentos profundos. Há apenas ritmos grotescos, empobrecidos, sem poesia, sem uma reflexão mais profunda sobre o espírito humano. As canções viraram um artigo de comércio, que serve quase sempre para estimular a sexualidade precoce, a violência, a ostentação, o orgulho, a vaidade e os prazeres quiméricos da vida.

Além de tudo isso, estamos cada mais mais intoxicados por químicos diversos. Hoje em dia existe um sem número de agrotóxicos, transgênicos, aditivos, conservantes, corantes, modeladores, etc. Nossa saúde hoje não é mais preventiva, mas trata apenas de neutralizar os sintomas para deixarmos de sentir a nós mesmos e a vida. Não estamos mais voltados ao bem estar psicológico ou espiritual. Nos tratamos com químicos pesados, fármacos que nos debilitam, não apenas para as doenças do corpo, mas também as doenças emocionais. Ao invés de buscar uma terapia mais profunda visando o autoconhecimento, a compreensão interior que visa a transformação, as pessoas preferem um rivotril, um ansiolítico, um antidepressivo, ou qualquer pílula mágica que nos isente de sentir a nós mesmos e sentir as mensagens que nosso organismo está nos passando sobre nossos excessos e nossa inconsciência… quanto mais sedativo e entorpecedor, melhor o medicamento.

Dentro desse cenário atual, todos tem menos chance de mergulhar em seu interior e descobrir o que nosso inconsciente tenta nos revelar sobre nosso egoísmo, nossas mágoas, nosso ódio, nosso ego inflado, nosso incrível melindre em achar que todos estão sempre nos ofendendo. Estamos tão melindrosos hoje em dia, tão sensíveis e intolerantes com tudo, que alguns têm a impressão de que estão sempre sendo ofendidos por algo ou alguém. O ódio disseminado e aceito como natural nas redes sociais nos degrada cada vez mais. Nossa intolerância, e o esforço imenso que fazemos para nos manter numa ilha emocional torna cada vez mais débil a nossa sensibilidade geral… O consumismo exacerbado que tem como raiz o individualismo de nossa sociedade atual nos faz querer gozar sozinhos quase sempre, pois o outro só exite e só tem sentido quando ele nos ajuda nesse gozo… A maioria das pessoas de hoje não buscam parceiros, companheiros, irmãos numa mesma jornada onde um ajuda o outro. Buscamos no outro o reflexo de nós mesmos… e quanto mais o outro corresponder aos nossos anseios de gozo mundano, mais desejamos ele próximo. Fazemos das pessoas uma extensão do nosso próprio ego.

As pessoas de hoje falam sem pensar. Elas apenas vomitam palavras de forma inconsciente e compulsiva. Não importa se o outro está interessado no que eu digo e tampouco importa ouvir e compreender o outro… o que importa é apenas corresponder ao instinto de lançar palavras ao vento apenas pelo desejo de se expressar sem pensar, sem sentir, sem compreender o que é dito e o que ouvido.

Infelizmente, nada mais existe de profundo na vida atual, nessa era high tech de bites infinitos, de gráficos belíssimo e do interior oco e sem sentido.

(Hugo Lapa)

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A verdade liberta

 

A VERDADE LIBERTA

No filme Karatê Kid II (1986), o Senhor Miyagi profere uma frase de muita sabedoria…

Havia um rapaz que estava espalhando mentiras sobre o senhor Miyagi. Daniel san viu esse rapaz divulgando as calúnias e foi questionar o senhor miyagi se ele não tinha medo que as pessoas acreditassem nessas mentiras. A resposta do senhor Miyagi foi a seguinte:

– Daniel san… A mentira só é vista como verdade quando as pessoas querem acreditar na mentira.

Sim, essa é uma frase de sabedoria e serve para a vida de cada um. A mentira, a fofoca, as calúnias, as difamações, as intrigas, tudo isso só se espalha e toma corpo quando as pessoas preferem acreditar na mentira, quando elas gostam de mentiras e fofocas. As pessoas sentem uma certa excitação, um prazer em ficar sabendo da vida dos outros e de ficar passando informações que elas nem sabem se são mesmo verdade.

Minha pergunta é: para a maioria das pessoas, a verdade importa? Bom… se a verdade importasse mesmo, as pessoas não sairiam divulgando uma informação sem antes pesquisa-la a fundo. Somente quando buscamos a veracidade de uma informação é que nos importamos com ela. Mas aquele que divulga uma informação sobre alguém sem saber se é ou não verdade, obviamente, não está de fato interessado na verdade.

As pessoas comuns não amam a verdade, elas amam as fofocas, os boatos, elas adoram falar das vidas umas das outras. E por que elas fazem isso? Por um motivo muito simples… elas falam da vida das outras pessoas porque querem desviar o foco da própria vida para a vida do outro. Ou seja, elas não querem enfrentar seus problemas, viver seus contratempos, cuidar de si mesmas… isso porque, claro, dá muito trabalho resolver nossas próprias pendências. Assim, elas preferem prestar mais atenção na vida alheia e ficar inventando e espalhando fofocas e calúnias sobre os outros. No fundo, essas pessoas não gostam da própria vida… e assim, ficam se detendo na vida dos outros.

Dessa forma, o personagem senhor miyagi estava certo. Uma mentira só se torna verdade quando as pessoas querem acreditar na mentira. E claro… as pessoas preferem acreditar em mentiras quando elas não se importam com a verdade. Como disse Jesus… a verdade é libertadora… mas as pessoas comuns preferem viver aprisionadas em seus dogmas, em suas crenças, em sua limitada visão de mundo, pois supõem que essa prisão, tendo grades bem firmes, pode protege-la de todo um universo de possibilidades que vai se abrir para sua consciência caso ela saia da prisão. Mas quantas pessoas estão realmente interessadas em sair do seu mundinho, em enfrentar seus limites e ultrapassa-los? Poucos… bem poucos.

A melhor pessoa é, sem dúvida, aquela que ama a verdade… É aquele que repudia a mentira, ou as verdades distorcidas, as manipulações, as persuasões, as influências sobre a liberdade do pensamento alheio. A verdade é nossa melhor companheira, não há outra. Mesmo que doa… é melhor viver logo com a verdade que dói do que com a mentira que anestesia. Vamos todos amar a verdade e não ter medo dela… pois ela pode seguramente nos libertar.

(Hugo Lapa)

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Argumentos emocionais

 

ARGUMENTOS EMOCIONAIS CONTRA A VIOLÊNCIA

Hoje em dia, em nossa sociedade, vivemos um surto imenso de violência. Esse aumento nos casos de violência está produzindo um fenômeno ideológico de resposta da sociedade a toda essa violência. Essa resposta de alguns setores da sociedade tem orquestrado toda uma cultura da violência com vistas a combater essa conjuntura. Os defensores dessas propostas afirmam toda uma série de medidas agressivas, vingativas e violentas contra os criminosos, os bandidos, os corruptos, os fora da lei. 

Obviamente, esse tipo de ação não apenas é infrutífera e não gera nenhum benefício para a sociedade, como ela é contraditória, pois prega uma medida de combate a violência que é, ela própria, violenta. Assim, questionamos: como pode a violência combater a violência? Isso seria o mesmo que tentar combater os assassinos com assassinatos. A partir do momento que uma pessoa mata um assassino para puni-lo, ela se torna também uma assassina e desce ao nível malfeitor dentro do crime que ele cometeu.

Não há como fugir disso. Se alguém deseja punir um assassino e também o mata, o suposto justiceiro também se torna, ele mesmo, um assassino. Isso é evidente em si mesmo. Essa pessoa comete em sua ação o mesmo crime que ela tentou extirpar, e cai numa imensa contradição que é, em si mesma, ineficaz, hipócrita e, claro, criminosa. Não se combate o fogo com o fogo, assim como não se combate o crime com mais crime, ou como não se combate assassinatos com mais assassinatos. Só e possível extinguir a violência com a paz. Será que alguém pode combater a ignorância com mais ignorância? Ou podemos dar cabo da ignorância com educação, aprendizado, conhecimento e sabedoria?

No entanto, quando lançamos esses argumentos, muitos dos defensores da violência contra a violência emitem ideias do tipo:

“Se fosse seu filho, você pensaria diferente. Se você tivesse vivenciado o ocorrido, teria ódio desse sujeito.”

Vamos analisar um pouco essas declarações. Quando uma pessoa vivencia a perda de um familiar, vítima por exemplo de assassinato, o sofrimento pode ser imenso, a emoção a toma demasiadamente. Ela pode perder, momentaneamente, sua capacidade de pensamento e razão e estar mergulhada apenas em fortes emoções.

Nesse momento, ela não tem mais um juízo de valor puro, onde estaria livre para usar sua razão. Ela foi invadida por fortes sentimentos e agora seu pensamento está obnubilado, perturbado, cheio de interferências emocionais. O que os partidários desse argumento emocional pedem é que você tome uma decisão sobre o que pensar quando estiver mergulhado em fortes emoções. Ou seja, eles pedem que você pense e decida sobre o que fazer, acreditar ou defender diante de um certo tema quando você não estiver pensando direito, quando sua capacidade de juízo estiver bloqueada, quando as emoções nos abafarem e quando momentaneamente abandonamos o uso do raciocínio.

Mas claro que não podemos definir nossas crenças quando experimentamos momentos de muita emoção, muito sofrimento, muita dor, pois é exatamente nesse momento onde menos conseguimos pensar, menos conseguimos raciocinar, menos conseguimos decidir o que é certo e o que é errado, pois nossa consciência está cerceada e influenciada pelo nível emocional.

O que os partidários do pensamento sentimentalista afirmam é que devemos abandonar a razão e pensar apenas regidos pela emoção… Mas o que é melhor? Tomar uma decisão quando estamos com raiva ou quando estamos calmos e podemos pensar mais claramente? Vamos decidir sobre um projeto que precisa ser pensado e analisado quando estamos abarrotados de raiva, ou apenas quando estamos calmos? Procure fazer uma revisão de todos os momentos de sua vida em que você ficou com raiva e tomou alguma decisão. Provavelmente muitas vezes na vida você não teria tomado alguma atitude se tivesse tranquilo, se estivesse sossegado, se não estivesse carregado de intensas emoções. O ser humano sempre faz escolhas emocionais e logo depois se arrepende, e mesmo pede desculpas pelo que fez. Será então que devemos deliberar, julgar, pensar, optar, definir ou considerar sobre algo quando estamos imersos numa pesada comoção?

Claro que não… O mesmo ocorre com a formação de nossa visão de mundo. Devemos adaptar nossa visão de mundo após um grande sofrimento? Não… claro que não. Devemos formar a ciência sobre algo apenas quando estivermos calmos, tranquilos e sem emoções afetando nossa consciência.

Dessa forma, esse argumento de que “se você passasse por isso você pensaria diferente” não tem sentido. Nem é possível dizer que a pessoa pensaria diferente… pois talvez a pessoa nem esteja pensando direito.

(Hugo Lapa)

Tratamento espiritual de vidas passadas à distância

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