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Archive for the ‘reflexões’ Category

Como podemos ser livres?

 

COMO PODEMOS SER LIVRES?

Todos os seres buscam a liberdade, pois uma vida sem liberdade parece não ter sentido. Mas o que é ser livre? Como uma pessoa pode conquistar definitivamente sua liberdade? Nessa oportunidade vamos falar um pouco sobre livre arbítrio, prisão, programações mentais e emocionais e sobre a verdadeira liberdade a que o ser humano pode ter acesso. Vamos abordar nossas explicações em tópicos, para facilidade a assimilação do conteúdo.

Para iniciar, devemos compreender que livre arbítrio não é necessariamente sinônimo de liberdade. Muitas pessoas se esquecem disso, mas é certo que a livre escolha de alguém pode conduzi-la a uma prisão e não para uma condição de liberdade cada vez maior. Uma pessoa que pode escolher não é necessariamente uma pessoa que está livre dentro de suas escolhas. Por exemplo, uma mulher que está insatisfeita num casamento pode escolher permanecer casada, mesmo sendo infeliz com seu marido. Ela tem o poder de decisão, mas como não tem coragem de enfrentar sozinha as implicações de um divórcio, ela pode decidir permanecer num casamento que a aprisiona e sufoca. Observe nesse exemplo que a mulher tem o livre arbítrio e o exerceu, mas esse livre arbítrio a conduziu para uma prisão, que no caso dela é o cárcere de um matrimônio infeliz que a podava. Sim, uma pessoa pode escolher permanecer numa prisão, porque ela prefere essa prisão ao invés do enfrentamento do mundo externo. Nesse sentido, fica claro que uma pessoa pode usar seu livre arbítrio, mas mesmo assim pode ceder ao medo e decidir permanecer numa prisão matrimonial, psicológica, emocional, etc. Por isso dizemos que o livre arbítrio não é sinônimo de liberdade no sentido mais puro da palavra.

Fazer o que se gosta não é necessariamente ser livre. Isso é um erro muito comum, uma ilusão que precisa ser desfeita em nossa mente. Para entender isso, vamos imaginar a seguinte situação. Uma pessoa gosta de chocolate. Ela vai ao mercado e compra um chocolate para comer. Ela come a banana e fica satisfeita. Quase todas as pessoas diriam que ela exerceu sua liberdade: foi ao mercado, comprou o que gosta e consumiu, satisfazendo seu apetite e seu desejo. Nesse exemplo aparentemente encontramos delineada uma sequência de eventos que faz uma pessoa ser livre em suas escolhas. Sim, nossa sociedade se ilude acreditando que liberdade é alguém fazer o que gosta e o que quer. A maioria acredita que somos livres quando realizamos nossos sonhos, nossos ideais e vivenciamos intensamente o usufruto dos nossos desejos. No entanto, será que é mesmo assim? Vamos analisar isso… No exemplo do chocolate, uma pessoa acredita que teve a livre escolha de ir ao mercado, comprar e consumir o chocolate que ela tanto gosta. No entanto, vem a pergunta: essa pessoa algum dia escolheu gostar de chocolate? A resposta é muito clara: não. Ela simplesmente gosta de chocolate e por isso ela sempre decide consumir um chocolate. Assim, podemos questionar: essa pessoa, que já gosta de chocolate, está exercendo sua verdadeira liberdade ao comer o que já gosta? Não… pois ela nunca escolheu gostar de chocolate, assim como outra pessoa nunca escolheu não gostar de chocolate, ela simplesmente gosta, já nasceu gostando, ou adquiriu esse hábito e seu organismo passou a sentir prazer com o consumo de chocolate. Onde está, nesse caso, a livre escolha de alguém que há nasceu adorando comer chocolate?

Vejamos outro exemplo: uma pessoa pode dizer que é livre para escolher que faculdade quer cursar. Ela teve várias opções, mas escolheu uma ao invés das outras. Vamos pensar sobre isso fazendo o mesmo questionamento a respeito do gosto pelo chocolate. Essa mesma pessoa que gosta de chocolate escolheu cursar medicina. Podemos perguntar a essa pessoa porque ela escolheu cursar medicina. A pessoa responde: eu escolhi porque eu gosto de medicina e inclusive é uma área boa para se ganhar muito dinheiro. Nessa resposta observamos duas tendências que já existem a priori, ou seja, que já existe dentro da pessoa sem que esta um dia exercera seu poder de decisão, que é gostar de medicina e gostar de dinheiro. Isso significa que ela decidiu cursar medicina porque ela gosta de medicina, já existe nela a tendência ou a inclinação a um prazer relacionado às ciências médicas e biológicas. Ela gosta mais do estudo do corpo humano do que, por exemplo, do estudo do Direito, ou de Economia, ou de Psicologia, etc. Assim, mais uma vez questionamos: se ela já gosta mais do estudo do corpo humano e das ciências biológicas, ela realmente escolheu medicina, ou ela apenas está dando vazão a uma tendência ou gosto que já existe dentro dela? Precisamos refletir seriamente nesse questionamento, pois ele é a base de nossa reflexão. Se ela gostasse mais do estudo da mente e do comportamento, ela não faria medicina, faria psicologia. Ela poderia escolher medicina se gostasse mais de psicologia? Seria muito difícil, mas sim, poderia. Em que situações ela poderia escolher medicina? Sua escolha poderia estar pautada, por exemplo, no desejo de ganhar dinheiro, pois medicina é uma área que oferece melhores salários e rendimento que a Psicologia. Mas nesse caso, a pessoa está exercendo uma livre escolha, ou ela está escolhendo a medicina com base no desejo que ela já tem de ganhar dinheiro? E essa pessoa escolheu gostar de dinheiro, ou ela simplesmente já gosta? Esses exemplos nos mostram que o ser humano realiza suas escolhas com base em tendências prévias, inclinações já pré-existentes dentro dele mesmo. Se remontarmos o passado desse indivíduo não será difícil constatar que ele nunca escolheu gostar de chocolate, gostar de medicina, gostar de dinheiro… ele simplesmente gosta e não pode escolher não gostar.

O mesmo ocorre com relacionamentos. Escolhemos não sentir nenhuma afinidade com uma pessoa? Ou por outro lado, escolhemos gostar ou amar uma pessoa ao invés de outra? Escolhemos pensar e ficar lembrando e revivendo certas experiências com alguém, ou isso é algo que simplesmente acontece sem que possamos escolher? Racionalmente, pensamos de um jeito, mas nossas emoções e impulsos nos arrastam a outro caminho. Por exemplo, um homem foi traído por uma mulher. Racionalmente ele pensa: “tudo bem, ela escolheu outro, vou também encontrar outra pessoa e seguir em frente”. Mas, sinceramente, conseguimos fazer isso? Não… ficamos relembrando, remoendo, com saudades, tristeza, com raiva, nosso pensamento volta a todo momento na pessoa e nas boas e más experiências vividas. Escolhemos ficar assim? Não… Isso é nosso, está em nós, arraigado, preso, nos envolvendo e não podemos evitar. Por mais que tentemos fixar nosso pensamento em outras coisas, ele sempre retorna e iniciamos um ciclo vicioso de pensamentos e sentimentos que nos envolvem e nos tiram a paz. É como um programa que fica rodando, se repetindo, nos atormentando e que é dificílimo de soltar. Podemos escolher não sentir ou não pensar? Na maioria das vezes não… podemos apenas tentar retirar a dose de poder que damos aos pensamentos e sentimentos. Podemos escolher seguir em frente… mas os pensamentos e sentimentos podem ficar em nós por longos períodos. Escolhemos ficar assim? Não… as pessoas escolhem ceder ou não ceder a esses estados emocionais, dar maior ou menor valor a eles. Mas eles já vieram conosco… e fazem parte de certos programas mentais e emocionais que estão muito arraigados dentro de nós e que na maioria das vezes não temos quase nenhum controle. Nesse sentido, entramos numa prisão emocional que o poder consciente de nossa escolha não é suficiente para nos permitir a liberdade interior.

Podemos estender esses exemplos ad infinitum. Uma mulher gosta de tatuagens. Ela escolheu colocar as tatuagens, ou ela coloca simplesmente por que gosta? O gostar não antecede a escolha? Sim… o gosto, as tendências e as pré-disposições interiores, as quais nunca escolhemos ter, antecedem e ditam nossas escolhas. Ela faz as tatuagens porque gosta, mas nunca escolheu gostar de fazer, simplesmente gosta e ponto final. Ela poderia escolher não gostar de tatuagens? Não… ela poderia apenas escolher não fazer… mas não pode escolher gostar ou não gostar. Cada pessoa que esteja lendo estas linhas pode, nesse momento, fazer uma revisão sua vida e buscar em sua própria história os momentos em que escolheu gostar de uma ou outra coisa, despertar um ou outro desejo. Por mais que busquemos, não seremos capazes de encontrar o início, a causa, a fonte de nossos desejos, nossos impulsos, nossos anseios, simplesmente porque eles existem dentro de nós desde nosso nascimento.

Uma pessoa pode argumentar: mas eu não gostava de bebida, tomava e achava horrível, mas fui bebendo e aos poucos comecei a gostar. Primeiro de tudo… essa pessoa poderia tanto passar a gostar de bebida quanto ela poderia mesmo tomando centenas de vezes não gostar. Se ela realmente não gostasse, poderia beber por anos e mesmo assim não sentiria prazer bebendo. Em segundo lugar, por que ela começou a beber? Para melhorar seu convívio social com pessoas que bebem? Para aproveitar o efeito desinibidor da bebida a fim de se tornar menos tímida? No primeiro caso, ele escolheu forçar o prazer da bebida para melhorar seu convívio social. Isso significa que ele não tinha um bom convívio. Aqui vem a pergunta: ele decidiu não ter um bom convívio, ou isso é um limite ou programa que veio com ele? A timidez por acaso foi uma escolha? Não… ela já é tímida, nunca escolheu ser tímida. Escolher beber para se desinibir é uma escolha? Ou essa pessoa escolheu beber para tentar minimizar o efeito de um programa de timidez? Tudo isso pode parecer muito complexo e cheio de nuances, mas em essência é simples: basta compreender que em quase 100% das vezes agimos para corresponder a uma pré-disposição já existente e apenas ceder a essa pré-disposição não pode ser considerado uma escolha, mas tão somente o cumprimento de um ditame subjetivo que em nenhum momento teve nosso aval decisório consciente. Diante desses fatos, cabe a pergunta: somos mesmo livres e desimpedidos para escolher o que desejamos, ou o desejo é que nos impõe a escolha para que ele possa se satisfazer?

Esses exemplos nos mostram que os seres humanos podem não ser tão livres em suas escolhas quanto acreditam. O motivo disso é simples: o ser humano está sempre seguindo uma certa “programação” baseada em gostos, tendências e pré-disposições, que ele já possui desde o seu nascimento, que podem ser pré-disposições biológicas, genéticas, culturais, etc. Uma pessoa que come um chocolate porque gosta está seguindo uma programação baseada no gosto, ou no desejo, que já é dela, que já nasceu com ela e que ela simplesmente não controla. Ninguém decidiu gostar mais de vinho ou de cerveja. Ninguém escolheu gostar de doce ou de salgado, ninguém escolheu gostar mais de vinho ou de conhaque, ninguém escolheu gostar mais de amarelo ou azul. Simplesmente gostamos e ponto final. Claro… uma pessoa pode tentar resistir a esse desejo e não comer doces, ela pode aos poucos ir se desprogramando do desejo de comer doces, ela pode simplesmente tentar comer outras coisas para se acostumar com outros sabores. Em alguns casos, isso pode acontecer.

No entanto, por que a pessoa escolhe resistir ao desejo de comer doce? Ela pode, por exemplo, ser alguém muito preocupada com seu peso. Mas por que ela é preocupada com seu peso? Por que ela quer, por exemplo, ficar magra para atrair mais homens e encontrar um marido. Mas por que ela quer encontrar um marido? Por que o sonho dela é casar. Agora repetimos a mesma indagação: em algum momento ela decidiu ter o forte desejo de se casar, ter filhos e conviver com um bom marido? Não… esse é um desejo que sempre a acompanhou. Algumas pessoas podem argumentar: mas ela observou muitos casamentos felizes e decidiu que, para ser feliz, precisava se casar. Nesse caso, existe aqui uma programação que e cultural, e de qualquer forma, não há como negar, é uma programação que se inseriu em sua mente. Ela associou que felicidade = casamento. Ser amada = ser casada. Ela pode estar escolhendo não comer doce apenas para encontrar um marido. Nesse caso, questionamos: ela é livre em sua escolha, ou está apenas obedecendo a uma programação cultural, ou a um desejo, ou a uma tendência? Sim… em qualquer dos casos, independente de qual seja a causa, ela está apenas expressando um programa que já existe dentro dela, e que, em momento nenhum, ela escolheu ter.

O que nós escolhemos então? Quando somos livres de fato? Ao ler estas linhas, algumas pessoas podem supor que estamos pregando a inexistência completa da liberdade. Não… existe sim uma forma de liberdade, ainda que seja bem tímida, em todo esse contexto. Para compreender essa liberdade mais real, voltemos ao exemplo do doce. Uma pessoa adora doces e todos os dias sente um forte desejo de saborear um doce. No caso dessa pessoa ir ao mercado e comer um doce, não se pode falar em liberdade ou que essa pessoa é livre para decidir, pois ela está simplesmente correspondendo ao seu desejo, cumprindo o que seu desejo lhe dita, seguindo ou se deixando levar pela forte vontade, pela gana de degustar uma guloseima. Qual seria então a única forma possível de liberdade no caso do doce? Ela passará a ser mais livre quando ela sentir o desejo de saborear um doce e mesmo assim não corresponder as imposições desse desejo. Neste caso, sim… ela está iniciando ou ensaiando um rompimento com o padrão do seu desejo, uma quebra das imposições ou programações dos seus anseios e vontades e está começando a abrir uma porta para uma condição mais livre e menos aprisionada aos programas do desejo. Observe que, nesse caso, ela não faz apenas o que o seu desejo impõe, ela resiste ao impulso de comer o doce e, assim, conquista um domínio maior de si mesmo que vai proporcionar uma maior liberdade em sua vida. Isso significa que, ao contrário do que a maioria pensa, ceder aos desejos e aos impulsos da vontade que já existe em nós não pode jamais ser considerada uma forma de liberdade. Liberdade é quando escolhemos entre ceder ou não ceder ao impulso. No entanto, mesmo não cedendo ao impulso de comer doce, quase sempre continuamos presos ao desejo de comer o doce. Mas o rompimento com a concretização dos desejos já é o primeiro passo para nossa libertação. Iniciamos uma jornada rumo à uma liberdade mais pura e verdadeira.

Nem todos os programas que existem dentro de cada pessoa são conscientes. Muitos desses padrões de ação são inconscientes e nem fazemos ideia que estão presentes dentro de nós. A ideia do inconsciente como produtor de crenças, comportamentos e desejos teve seu início na psicanálise. Antes de Freud os ocidentais acreditavam piamente que eram livres na escolha de teorias, de comportamentos e de como iriam viverem suas vidas. Essa é mais uma evidência de que somos controlados por forças desconhecidas e que só podem ser entrevistas por certos sinais que aparecem em maior em menor número em nosso comportamento.

Nessa altura de nossa reflexão é importante mencionar algo interessante. Muitas pessoas tentam impor sua liberdade as outras. Muitos exemplos poderiam ser dados desse tipo de conduta. Por exemplo, o homem que gosta de ouvir música altíssima de madrugada e acorda toda a vizinhança. Nesse caso, esse homem acredita que é livre no momento em que “escolhe” ouvir música alta. No entanto, aquele que tenta sempre impor a sua liberdade aos outros pode ser tudo, menos livre… A imposição de nossos desejos demonstra da forma mais cabal possível que existe uma necessidade de imposição, uma necessidade que não pode deixar de ser expressa. Assim, o homem que precisa provar aos outros que é livre… é livre de fato? Ou será que ele está preso a necessidade de demonstrar sua ilusória liberdade? Ele impõe sua liberdade justamente porque não se sente livre. É como o político que se torna um tirano quando assume o poder. Ele sente necessidade de exercer sua tirania porque está preso a necessidade de ter poder. Ele está tão preso ao seu desejo pelo poder que não pode viver sem escravizar os outros dentro de suas necessidades. É como o marido que tenta dominar a mulher porque está dominado pelo desejo de possui-la. Ele tenta controlar porque está aprisionado a necessidade de ter essa pessoa apenas para ele. Nesse caso, o maior prisioneiro é ele mesmo. Assim, aquele que tenta provar ao outro que é livre, ou que tenta impor a sua liberdade ao outro, não é livre de verdade, mas está aprisionado na exigência de ser livre. Ninguém precisa provar para si mesmo que é livre, se ela já sente essa liberdade.

É importante também mencionar que muitas vezes exercemos nossa suposta liberdade trocando uma programação por outra. Um alcoólatra pode passar a comer muito ao invés de beber. Ele se torna livre em relação à bebida, mas acaba se prendendo em uma segunda programação para conseguir fugir da primeira. Muitas pessoas que abandonam vícios graves apresentam um aumento considerável em seu peso, pois o impulso de beber vai mudando sua forma de expressão e se tornando o impulso de comer. Isso nada mais é do que trocar uma programação mais grave e prejudicial por uma menos grave e menos prejudicial ao organismo. Muitas vezes em nossa vida fazemos o mesmo: acreditamos estar nos libertando de um programa e na verdade estamos apenas o trocando por outro, talvez um pouco menos rígido e mais flexível. Uma pessoa pode ir do fanatismo religioso para o fanatismo ateísta. Em ambos os casos há o fanatismo, ele apenas mudou a sua forma de expressão. Em ambos os casos, há programas mentais e ideias fixas envolvidas. Um homem pode trocar sua obsessão por uma mulher pela obsessão em outra mulher; pode trocar a obsessão de comer muito pela obsessão à saúde e dietas; pode trocar a desvitalização de uma depressão pela exacerbação do humor em casos de mania, onde se desenvolve uma depressão bipolar. São bem variados os casos em que trocamos um programa por outro, seja como compensação, seja como fuga.

(CONTINUA…)

(Hugo Lapa)

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Cultura da violência

 

SOMOS MESMO TÃO DIFERENTES DOS CHAMADOS “BANDIDOS”?

Precisamos parar de uma vez por todas com essa cultura da violência.

Acabei de ver agora uma postagem de pessoas defendendo que a polícia mate os assaltantes.

Isso é uma bobagem. Todas as pessoas têm direito a um julgamento. Todas têm direito a se arrependerem do que fizeram. Todas têm direito a reconstruir suas vidas.

Quem somos nós para julgar? Talvez se tivéssemos sofrido tudo o que o assaltante sofreu, também nos tornaríamos assaltantes, ou poderíamos nos tornar algo pior. Ninguém conhece a história dele, todos os seus sofrimentos, todas as suas mágoas, angústias, tudo o que o levou a ser quem é. Um dos nossos filhos, caso tivesse envolvido com drogas e viciado, poderia também praticar roubos para comprar drogas. Podemos mesmo julgar? Da mesma forma que ocorreu com ele, pode acontecer com qualquer um de nós.

Com tudo isso, não estamos dizendo que os bandidos comprovados não devem ser punidos. Sim, eles devem ser punidos dentro da lei… No entanto, vejo muitas pessoas falando que as “pessoas de bem” jamais deveriam aceitar que os “bandidos” fiquem vivos. Mas será que existe mesmo isso que se chama de “pessoas de bem”? Como saber se somos mesmo pessoas de bem? Alguns podem argumentar que não roubam e não matam e por isso, são pessoas de bem.

Vamos então analisar isso… Todos pagam exatamente o que precisam pagar de impostos? Quem sonega, está roubando… Quem recebe o troco a mais e não devolve a diferença, está roubando também… Quem compra DVDs piratas, está roubando… Quem baixa programas piratas da internet, claro, também está roubando… Quem compra produtos roubados em alguns vendedores ambulantes, sem nota fiscal, também está roubando, pois está sendo cúmplice de um roubo e dando dinheiro ao outro ladrão. Um é o ladrão ativo, que foi lá e roubou e quem compra, é o ladrão passivo, pois deu sustentação ao roubo quando comprou o objeto roubado.

Por outro lado, vejamos… Você já tentou tirar vantagem de alguém? Já puxou o tapete de um colega de trabalho? Já cometeu alguma ilegalidade? Sim… a grande maioria se encaixa em tudo isso que estamos relatando aqui. Então… pergunto mais uma vez: essas são as pessoas de bem? São pessoas honestas? Ou quem comete essas infrações, ilegalidades e burlas não é tão bandido quanto? A única diferença é que o chamado “bandido”, rouba diretamente, mas a maioria da população rouba indiretamente. Além de uns estarem de acordo com o estereótipo que se faz do ladrão, como o homem pobre da periferia que com uma arma nos tira dinheiro, celular ou relógio. Mas a maioria rouba de outras formas…

Essa hipocrisia precisa acabar. A verdade é que nos tornamos uma nação de hipócritas. Se cada um de nós for refletir profundamente, sem ilusões, sem enganações, sem romantismo barato, sem preconceitos, desnudando-nos de toda a vaidade, chegaremos a constatação clara de que não existe esse abismo entre o chamado “bandido” e homem comum ou homem de bem. O homem comum pode ser um bandido e o bandido pode depois se tornar um homem comum. Homens e mulheres tem sempre um bandido em potencial dentro de si mesmos, que pode ser ativados por qualquer tipo de circunstâncias externas que nos arrastem a cometer diferentes tipos de crimes, sejam eles ativos, passivos ou mesmo os crimes de omissão.

O que são crimes de omissão? São aqueles em que observamos uma injustiça, uma ilegalidade, ou qualquer coisa que fira nossa consciência e fechamos os olhos, lavamos as mãos, deixamos acontecer porque, afinal, “não é conosco”. Quantas vezes pudemos evitar coisas erradas que presenciamos, ou que ficamos sabendo, mas preferimos abafar tudo, por que é mais fácil e para não nos gerar problemas?

Infelizmente, a verdade é que a maioria prefere ver o mal no outro para não precisar enxergar o mal em si mesmo. Taxamos o outro de bandido sem querer admitir que, muitas vezes, também temos atitudes ilegais, reprováveis e até criminosas. As pessoas precisam compreender que, neste mundo, todos os indivíduos se encontram mais ou menos no mesmo nível. Não existe ninguém superior ou inferior. São raros os casos de pessoas que realmente se encontram acima da média comum da humanidade no sentido de evolução moral, ética e espiritual. Muito difícil encontrar um Chico Xavier, uma Irma Dulce ou outros seres um pouco mais elevados. A grande maioria está praticamente no mesmo nível e muitos de nós são tão capazes de cometer crimes quanto aqueles que chamamos preconceituosamente de “bandidos”. Acreditamos que somos homens e mulheres de bem, defendendo a família e os bons costumes, mas não somos muito diferentes daqueles que chamamos bandidos. Aliás, diga-se de passagem, que muitos daqueles que defendem a moral e os bons costumes são aqueles que mais praticam atos imorais, reprováveis e usam esse discurso como disfarce de suas imoralidades. Por exemplo, muitos homens ditos “cristãos” são os primeiros a atirar pedras e a julgar, duas coisas que Jesus disse claramente para não se fazer. Ou os supostos homens de bem que defendem a família muitas vezes são os primeiros a trair sua esposa ou rejeitar um filho gay. Defendem a família só na hora que lhes interessa, a fim de ocultar sua própria podridão interior.

Infelizmente a hipocrisia e o ódio tomou conta do nosso país. Hoje em dia muitas pessoas desejam combater o veneno da violência com mais violência. O ódio com ódio… os crimes com outros crimes, o mal com o mal. Estamos numa época de retomada do “olho por olho”. Mas como disse Gandhi, essa estória de olho por olho acabará por fazer com que todos nós fiquemos cegos. As ideologias de violência se espalham com muita facilidade, pois é mais fácil pedir medidas violentas contra o mal do que iniciar ações positivas, como o diálogo, a recuperação, a reparação, a educação, o perdão, etc.

Precisamos, nesse momento, parar de apoiar medidas violentas contra a violência e de uma vez por todas compreender que quanto mais ódio destilarmos contra o mal, mais ele vai crescer e se fortalecer. Se todos passarem a pedir mais violência no combate a violência, a violência vai aumentar… Se todos nós passarmos a odiar quem propaga o ódio… o ódio, obviamente, só vai aumentar… Vai chegar um momento em que vamos retroceder de tal forma que vamos mais uma vez nos deparar com o caos da barbárie. Por isso, precisamos agora mesmo parar com o discurso de ódio e começar a entender que todos nós estamos no mesmo barco… e quanto mais brigamos uns com os outros, mais o barco pode afundar.

(Hugo Lapa)

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Egoísmo causa a violência

 

O EGOÍSMO É A CAUSA DA VIOLÊNCIA

Nessa oportunidade eu gostaria de deixar uma reflexão aqui para todos:

Pode um povo que compra celulares roubados porque são mais baratos, para levar vantagem, reclamar desses mesmos roubos a celulares?

Precisamos pensar no seguinte: se os bandidos roubam celulares, isso significa que existe sempre alguém que compra esses celulares roubados. E claro que todos sabem que os celulares que estão comprando são roubados. E podemos afirmar, sem receio, que aquele que compra esses celulares roubados é tão responsável pelo crime quanto aquele que pratica o crime do roubo diretamente.

Agora vamos entender que o povo que compra celulares roubados é o mesmo povo que foi assaltado no passado e que pode vir a ser assaltado no futuro. Comprar celulares, relógios ou qualquer objeto roubado é alimentar mais e mais roubos. Isso é claro, óbvio e patente.

Só existe o roubo de celulares porque existem pessoas, do próprio povo, que compram esses celulares. Se uma pessoa do povo se deparasse com a venda de celulares roubados e se recusasse a compra-los, não haveria mais nenhum roubo. Não haveria mais roubo porque simplesmente nenhum bandido iria conseguir lucrar com os roubos. O próprio povo podia, a qualquer momento, acabar com os roubos. Bastava a simples recusa de comprar celulares roubados. O mesmo ocorre com a venda de drogas. Todos já sabem todos os males que o tráfico causa numa sociedade. Aquele que começa a consumir as drogas sabe que é e será a causa de toda a violência que virá em consequência.

E não apenas com roubos e tráfico, mas esse princípio ocorre com quase tudo na vida humana. Quando uma pessoa resolve levar uma vantagem indevida em algo, há sempre alguém que automaticamente está levando uma desvantagem. Não só alguém está levando desvantagem como também aquele que levou vantagem está abrindo caminho para que outras pessoas levem desvantagens futuras, inclusive ele mesmo. Qualquer ato de vantagem indevida se reflete no todo e cria uma desarmonia em todo o sistema, que futuramente vai se refletir negativamente em nós e em todos. Quem quiser entender melhor esse ponto pode ver o texto “Individualismo e Coletivismo” no blog de Hugo Lapa.

Por isso dissemos que os crimes urbanos não são ações aleatórias, eles são alimentados diretamente pela nossa ganância. Aquela pessoa que compra o celular roubado mais barato pensando que está levando vantagem e economizando, na verdade está contribuindo para que mais e mais celulares sejam roubados, mais e mais bandidos tenham lucro, mais e mais roubos ocorram, mais vítimas de violência sejam criadas, e assim mais assassinatos, mais caos e, consequentemente, mais sofrimento seja gerado em nossa sociedade. Como vemos, é a ganância que alimenta a violência; é o “jeitinho brasileiro” de querer levar vantagem em tudo; é nosso egoísmo em pensar apenas em nossa necessidade imediata e ignorar que fazemos parte de um todo. As pessoas estão tão voltadas para si mesmas, tão egoístas, que sequer desconfiam que são parte de um todo e que todas as nossas ações individuais, como a compra de celulares roubados, influencia no coletivo, gerando violência, caos e sofrimento em todos. Não podemos esquecer que o mal que projetamos no todo é absorvido pelo todo e depois volta para nós em nossa vida individual.

Então, eu repito a pergunta inicial: pode um povo que compra celulares roubados por serem mais baratos reclamar da violência urbana? Esse é apenas um exemplo de como nosso egoísmo, nossa ganância, nossa arrogância e nosso instinto de levar vantagem gera os males que nós mesmos vivemos na sociedade. Semeamos o egoísmo e colhemos sofrimento.

A violência não está apenas no coração dos bandidos. A violência começa, com efeito, em nosso próprio egoísmo.

(Hugo Lapa)

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A RIQUEZA E A POBREZA SÃO INSEPARÁVEIS

É certo que o universo é abundante. Deus nos provê com todos os recursos necessários a nossa subsistência. Mas os seres humanos criaram a propriedade privada e estabeleceram um sistema financeiro onde devem existir ricos e pobres. A grande armadilha desse sistema é que ele nunca pode funcionar adequadamente, pois sempre haverá exclusões e sobreposições de uns sobre outros.

Isso significa que ao falarmos de riqueza no sentido financeiro, estamos determinando que exista uma divisão… e essa divisão cria sempre a pobreza. Como disse Gandhi: “Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns.”

Vamos explicar isso melhor, para que não paire dúvidas sobre o que estamos dizendo. O princípio básico que todos devem conhecer sobre a segregação social, as divisões de classe, as castas e qualquer forma de acumulação de riquezas é o seguinte:

“A riqueza e a pobreza são inseparáveis. Sempre que existe um, o outro deve necessariamente existir.”

Isso é fato e não poderia ser de outro modo. Quando falamos que existe a riqueza, é necessário, em termos de comparação, que exista a pobreza. O mesmo se diz a respeito de todo e qualquer contrário de nossa vida: para existir o alto, é preciso existir o baixo; para existir a escuridão, é preciso existir a luz, para existir o bonito, é preciso que ele seja comparado com o feio para só então o belo poder ser identificado. Lao Tsé afirmou isso poeticamente:

“Só temos consciência do belo, 
Quando conhecemos o feio. 
Só temos consciência do bom, 
Quando conhecemos o mau. 
Porquanto, o Ser e o Existir, 
Se engendram mutuamente. 
O fácil e o difícil se completam. 
O grande e o pequeno são complementares. (…)
O sábio tudo realiza – e nada considera seu. 
Tudo faz – e não se apega à sua obra. 
Não se prende aos frutos da sua atividade.”

Assim, questionamos: é possível que existam ricos sem pobres? A razão e a lógica nos mostram que não. Sempre que há ricos, há pobres trabalhando para esses ricos. Sempre que existe um rei, é necessário todo um conjunto de servos, de guardas, de trabalhadores empenhados em manter esse rei possuindo um status e uma condição material de rei. Para haver um monarca, é necessário haver súditos. Da mesma forma, para existirem ricos, é necessário existirem pobres que sustentem esses ricos. Alguém consegue imaginar um rico vivendo na riqueza sem que alguém trabalhe para que ele continue rico? Não… Um rico, para ser rico, precisa de uma certa quantidade de pessoas que trabalhem para sustentar sua alta qualidade de vida. Supondo que exista um homem muito rico, com tesouros magníficos, vivendo sozinho numa ilha… sem ninguém por perto. Mesmo sendo portador de riquezas fabulosas, como ele poderia gastar esse dinheiro sem ninguém próximo para reconhecer o valor de suas posses, de seu ouro e aceitar trabalhar para ele?

Vamos dar um exemplo para que esse princípio fique mais claro. Imaginemos um rico que compra um celular caríssimo. A princípio, não há absolutamente nada de errado nisso. Ele está apenas comprando um celular. No entanto, todos devem saber que para este celular existir fez-se necessário o emprego de uma extensa e acentuada mão de obra, de dezenas ou mesmo centenas de trabalhadores. Aqui podemos perguntar: esses trabalhadores são ricos ou pobres? Alguém consegue imaginar um trabalhador que produz celulares sendo rico? Ou o rico é aquele que compra o celular ou que possui a fábrica que produz os celulares? Claro que o rico não vai trabalhar com, por exemplo, a extração de cobalto (minério necessário para a fabricação de celulares). Muitos daqueles que realizam esse trabalho são pobres e vivem em condições subumanas de vida. Muitos moram em favelas, sem saneamento básico, sem hospitais, sem educação de qualidade e mal tem dinheiro para se alimentarem. Muitos não têm direito e nem condições mínimas de vida. Alguns destes podem ser crianças, que trabalham em países africanos com extração de minério, como revelou recentemente a Anistia Internacional sobre o mercado de smartphones onde as corporações utilizam trabalho infantil de crianças com até sete anos de idade na exploração de cobalto.

Este pode ser também um trabalho análogo à escravidão, como aquele encontrado na fabricação de roupas de grandes redes de lojas brasileiras, onde o trabalho escravo já foi identificado várias vezes na produção das vestimentas baratas que sempre consumismos. O preço de mercado destas roupas é baixo porque a mão de obra é paga com salários igualmente baixos. Um levantamento realizado pela ONG Repórter Brasil traz uma lista de marcas de roupas que foram flagradas explorando trabalho escravo. Claro que muitas vezes o trabalho de produção não se encontra em condições tão degradantes, mas é certo que quase sempre a produção dos artigos de luxo que os ricos compram está de alguma forma relacionado com mão de obra de pessoas pobres, que vivem em condições indignas. Assim, é certo que a pobreza sempre deve sustentar a riqueza, para que esta possa continuar existindo. Um rico não pode ser rico sem que exista um ou mais pobres para sustenta-lo. Riqueza e pobreza existem de forma inseparável, de modo que onde existir um rico não pode faltar um ou mais pobres para que o rico possa ser rico ou continuar sendo rico.

Algumas pessoas afirmam que o ideal seria um mundo onde todos fossem ricos e não houvesse nenhum pobre. Mas é possível mesmo todos serem ricos? A lógica nos demonstra que não. Imagine uma cidade onde todas as pessoas fossem ricas… todas possuíssem todos os artigos de luxo, boa comida, tudo do bom e do melhor… Todas essas pessoas tem exatamente a mesma quantidade de riqueza. Com o dinheiro que elas têm guardado, elas podem comprar qualquer coisa. Tudo o que essa cidade precisa ela compra de fora. Imaginemos agora que essa cidade passou a viver isolada de tudo e não mantém mais comunicação com o mundo exterior, não podendo mais comprar nada de fora. Uma moça rica quer comprar a melhor comida vinda de fora, mas ela não pode mais adquirir sua comida por conta do isolamento. O que ela deve fazer? Ela pensa então em comprar a comida na própria cidade. No entanto, se todos são ricos nessa região, quem vai querer cozinhar para ela? Quem vai querer se submeter a um trabalho “menor” e plantar as hortaliças e as frutas na própria cidade? Quem vai cultivar a terra? Quem vai se sujar na lama? Todos os ricos da cidade estão acostumados a serem servidos e não a servir… se eles são ricos, não aceitam produzir seu próprio alimento, eles aceitam apenas que outros produzam para que eles possam comer bem.

A moça rica então resolve contratar alguém da cidade para cozinhar para ela, mas se todos são ricos e se todos tem exatamente a mesma riqueza, quem cozinhará para quem? Quem trabalhará para quem? A senhora rica conversa com outra senhora rica e pergunta se ela gostaria de cozinhar para ela em troca de dinheiro, mas como a outra senhora também é rica, ela não precisa do dinheiro, pois já tem grande fortuna. Por isso, ela não aceita cozinhar para ninguém e diz que também está procurando alguém que cozinhe para ela. Todavia, como a cidade ficou isolada e todos são ricos, é impossível encontrar alguém que cozinhe para o outro, ou para todos por dinheiro, posto que todos já são ricos, ninguém precisa de dinheiro e ninguém irá se submeter a servir e sim apenas a serem servidos. Dessa forma, as moças ricas chegam a conclusão de que, como ninguém aceita cozinhar, por serem todos ricos, elas precisam ou começar a cozinhar por si mesmas ou trazer cozinheiras de outro lugar para que possam ir a cidade para cozinhar a elas. E essas mulheres não podem ser ricas… elas precisam ser pobres e precisarem do dinheiro. Os homens ricos dessa cidade precisam de motoristas, precisam de empregados que façam certos trabalhos, precisam de secretárias, mas como não existem mais pobres nessa cidade, esses homens precisam começar a dirigir sem motoristas, atender seus telefones e anotar tudo sem secretárias, e realizar outras tarefas que antes não era feita por eles. Observe que o luxo que eles tinham começa a diminuir, posto que não há mais quem trabalhe para eles, já que todos são igualmente ricos e cada um precisa resolver suas própríras atividades, sem recorrer aos pobres.

Assim, essa explicação esclarece duas coisas: a primeira é que os ricos, para serem ricos, precisam encontrar pobres para trabalhem para eles. A riqueza precisa que exista a pobreza para que a riqueza continue sendo a riqueza. A segunda é que não é possível todos serem ricos, pois se todos fossem ricos, ninguém será mais rico, mas todos serão iguais, todas as pessoas passariam a estar no mesmo nível. Ou seja, se todos fossem ricos, a riqueza simplesmente deixaria de existir. Destas considerações podemos concluir que a riqueza é dependente da pobreza para que continue sendo riqueza. Se em um lugar não existem pobres, também não existem ricos. Quanto mais o número de pobres diminuir, mais o número de ricos também vai diminuir.

Essa é a triste verdade que a maioria das pessoas deseja negar. Muitos querem fechar os olhos para essa realidade, a fim de que seu sentimento de culpa possa ser diminuído. Mas o fato é que o rico, para ser rico, precisa necessariamente explorar outra pessoa, precisa aproveitar-se do trabalho alheio, precisa valer-se de mão de obra barata para manter seu padrão de vida. Assim, a riqueza só existe às custas do trabalho árduo da pobreza, não há como ser de outro modo. Podemos criar inúmeras desculpas para negar este fato, mas nenhum argumento do mundo pode contraditar a realidade de que a riqueza e a pobreza são inseparáveis e uma não existe sem a outra.

Algumas pessoas podem argumentar que existem países ricos, onde todos têm uma boa condição de vida. Para esta afirmação é possível nos remeter ao exemplo da cidade onde todos são ricos. Por que os países ricos são ricos e continuam sendo ricos? Porque em algum momento eles usam a mão de obra barata de outros países para manterem sua riqueza. Aqui cabe o mesmo princípio: para que possam existir países ricos é necessário que existam países pobres. Se todos os países fossem ricos, quais habitantes dos países ricos trabalhariam pelas melhores condições dos habitantes de outros países ricos? Se todos são ricos, ninguém aceitaria se submeter a prestar serviços uns para os outros… todos desejariam receber os serviços de luxo ao invés de oferece-los. Assim, a riqueza de um país anularia a riqueza do outro país e todos passariam a ser iguais. Mas quando existem 160 países pobres e 40 países ricos… os 160 pobres oferecem seu trabalho para que os ricos paguem barato por essa mão de obra. Assim, eles continuam sendo ricos e os pobres continuam sendo pobres. Quanto mais os ricos são ricos, mais os pobres são pobres.

Com essa reflexão, não estamos propondo nenhuma alternativa ao nosso modo de produção. Não somos nem comunistas nem capitalistas. O comunismo não deu certo em nenhum lugar do mundo e tampouco o capitalismo deu certo. Não somos a favor nem de um nem de outro. Claro, é possível dizer que o capitalismo deu certo para os ricos, mas para a maior parte da população, o capitalismo vem dando errado dia após dia. No momento em que uma mãe não pode levar um filho doente em um hospital por não ter dinheiro, observamos claramente o quanto o capitalismo está dando errado para a maioria das pessoas no mundo.

Mas então qual seria o melhor modelo de produção? Qual seria o sistema mais próximo de uma vida de prosperidade para todos? Não há outra forma ou modelo social capaz de dar boas condições a todos os habitantes do planeta Terra senão aquele baseado na extinção completa do egoísmo humano e de qualquer sentimento de posse. O modelo ideal seria cada pessoa trabalhar pelo coletivo e não apenas pelo individual; o melhor seria a parte trabalhar para o todo… e não o todo para a parte, como ocorre no mundo de hoje. Seria trocar a competição pela cooperação.

Por exemplo, uma pessoa produz comida… e esse é seu trabalho. Essa pessoa deveria produzir comida para todos. Qualquer pessoa que precise de comida pode ir até ela e pegar a comida. Uma pessoa cria cavalos. Qualquer pessoa pode ir ao local e pegar um cavalo. Essa pessoa que cria cavalos pode igualmente ir ao cozinheiro e pegar sua comida. Outra pessoa pode fabricar bicicletas e permitir que todos peguem suas bicicletas. Todos os que precisam de uma bicicleta simplesmente vão ao local de fabricação e pegam a bicicleta que precisam. A cadeia de produção da sociedade poderia ser toda intercalada dentro de um conjunto, onde todos trabalham pelo bem de todos. O individual trabalha sempre pelo coletivo e o coletivo trabalha pelo bem do individual.

Muitos podem acreditar que isso nada mais é do que uma utopia e nunca irá se concretizar. Sim, de fato, enquanto os seres humanos ainda insistirem na terrível chaga do egoísmo, sempre existirão ricos e pobres, sempre haverá homens que exploram outros homens, sempre haverá crianças trabalhando por um prato de comida, sempre haverá trabalhadores sofrendo por realizarem uma mão de obra análoga à escravidão… e isso nunca terá fim. O sofrimento será sempre presente na humanidade, assim como a violência, o estupro, os assassinatos, a tristeza, a depressão, a angústia, e todos os males possíveis que invadem nossa alma e deixam um profundo vazio dentro de nós.

(Hugo Lapa)

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Querer ser forte o tempo todo

 

 

QUERER SER FORTE O TEMPO TODO

Quanto mais uma pessoa faz de tudo para ser forte ou parecer forte diante dos outros… mais esse empenho faz ela ficar fraca.

Aqueles que desejam ser felizes precisam entender essa verdade. Ninguém deve ficar tentando ser forte o tempo todo. Muitas vezes nossa força está justamente na admissão de nossa fraqueza, na consciência de nossa fragilidade, no reconhecimento dos nossos limites.

A sociedade atual nos exige cada vez mais que sejamos fortes, primorosos, aplicados, infalíveis e obstinados na luta da vida. “Você precisa ser forte pelo seu filho”; “Você precisa ser forte para manter seu casamento”; “Você precisa ser forte para continuar ganhando dinheiro”; “Você precisa ser forte para poder vencer na vida”, etc, etc. Quantas vezes já não ouvimos isso? Mas a pergunta é: precisamos mesmo ser fortes o tempo todo? Será que todas essas exigências impostas e autoimpostas não minam nosso psicológico e drenam justamente nosso vigor, nosso ânimo e nossa eficácia na vida? Será que nossa força não vem justamente da consciência de nossa fraqueza?

De que adianta ficar tentando ser forte quando na verdade estamos completamente enfraquecidos? Será que essa luta pela potência total não nos enfraquece ainda mais? Será que o esforço imenso que fazemos em ser sempre estáveis e sólidos não nos tira justamente a energia que precisamos para poder seguir em frente? Claro que ninguém deve desistir e viver prostrado pela ideia do enfraquecimento mental. No entanto, fazer força o tempo todo para não demonstrar fraqueza é uma atitude que nos desgasta, nos esgota, nos torna ainda mais vulneráveis aos problemas que enfrentamos.

Qual o grande mal de demonstrar nossa fraqueza para os outros? Será que os outros precisam acreditar que somos fortes para que nós também possamos acreditar nisso? Para que ficar demonstrando uma imagem de firmeza plena quando dentro de nós estamos completamente destruídos e desgastados? Já vi muitos casos de pessoas que não gostam de chorar. Quando se pergunta para essas pessoas o motivo delas não gostarem de chorar, na maioria das vezes elas admitem que, em sua crença, o choro é inevitavelmente um sinal de fraqueza. Elas evitam o choro para que assim não deem nenhuma demonstração de debilidade e desânimo diante de si mesmas e dos outros.

Mas será que o choro nos enfraquece mesmo? Ou será que é justamente essa prisão das emoções dentro de nós, esse represamento sentimental que cria uma bomba interna prestes a explodir? Muito pelo contrário… o pranto ajuda a descarregar as emoções. Quantas vezes após um longo pranto nos sentimos aliviados e suavizados em nossas emoções, como se um peso tivesse saído de dentro de nós? O choro é uma descarga… e essa descarga nos ajuda a tirar uma enorme peso emocional que podemos estar carregando. Esse fardo, sendo aliviado, nos ajuda a seguir em frente com mais tranquilidade. É como um descanso na sombra com água fresca após uma estafante maratona. A pessoa que quer se fazer de forte o tempo todo e não dá alívio para suas emoções é como aquele homem que fica carregando um peso imenso nas costas… sendo que esse peso não é necessário dentro da estrada que ele precisa percorrer. Mas se ele soltar esse peso ele poderá transmitir a impressão de que é fraco… e não aguenta carregar tudo.

A verdade é que a força que fazemos para ser ou parecer fortes nos enfraquece mais e mais; a imagem que projetamos para não mostrar nossa vulnerabilidade nos deixa ainda mais vulneráveis; a luta que ingressamos para não deixar visíveis as nossas feridas interiores pode nos ferir ainda mais. É mesmo tão importante assim mostrar essa fortaleza toda para os outros e para nós mesmos? Sim… ser “forte” o tempo todo acaba nos deixa muito muito cansados, desgastados, fragilizados, desanimados e infelizes. A ânsia por demonstrar força para resolver um problema nos torna ainda menos aptos a soluciona-lo. Pode acontecer também de alguém tentar demonstrar força justamente porque sente uma considerável fraqueza dentro de si mesma. A demonstração de força seria uma forma de ocultar o definhamento de sua vitalidade. Assim, ela pensa que precisa demonstrar algo justamente porque sente que não possui esse algo.

Tão importante quando seguir em frente numa longa estrada é também parar um pouco para descansar e recobrar nossas energias. É certo que o repouso é fundamental, tanto quanto o movimento que fazemos para continuar nossa jornada. O descanso emocional é, para muitas pessoas, a libertação definitiva dessa crença de excelência, de eficiência total, de poder total, de habilidade total e da necessidade de luta constante por algo. Aquele que vive tenso e preocupado em ser forte não descansa, não relaxa e está permanentemente se cobrando ser mais e mais forte.

A verdade é que a própria cobrança em ser forte cria uma luta perene… E nessa eterna luta interna o perdedor não é outro senão nós mesmos.

Vamos refletir sobre isso…

(Hugo Lapa)

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Hipocrisia do natal

 

VAMOS FALAR DA HIPOCRISIA DO NATAL?

Amigos, o natal está chegando… Penso que nesse momento todos devem refletir sobre um comportamento muitíssimo comum para os cristãos. Esse comportamento se chama hipocrisia.

Precisamos urgentemente refletir sobre isso e pararmos de ser hipócritas quando chega o natal. A maioria das pessoas do mundo se dizem cristãos. Isso significa que elas seguem o Cristo, o ideal de fraternidade, paz e amor que encontramos na figura, na vida e nos ensinamentos de Jesus.

Quantos cristãos existem nos dias de hoje que se fingem de bonzinhos no natal, mas que o ano inteiro foram intolerantes, julgaram seus irmãos, maltrataram e não são capazes de perdoar. Jesus disse: perdoa 70 x 7 vezes… mas muitos supostos cristãos não fazem nem sequer um esforço para perdoar aqueles que nos fizeram mal. Quantos cristãos hoje em dia vivem mergulhados dentro do ódio político? Quantos ditos cristãos destilam seu ódio contra partidos e pessoas? Quantos cristãos julgam outras pessoas? Quantos cristãos pregam o amor, mas fecham os olhos diante das injustiças? Quantos cristãos seguem Jesus, mas ignoram seus ensinamentos sobre o desapego material e procuram acumular mais e mais dinheiro e tesouros sobre a terra? “Não acumuleis tesouros sobre a terra, mas acumuleis tesouros no céu” disse Jesus. Quantos vivem na simplicidade pregada por Jesus?

Quantos líderes religiosos cristãos recebem imensas doações em dinheiro… enganam seus fiéis… entram na política para fazer negociatas com dinheiro do povo… vivem pedindo doações em dinheiro e ficam extorquindo pessoas pobres. E quantos desses fiéis assistem tudo isso acontecer, mas nada fazem, são omissos e permitem que esses líderes religiosos cristãos continuem sugando a população. A omissão também nos torna cúmplices dos malfeitos desses supostos líderes e nossa consciência depois nos cobrará esse preço.

Quantos presidentes se dizem cristãos, em países cristãos e fazem guerras contra outros povos? Muitos… A maioria dos presidentes americanos eram cristãos e no entanto fizeram guerras e mais guerras contra outros povos, por uma causa apenas… dinheiro e poder. E o povo, que também se diz cristão, assiste a tudo de camarote, na telinha de sua TV, sem fazer nada, permitindo que seu governo destrua outros países, mate homens, mulheres e crianças, crie a fome, a desnutrição infantil e outros males.

Esse povo dito “cristão” não vê problema com essas guerras, desde que esse mesmo povo muito “cristão” esteja suprido de bens materiais, dinheiro e conforto que é roubado cruelmente desses outros países. Referi-me ao governo americano, mas a maioria dos países cuja maioria é cristã faz a mesma coisa e o povo, em boa parte, é omisso, não se posiciona e permite que seu governo crie divisões de ricos e pobres, faça guerras, estimule injustiças, crie a fome, a miséria, o caos social… e poucos são aqueles que se movimentam pelo fim dessas injustiças.

O que fizemos de bom antes do natal e depois do natal? Adianta alguma coisa nos dizermos cristãos se não praticamos nada ou quase nada dos ensinamentos do Cristo? Vivemos apenas uma mentira… preferimos viver na mentira e não ligamos para isso? Por que não praticar os ensinamentos cristãos, que são a base, o fundamento do próprio cristianismo? Por que insistimos em viver na hipocrisia, nos dizendo cristãos e fazendo o oposto do que o Cristo ensinou? Vamos refletir sobre isso?

(Hugo Lapa)

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Orientar os filhos

 

ORIENTAR OS FILHOS, NÃO MANDAR NELES
 
Você sabia que, do ponto de vista espiritual, não deve mandar no seu filho, dizer-lhe o certo e o errado, impor verdades a ele, nem preserva-lo das intempéries da vida?
 
O comportamento mais aconselhável dos pais é apenas orientar, propor, sugerir, ensinar, educar, mostrar o caminho e suas possíveis consequências… Esse é o máximo que você, como pai ou mãe, pode fazer pelos seus filhos. Quando as crianças são pequenas, é preciso sim impor limites, mas quando crescem, eles devem decidir sozinhos sua vida.
 
Não pode tomar posse do seu filho, nem desejar que ele siga seus passos, nem querer que ele seja isso ou aquilo, nem fazer dele sua imagem e semelhança, nem obriga-lo a seguir um caminho que você acredita ser o melhor para ele. O que acreditamos ser o melhor para o outro quase nunca é.
 
Você também não deve jamais dar tudo o que ele pede… não deve mima-lo, não deve fazer todas as vontades dele, não deve retira-lo da provação, não deve construir verdades imutáveis, não deve deixa-lo sem responsabilidades… Você deve sempre colocar alguma responsabilidade ou tarefa para que ele sinta que pertence a um coletivo e não apenas ao individual. Ele deve sentir que pertence ao todo e deve respeitar esse todo… e não que ele é o todo ou a parte mais importante do todo.
 
Todo pai e toda mãe deve ensinar seu filhos os valores mais fundamentais, como a justiça, o amor, a fraternidade, o respeito, a compaixão e o desapego. É importante mostra-lo que o mundo não gira ao redor dele, que existem outras pessoas no mundo e que todas devem ser respeitadas. É importante dar-lhe a noção de consequência de seus atos… ensinar-lhe a causa e o efeito… Mostrar a ele que um comportamento sempre irá produzir um resultado, que se ele colocar a mão na tomada, por exemplo, vai levar choque.
 
Pais e mães precisam entender, de uma vez por todas, que não podem proteger os filhos das adversidades da vida. Os filhos precisam viver as provações, para que assim possam se desenvolver. Crianças e jovens que foram sempre preservados de tudo crescem e se tornam adultos dependentes, egoístas, amargos, vazios e infelizes.
 
Quanto mais tentamos proteger os filhos de tudo, mais desprotegidos eles ficam. Quanto mais fazemos as coisas para eles… menos eles aprendem a fazer por si mesmos. Quanto mais os retiramos das dificuldades… mais difícil será para eles passarem por essas mesmas dificuldades no futuro. Quanto mais os ajudamos, mais podemos os estar atrapalhando e impedindo seu próprio desenvolvimento. Quanto mais os preservamos de tudo, mais vulneráveis eles vão ficar. Quanto mais damos as coisas a eles sem esforço… menos eles vão aprender a conquistar por si mesmos. Você pode acreditar que fazendo por eles os está ajudando… mas pode os estar prejudicando imensamente.
 
Os pais que amam de verdade seus filhos permitem que eles vivam o que precisam viver… vivam aquilo que eles escolheram viver. Todo pai e mãe deve saber que cria seus filhos para o mundo, que os filhos não são seus e que um dia, inevitavelmente, eles vão embora, fazer suas vidas. Há muitos pais que caem em depressão quando os filhos saem de casa… É preciso estar imune a essa dependência emocional, esse apoio psicológico que se faz nos filhos. Filho não pode ser muleta emocional de ninguém, nem pode se tornar a nossa vida. Aqueles que não conseguem viver sem os filhos já estão mortos e nem sabem.
 
Assim, os pais podem aconselha-los, mas jamais impedir que eles sigam um caminho que desejam seguir. Não podem modificar seu karma, nem suas escolhas, nem molda-lo a um comportamento e a um modo de ser que não seja o seu. É preciso respeitar a individualidade de cada ser, mesmo aqueles que chamamos de filhos.
 
Entenda que a missão dos pais é apenas orientar… e não forçar a coisa alguma. Não se deve preservar os filhos nem dar-lhes todo o conforto. Como já dissemos em outras ocasiões, o ser humano aprende mais nas provações do que no conforto; aprende e se desenvolve mais na insegurança do que na segurança; aprende mais na queda do que na estabilidade; aprenda mais na perda do que se tudo ganhar, e claro… aprende muito mais caminhando sozinho.

(Hugo Lapa)

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