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Archive for the ‘TVP’ Category

O que é Demônio?

O demônio é encarado como um ser divino, um daimon entre os gregos e daemon em latim, cuja função é a mediação entre o céu e a terra. Sócrates relatava ouvir a voz do seu daimon: “Desde que eu era criança, uma voz impediu-me de fazer coisas. Contudo, Ela nunca me induziu a fazer nada”. Assim como Joana Dárc e milhões de pessoas em várias épocas, Sócrates também ouvia uma voz, que lhe transmitia informações e, por vezes, o impedia de fazer coisas.

Platão e Xenofontes, os compiladores do discurso de Sócrates, se referiram a essa voz como sendo um demônio, um daimon em grego. Porém, na época, a palavra demônio não tinha a conotação que posteriormente lhe foi atribuída, como um ser devotado naturalmente ao mal dos outros e da humanidade. Com o passar do tempo, o termo demônio foi associado a uma classe de divindades inferiores. Platão acreditava que os daimon eram criados pelo Demiurgo. Plotino diz que demônios são como “imagens de Deus”. Dizia que as divindades superiores, de primeira classe, viriam primeiro, e logo após elas, em caráter descendente na hierarquia, viriam os demônios. Plutarco admite que os demônios são como emanações da divindade suprema, em ordem muito inferior a outras deidades.(Abbagnano, Dicionário de Filosofia).

Já o Cristianismo pós-concílios adquiriu uma maneira muito própria de se referir aos demônios onde estabelece uma diferença substancial e maniqueísta em relação ao significado do termo na antiguidade. Chama anjos os seres bons devotados unicamente ao bem e criados por Deus e a demônios seriam anjos caídos que foram expulsos do terceiro céu (Apocalipse 12:7-9) e após a queda vêm a se opor a Deus, sendo devotados unicamente ao mal.

O termo demônio na TVP foi utilizado por Francesca Rossetti em seu livro Psicorregressão. Longe de representar a noção de forças naturais aplicadas eternamente ao mal, o conceito de demônio parece indicar a existência de seres que perderam há muito tempo sua autonomia de energia. Os demônios ficam permanentemente atraídos pela vibração de defeitos humanos e pelo campo magnético ou psicoesfera de locais obscuros. Vivem da extração de energia de pessoas e locais e tentam preservar seu corpo astral para que não seja dissolvido. Diz Rossetti que “eles são fortemente atraídos por fraquezas correspondentes nos seres humanos, pois isso lhes dá mais energia vital, que lhes permite perpetuar sua existência.”

Rossetti continua dizendo que “Essas criaturas são manifestações da energia que se separou da fonte de toda a vida, gerando o seu próprio caminho involutivo de autodestruição. Não são ‘felizes’ no sentido no sentido que damos a essa palavra, mas sua atração pelo caminho da autodestruição é significativa para elas, pois é a ideia que têm de criatividade. É inútil sentir pena, pois elas se alimentariam da nossa pena. A compaixão sem apego é a atitude mais segura a tomar”.

Rossetti acrescenta que espíritos, demônios e elementais podem se atrair pelas nossas fraquezas, pelo vício de substâncias e por vários outros defeitos e energias negativas. Inclusive, para Rossetti, muitas pessoas que se envolveram conscientemente com influencias psíquicas negativas em vidas passadas podem hoje ser alvo dessas entidades de baixíssima vibração.

O mecanismo de atuação dos demônios é explicado por Rossetti: “Às vezes, os demônios retiram energia de vários órgãos do corpo e habitam essas mesmas regiões; às vezes vivem na aura ou em volta do campo de energia que envolve o corpo físico.  Os demônios geralmente são mais ‘sólidos’, em sua realidade, do que a entidade ou espírito. (…) Acrescenta ainda que alguns demônios se parecem com “pedaços sujos de energia negativa”, sendo este tipo menos individualizado. Rossetti dá em seu livro várias explicações de como se pode tratar essas entidades negativas.

Por outro lado, temos Edith Fiore, em seu livro Possessão Espiritual, que confessa nunca ter encontrado nenhum caso de possessão demoníaca em seus atendimentos. Talvez os ditos demônios sejam tão somente uma questão de interpretação baseado em nossas crenças. Porém, podemos reconhecer um demônio como uma entidade extremamente negativa e sugadora de energias, que conserva seu corpo astral por muito tempo, talvez séculos.

 

(HUGO LAPA)

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Regressão Espontânea

Trata-se de regressão não provocada e natural, onde a pessoa pode ver e sentir, através de imagens, sensações, emoções, percepções, visões e impressões diversas uma outra vida. Ocorre como um flash-back, uma visão e conjunto de sensações súbitas, repentinas, que brotam sem motivo aparente e toda uma vida ou parte dela se descortina diante de nossa consciência. A regressão espontânea pode ser provocada por uma série de fatores como:

1 ) Visita a um lugar antigo, como museus, templos, cidades, ruínas, catedrais, etc.

2 ) Entrar em contato e (re)conhecer uma pessoa que já convivemos no passado.

3 ) Uma situação qualquer que ative, por associação, uma experiência de vida passada.

4 ) A leitura de um livro que aborde sobre um local, cultura ou qualquer contexto a qual pertencemos numa vida passada.

5 ) Assistir a um filme de época ou algo que nos recorde o período histórico que vivemos.

6 ) Através dos sonhos podemos ter revelações espontâneas de vidas passadas.

7 ) Contato com Mestres, espíritos de luz ou guias espirituais que espontaneamente nos revelam uma ou várias vidas passadas.

8 ) Práticas psicoespirituais, exercícios psíquicos, vivências, meditações, práticas de visualização criativa sem a intenção de trazer à tona resíduos de memórias.

As regressões espontâneas ocorrem geralmente ativadas por situações similares que vivemos na vida que vem à tona. Por exemplo, uma pessoa fica noite inteira na cama, rolando, sem conseguir dormir. Após a sensação de ficar tanto tempo na cama, abruptamente lhe vem uma visão de que era outra pessoa em outra época. Estava de cama durante muito tempo, talvez anos e um padre a acompanhava. Ela tinha alguma doença e estava incapaz de se mover. Nesse caso, a regressão espontânea foi ativada, provavelmente, pelo tempo que ela ficou rolando na cama na noite passada. Por similaridade, o período noturno de insônia evocou as reminiscências do mesmo período dessa vida em que ela permaneceu na cama com o padre doente sem poder se mover. Dessa forma, a experiência atual, por semelhança e analogia, trouxe a sua consciência uma experiência similar do passado.

 

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O que é Espírito?

Trata-se de um termo de grande amplitude de significado, sendo usado de formas diferentes por grupos de pensadores diferentes. Na TVP, a palavra espírito é comumente usada para definir o princípio inteligente individualizado, sendo sinônimo de “alma” ou centelha divina, a individualização do universal. Em seu sentido original, na maioria das linguas antigas, como o sânscrito (atman), o Hebraico (ru´ah) e o grego (pneuma), a palavra tem um sentido de “sopro”, sopro vital. Mas também agrega em seu significado original termos como vitalidade, ar, atmosfera, vida, exalação, dentre outros correlatos. A partir deste significado, todos os outros foram derivados. Significa basicamente “aquilo que vivifica”.

Para facilitar a apreensão correta do sentido, vamos distinguir os significados mais comuns do termo:

1) Na Filosofia Moderna: o termo toma uma acepção distinta, abarcando o sentido de alma racional ou intelecto, ou seja, tudo o que diga respeito a racionalidade humana no seu apogeu e pureza. É também usado, muitas vezes, em oposição à “letra”. “A letra mata, mas o espírito vivifica” (Coríntios, 3:6). Ou seja, o termo toma o significado de algo que visa demonstrar a essência de um ensinamento. Por exemplo, “O Espírito das Leis” de Montesquieu.

2) Nas crenças: espírito é um ser sobrenatural, incorpóreo, etéreo, bom ou mau, tal como descrito nas teologias e nos mitos, como por exemplos, anjos, demônios etc.

3) Nas tradições: é um ser imaginário, como no paganismo, um ser que pertence a contos, mitos e lendas antigas, com maravilhosos e incompreensíveis poderes, tal como os elementais, duendes, gnomos, fadas, silfos, gênios etc. Estes são os chamados elementais ou espíritos da natureza e formam uma classe especial de entidades.

4) Cristianismo: O Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade.

5) No Espiritismo: “O Princípio inteligente do Universo” (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, q. 23). “Os espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.” (q. 79) Seriam almas humanas desencarnadas, sem corpo físico. Por um lado, de acordo com o Livro dos Espíritos, o espírito não é “um ser abstrato, indefinido (…) É um ser real, circunscrito que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato”. Por outro lado, no mesmo O Livro dos Espíritos, vemos a afirmação de que “Pela sua essência espiritual, o espírito é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante dele”. Essas duas passagens de O Livro dos Espíritos pareceriam uma contradição se não levassemos em conta os dois níveis do espírito. Num nível menos elevado e mais próximo à matéria, quando revestido pelo envoltório fluídico, ele se torna definido e circunscrito, podendo ser apreciado pela vista e pelo ouvido. Num nível mais universal, ele não pode ser bem definido, pois nos falta a inteligência e a elevação para esse fim. Acrescenta ainda que “O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.” (q. 88) Esse é o sentido que a maioria dos terapeutas de vidas passadas confere ao termo espírito.

6) No Misticismo: Nas Tradições místicas o sentido geralmente empregado é o de espírito como sendo um princípio universal; uma eternidade e um infinito. A própria expressão da divindade dentro de nossa compreensão. Nesse caso, o espírito não é tido como individualidade, como um ente, mas como a energia primeira de Deus, que permeia o Universo inteiro. É a não-dualidade: a unidade primordial. É o fundamento de tudo o que existe. Para Wilber, é o nível mais alto da realidade: matéria, corpo, mente alma e espírito. Para Wilber e para o Misticismo Oriental, o espírito inclui matéria, corpo, mente e alma, mas transcende e está além de todos estes.

7) No Rosacrucianismo: A energia que dá origem ao mundo material. Esta é chamada de Energia Espírito. Esta seria uma matéria sutilíssima e intangível que tem o poder de animar as coisas, ou seja, os objetos e fenômenos do mundo. Os estóicos já usavam o termo espírito nesse sentido, assim como os magos da renascença (Abagnanno, Dicionário de Filosofia). Também os alquimistas e os rosacruzes usavam espírito com esse sentido: “Os grandes rosacrucianos sabem preparar um líquido a que dão o nome de ‘espírito universal’. Esse líquido é extraído da atmosfera, da neve, da chuva ou do orvalho. É uma condensação do espírito da natureza que tudo vivifica”. (O. M. Aïvanhov)

Na Terapia de Vidas Passadas, o termo empregado está mais próximo do Espiritismo, embora tenha algo também de misticismo. O espírito é uma individualização da unidade total. Seria como o ponto dentro do circulo; ao mesmo tempo que o ponto tem a natureza do circulo, o primeiro é menor que o segundo e está nele incluído. É também considerado o ser humano na ausência de corpo físico, após a morte.

 

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O que é médium?

Palavra que tem origem no latim medium, que significa “meio” ou “intermediário”, ou ainda “mediador”. Indivíduo dotado de capacidade de comunicação, percepção ou apenas uma leve impressão do plano espiritual e seus habitantes. Trata-se de um encarnado que produz ou ajuda na produção de fenômenos metapsíquicos, paranormais ou espirituais, envolvendo o contato total ou parcial com entidades extrafísicas.

A mediunidade pode ocorrer durante o estado de transe ou mesmo fora dele, em consciência de vigília habitual e ordinária. Os graus de mediunidade variam enormemente numa escala que vai do excepcional sensitivo, tal como o médium mineiro Francisco Cândido Xavier, autor de mais de 400 obras em 60 anos de trabalho mediúnico, a mais tênue impressão da presença de entidades.

O médium serve de interlocutor para uma grande variedade da experiências, como a psicofonia, a psicografia, a xenoglossia, a ectoplasmia, o deslocamento de objetos por espíritos, a levitação, fenômenos luminosos e os fenômenos conhecidos como poltergesit, como espíritos batedores, barulhentos etc.

Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, afirma que “Todo aquele sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. (…) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.”

A Doutrina Espírita qualificou dezenas de tipos e qualidades mediúnicas, as quais vamos apenas citar as principais: médium ambicioso, médium audiente, médium bom, médium calmo, médium cientifico, médium convulsivo, médium cristão, médium curador, médium de aparições, médium de comunicações triviais e obcenas, médium de efeitos físicos, médium de efeitos intelectuais, médium de efeitos musicais, médium de má-fé, médium de pressentimentos, médium de transporte, médium devotado, médium egoista, médium esclarecedor, médium escrevente, médium escrevente mecânico, médium extático, médium falante, médium fascinado, médium feito ou formado, médium filósofo e moralista, médium inclinado ao animismo, médium indiferente, médium inspirado, médium intuitivo, médium motor, médium natural, médium obsidiado, médium para evocação, médium pintor ou desenhista, médium pneumatógrafo, médium poético, médium polígrafo, médium profético, médium psicofônico, médium puramente autômato, médium semi-mecânico, médium sensitivo, médium solambúlico, médium subjugado, médium tiptólogo, médium vidente, dentre outros (Espiritismo de A a Z)

Tanto a Psicologia Transpessoal quanto a TVP se interessam muito pelo tema. A experiência demonstra que até mesmo a mediunidade descontrolada pode ser tratada através das técnicas de regressão, visto pertencer ao domínio de influências karmáticas de vidas passadas.

Ninguém precisa ter o dom da mediunidade para fazer a Terapia de Vidas Passadas. Por outro lado, observamos que o indivíduo que já possui a faculdade mediúnica tem mais facilidade para regredir, assim como pode com mais desprendimento contatar entidades espirituais. Na TVP, é comum a médiuns incorporarem durante o tratamento. Nunca é demais lembrar que a regressão não deve ser encarada nunca como trabalho mediúnico e o terapeuta jamais usa sua própria mediunidade para interferir na experiência do cliente.

As experiências mediúnicas dos últimos 200 anos têm demonstrado categoricamente a realidade da reencarnação. Por outro lado, Edith Fiore (1987) afirma que o mau uso da mediunidade pode levar a sérios problemas de possessão espiritual.

Há alguns indícios de que a TVP pode até mesmo desbloquear os canais mediúnicos e despertar essa capacidade em muitas pessoas, principalmente revendo e tratando vidas onde o cliente fez mau uso de faculdades psíquicas e esteve inclinado a práticas de magia negra.

Hans Tendam (panorama 2) afirma que a mediunidade da vida atual pode ter origem num treinamento de disciplinas psicoespirituais excessivas ou mal realizadas em vidas passadas. Talvez com um abrupto e precoce despertar da kundalini. A mediunidade negativa, conforme cita Tendam para esses casos, provavelmente quer dizer a mediunidade sem qualquer controle, algo que vem a atrapalhar intensamente a vida do indivíduo que se envolveu com práticas mágicas em vidas passadas. O resultado pode ser uma hipersensibilidade à influências espirituais, obsessões fortes e até mesmo transtornos mentais; seria como uma abertura desproporcional e desmedida dos canais mediúnicos. No meio espírita afirma-se que a mediunidade é uma espécie de karma cuja função seria aprender a utilizar essa sensibilidade para finalidades positivas, de caridade e amor ao próximo.

 

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Complexo na Terapia de Regressão

Complexo define um núcleo autônomo dentro do psiquismo que se mantém dissociado de sua totalidade. Trata-se de uma entidade independente e separada do restante; são como minúsculas personalidades ou subpersonalidades fragmentárias que coexistem com diversas outras, formando uma série de partes ou “lados” psíquicos. Em suma, um complexo é um agregado de ideias, imagens e afetos reunidos em torno de um centro e caracterizado por uma qualidade e natureza emocional comum. Esse conceito é bastante semelhante ao termo COEX cunhado por Stanislav Grof.

Jung trata os complexos como “egos em miniatura”, se estruturam e se organizam da mesma forma que o ego, mas permanecem em dissociação dentro do todo psíquico. Para Jung, a origem do complexo é um arquétipo*. Podem também ser considerados como temas ou qualidades comuns de natureza similar, que contrastam umas com as outras. Jung afirma que os complexos podem contrapor, influenciar e obscurecer uns aos outros, tal como as personalidades de vidas passadas. Quando um complexo consegue afetar outro, adquire um valor energético maior (Introdução à Psicologia Junguiana, Hall & Nordby).

Na Terapia de Vidas Passadas, Roger Woolger criou o esquema da “Roda de Lótus” para explicar sobre os seis diferentes aspectos ou planos que fazem parte de um complexo:

1) Aspecto Existencial: Trata-se da situação ou do contexto da realidade atual do indivíduo, ou seja, como ele se encontra no presente momento, qual contexto ele vivencia.

2) Aspecto Biográfico: Nos remete a história da vida atual da pessoa. Como o complexo se expressa em alguns acontecimentos da biografia da pessoa. Neste plano que se concentra a psicoterapia convencional, ou seja, como se pode associar o complexo a várias fases e situações passadas de nossa vida, buscando a origem do complexo nos limites de nossa história pessoal.

3) Aspecto Somático: Esse se refere a forma como o complexo de manifesta simbolicamente no corpo físico do indivíduo. Como uma doença, sintoma, dor, desconforto, sensações ou qualquer reação orgânica pode expressar o complexo.

4) Aspecto Perinatal: Conjunto de situações pelas quais uma pessoa passa desde a fase intrauterina até o nascimento. Estas circunstâncias podem apresentar-se como um reflexo da influência de um complexo. Por exemplo: dificuldade de nascer por medo de enfrentar situações similares ao passado.

5) Aspecto de Vida Passada: a origem do complexo investigada dentro de uma vida passada daquele sujeito. Um mesmo complexo pode se formar ou reproduzir numa vida passada, sob as mais diversas formas. Uma das características de um complexo é a incrível diversidade de formas pelas quais ele pode se expressar.

6) Aspecto Arquetípico: De certa forma, é nosso mito pessoal e descreve as forças usadas na superação do complexo por intermédio de um símbolo universal. Representa também a percepção do karma e o correspondente aprendizado ao vencer o complexo. No caso citado, pode-se dizer que o homem deve vencer os problemas que carrega e ir adiante, sem deixar-se bloquear pelo cansaço. Tal é a missão que ele e toda a humanidade um dia devem superar. No Plano arquetípico, entramos numa ordem mais universal, onde cada complexo nos leva a superação e a incorporação de um arquétipo*, um mito pessoal, que deve ser plenamente vivenciado para nos aproximar da perfeição.

Para Woolger, o Aspecto Existencial, Biográfico e Somático fazem parte do inconsciente pessoal. O Aspecto Perinatal, de Vida Passada e o Arquetípico fazem parte do inconsciente transpessoal.

 

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Ressonância simbólica é um termo criado por Roger Woolger utilizado para descrever “de que modo os diferentes aspectos do complexo compartilham todos da mesma qualidade emocional, assim como imagens e timbres afetivos” (Woolger). Isso significa que o mesmo complexo pode se apresentar simbolicamente dentro de vários níveis, aspectos ou facetas diferentes conservando a sua natureza.

A ressonância simbólica indica a capacidade do psiquismo de produzir associações e representações para indicar experiências, afetos e conflitos inconscientes. Woolger descobriu que o complexo pode se expressar em várias camadas ou planos diferentes e cada um deles para apresentar, ao seu modo e dentro do seu nível, um simbolismo que sinaliza a presença do próprio complexo.

Para compreender melhor a ressonância simbólica, é necessário nos reportarmos ao esquema do que Woolger chamou de “Roda de Lótus”. Nesse esquema, vemos a presença de vários níveis ou aspectos diferentes, a saber: somático, existencial, biográfico, perinatal, vida passada e arquetípico. Em cada uma dessas facetas, pode emergir através de símbolos a estrutura e natureza do complexo, ou seja, em todas essas instâncias, vivencia-se o mesmo roteiro, seja somático, biográfico, existencial, perinatal, arquetípico e vida passada. Ordenando todos estes fatores dentro de um arranjo de seis pétalas, temos o seu núcleo, o centro de tudo, como o componente essencial formador do complexo, o que Woolger chama de sentimento nuclear.

Por exemplo, uma pessoa foi obrigada a carregar uma cruz por longa estrada antes de ser crucificado e morto. Hoje isso se traduz em ressonância simbólica como:

1) Existencial: o cansaço de “carregar tudo nas costas” ou a queixa de que sempre “carrega outras pessoas nas costas”.

2) Somático: dor nas costas por ter carregado a cruz, efeito de um trauma.

3) Perinatal: o complexo pode apresentar-se como medo da nova vida e isso poderia gerar, por exemplo, complicações no parto.

4) Biográfico: Em sua infância, ele pode desenvolver cansaço crônico em momentos que era solicitado a arrumar seu quarto e guardar suas coisas, em decorrência da experiência que teve de carregar a cruz nas costas. Isso pode fazer com que muitos o chamem de “preguiçoso” e reforcem o complexo.

5) Vidas Passadas: Como já dissemos, o ato de carregar a cruz por vários quilômetros e morrer logo em seguida.

6) Arquetípico: Seria o aprendizado necessário para superar o complexo. Pode ser traduzido como qualquer situação na qual o indivíduo deva se esforçar para superar o cansaço em sua vida e dissolver a percepção de que sempre carrega o mundo nas costas. Há uma infinidade de circunstâncias capazes de ativar o complexo que gera o cansaço e a sensação de peso nos ombros. Nesse sentido, sua “missão” é a realização do arquétipo*, ou seja, a superação dos limites do complexo para cultivar força suficiente para seguir em frente caso esteja com a cruz simbólica, ou libertar-se em definitivo da cruz que bloqueio seu livre caminhar.

Dessa forma, Woolger criou um método que pode sinalizar diversas entradas diferentes ou forma de trabalho e tratamento sobre os complexos. Podemos ir do biográfico ao somático e deste para o perinatal, passando pela vida passada até culminar no plano do arquétipo. Woolger explica que “A compreensão do princípio da ressonância simbólica me ajuda a levar o cliente de um aspecto ou nível do complexo a outro em pouco tempo usando palavras, imagens ou estados afetivos como sondas para explorar o inconsciente em busca de respostas. É assim que busco a história por trás da história”. Assim, cada aspecto entra em ressonância com os outros tendo como fundamento o sentimento nuclear do complexo.

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Morey Berstein e o caso Bridey Murphy

Morey Berstein era um homem de negócios e autor do incrível caso de Bridey Murphy, nome de uma vida passada da empregada doméstica Virginia Tighe, a quem Bernstein conduziu com hipnose regressiva. Bernstein não era hipnólogo profissional, dedicava-se à hipnose apenas nas horas vagas. Porém, conquistou fama internacional após divulgaros dados de condução de Virgínia a várias regressões à vidas passadas, onde acredita-se que a moça tenha vivido como uma Irlandesa nascida em 1798 e falecido em 1864.

Virgínia tinha bastante facilidade de entrar no transe hipnótico e contou detalhes de sua vida passada à Bernstein. Nessa vida, ela se chamaria Bridey Murphy. Preservando o sotaque irlandês, ela relatou várias fases diferentes de sua encarnação passada. Chegou a mencionar o nome dos pais, Kathleen e Duncan Murphy, afirmando que seu pai tinha sido jurista e dando vários outros detalhes sobre a casa onde morava. Falara também do seu marido, Brian MacCarthy. Brian estudava na universidade de Queen e escrevia para o Newsletter de Belfast.

A vida de Bridey era chata, pacata e muito monótona, sem acontecimentos fortes e marcantes. Trata-se realmente da vida de uma pessoa comum da Irlanda do século XVIII ao século XIX. Conta-se que após ter caído de uma escada e quebrado o quadril, começou a sentir-se meio triste ou deprimida, como um “peso”, já que estava parcialmente inativa: “a partir daí comecei a definhar”, disse ela. Bridey então passou pela transição aos 65 anos.

O caso, pelo impressionante relato de detalhes históricos corretos, fizeram os estudiosos interessarem-se bastante por ele; até mesmo céticos não conseguiam explicar a precisão das informações ditadas por Virginia. Como uma dona de casa poderia saber todas aquelas coisas? Apesar dos pesquisadores terem encontrado alguns erros na estória de Virginia, haviam outros acertos estarrecedores que não puderam ser explicados pelo conhecimento histórico da dona de casa, que comprovadamente era mulher muito humilde e sem instrução.

O caso Bridey Murphy, como ficou conhecido, levou mesmo Bernstein a ser acusado de fraude e de ter mentido sobre os dados. Porém, para os terapeutas de vidas passadas, estas experiências são parte integrante de seu trabalho e se constituem num conunto de evidências que, somadas, podem descortinar novos horizontes de tratamento e cura para a psicologia, a medicina e contribuir para a mudança de paradigma na ciência.

 

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