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Archive for the ‘Simbolismo’ Category

 

O tema da descida aos infernos, ou ao submundo, é encontrado em muitas tradições religiosas antigas. Desde o xamanismo milenar até os mistérios grego-romanos, assim como as iniciações nas escolas de mistério europeu, como também no cristianismo, essa imagem da descida aos infernos está bastante presente.

No Cristianismo há uma referência, no credo católico, que remonta os primeiros séculos do cristianismo primitivo, afirma que Jesus “desceu ao inferno”. Há alguns anos, a igreja modificou essa parte do credo trocando o “desceu aos infernos” para “desceu a mansão dos mortos”. Mas no original, a descida ao inferno, ou ao submundo, estava presente nesta oração.

Na mitologia grega, vemos os mitos de Ulisses, Orfeu e Enéias com o tema da descida ao submundo. No mito de Orfeu, vemos o personagem principal da trama, Orfeu, que desce ao “mundo dos mortos” para buscar Eurídice, que acabara de morrer mordida por uma serpente. Ao chegar nos domínios de Hades, o deus do submundo, Orfeu o convenceu, com sua lira, a levar Eurídice de volta a vida. Na realidade, este mito possui um significado iniciático, como todos os mitos que tratam dessa descida ao reino dos mortos, ao submundo ou inferno.

A descida ao submundo representa o contato direto com nossas imperfeições e impurezas, todo nosso karma passado, ou uma parte dele, é apresentado a nós, e se torna vivo em visões, aparições, sensações, etc, como se estivesse mesmo ocorrendo. Esse é um dos significados das iniciações nos mistérios. Cada vez que um ser desce ao submundo e enfrenta a provação, ele se despoja de um ou vários aspectos impuros de seu interior, purificando-se e ascendendo em consciência.

O mito sumério de Innana mostra isso de forma bem clara. Alguns pesquisadores acreditam que o mito sumério de Innana seja a origem do mito de Perséfone. Innana era uma grande rainha, bonita e resplandecente. Certo dia, ela decide voluntariamente realizar o que se chama de “descida mística”, e se encaminha para o “grande abaixo”, o abismo, o reino do submundo, que é governado por Ereshkigal, ser sobrenatural que pode ser comparado ao Hades da mitologia grega. Esta descida se faz em sete níveis, representados pelos sete portais que dão acesso aos sete níveis de iniciação que ela deve atravessar nos reinos inferiores.

Desse modo, em cada um dos portais iniciáticos, ela tem suas vestes retiradas. Essas vestes são, simbolicamente, as camadas de consciência inferiores que devem ser descartadas até se chegar ao núcleo essencial da consciência. Da mesma forma que se descasca uma cebola, em suas várias camadas, até se chegar ao ponto mais central, a consciência também deve ser despida em seus vários níveis de imperfeição, até se chegar ao âmago mais profundo do nosso ser interno. Assim, após serem retiradas todas as suas vestimentas, Innana aparece, sem qualquer roupa, diante de todos os sete juízes que são os guardiões do submundo inferior, para que possa ser julgada por eles em seus méritos. Após esse julgamento final, ela é assassinada por Ereshkigal, o Senhor do submundo, e perde o último resquício de sua vida antiga.

Essa morte durante a descida aos infernos é outro tema mitológico de grande significado, que aparece em vários símbolos de religiões e cultos antigos. Essa morte não é uma morte física, uma morte do corpo material, mas é a morte iniciática, a morte do nosso karma, a morte da roupagem personalística, das máscaras e das camadas inferiores; o velho homem precisa morrer para que o novo homem pode nascer ou renascer. Este mito encontra paralelo com a ideia cristã da morte, descida ao inferno e da “ressurreição” no terceiro dia, tal como ocorreu com Jesus. Jesus renascido após a morte na cruz é um tema iniciático presente na origem do cristianismo e aberto para todos aqueles que consigam desvendar seu significado latente.

No mito de Innana, ela retorna a vida sendo salva por Enki, o deus da sabedoria e das águas, que a traz de volta ao mundo dos vivos, ascendendo novamente pelos sete portais, ou sete níveis e recuperando novas vestimentas. Esse processo de descida ao submundo ou inferno é por vezes chamado de “descida mística”, e seu significado se encontra também em outros mitos, conforme já aludimos, no mito de Orfeu, Perséfone, Ulisses, Enéias e também Hércules. No décimo segundo trabalho, Hércules se viu obrigado a descer ao mundo subterrâneo e encontrar Cérbero, o cão que possuía três cabeças. No trajeto até a caverna escura que dava acesso ao submundo, Hércules foi acompanhado por Hermes e Atenas (mitologia grega) ou Mercúrio e Minerva (mitologia romana) e lá foi deixado a sua própria sorte. Sua missão era trazer Cérbero de volta ao mundo, sem para isso usar armas.

Da mesma forma que a descida de Innana ao reino inferior corresponde aos sete graus da iniciação, a descida de Hércules (Roma) ou Héracles (Grécia) era a culminação da décima segunda iniciação, representada pelo décimo segundo trabalho a cumprir. Hércules atravessou a provação de doze trabalhos, representando as doze provas iniciáticas dos mistérios, e após vencer Cérbero com os braços, pôde tirá-lo do submundo. Hércules, assim como Innana, representa a alma seguindo o percurso tortuoso de seu desenvolvimento até atingir o cume da realização espiritual, representado pela última iniciação, que geralmente é anunciada com o símbolo de uma ascensão celeste.

 

(HUGO LAPA)

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SIMBOLISMO DO FOGO

Considerado um dos símbolos mais importantes das tradições espirituais, religiões e do esoterismo. Elevado ao status de divindade por muitos povos, o fogo representa as transformações da natureza, sua criação e destruição. O poder consumidor do fogo fez deste elemento um símbolo de conotação negativa, como nas representações inconográficas cristãs do inferno, mas pela sua qualidade de transmutador, foi considerado sagrado pelos Alquimistas e por muitas outras culturas.

Dentro do seu aspecto destrutivo, o fogo representa a destruição, mas esse estado é passageiro, pois a destruição de algo sempre representa, para os místicos, a abertura de espaço para o novo poder brotar, para um nascimento em uma nova condição. Os alquimistas tem como princípio a expressão INRI, que significa Ignis Natura Renovantur Integra (“A natureza é renovada pelo fogo”).

O aspecto purificador e regenerador do fogo é comum a várias tradições. Na Roma antiga, os sacerdotes tinham por missão manter uma chama sempre acesa, e no caso desta chama ser apagada, isso representa um mau augúrio, um sinal de maldição, de degradação moral e do encerramento de um ciclo. Vemos a concepção do fogo como representando a passagem do tempo e do início e do fim de uma fase. No Xintoísmo, a renovação da tocha acesa sempre coincide com a passagem do final do ano.

O fogo também traz, obviamente, o sentido de uma transformação íntima, de um desenvolvimento espiritual, transmutando a consciência de estado em estado até se atingir a iluminação. Aqui entra o símbolo da forquilha do Alquimista, que transmuta o metal pesado das imperfeições humanas no ouro sagrado da realização espiritual. O fogo interior brilha cada vez mais forte e num nível mais sutil conforme a ascensão do discípulo e sua progressiva espiritualização.

Os yogues já encontram o simbolismo mais próximo de sua realidade interior, quando associam o fogo com o chakra muladhara, onde o elemento fogo está presente, sendo o veículo da energia vital que alimenta todo ser em seus vários níveis. Buda também transfere o rito externo do fogo na primazia da consciência dominando os instintos. Diz Buda “Atiço em mim uma chama. Meu coração é a lareira, e a chama é o eu domado” (Sumyuttanikaya 1, 169). Aqui encontramos paralelo na kundalini yoga, no chamado “fogo serpentino” e também no “fogo interior” do Tantrismo. Os taoístas realizam um ritual da passagem por sobre o fogo, a fim de representar a purificação e a libertação do seu corpo das paixões grosseiras e dos desejos inferiores.

No Velho Testamento, o fogo é apresentado como sendo a própria essência original de toda a vida. Javé se apresentou a Moisés como uma sarça ardente. Quando Moisés perguntou quem era ele, Javé respondeu “Eu Sou o que Sou”, associando o fogo como a essência primeira, o ser que é o ser, sem acréscimos, sem adjetivos, apenas o ser que é.

Autor: Hugo Lapa

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Simbolismo da Água

 

A água é uma substância formada pela combinação de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. A água é, portanto, formada por dois gases. Ela pode se apresentar no estado sólido, líquido e gasoso. O estado líquido, porém, é o mais abundante no mundo. A água é tão essencial a vida que, caso a água desaparecesse do planeta Terra, nenhum ser vivo poderia manter-se existindo.

A água era considerada um dos quatro elementos fundamentais no mundo antigo, dos quais tudo o que existe teria procedência. A importância da água pode ser verificada nas ideias do filósofo Tales de Mileto, que dizia que “tudo é água” e “tudo começa na água”. Tales inaugurou a tendência filosófica que buscavam entender a chamada physis, um conceito que significa natureza, mas que depois foi traduzida como “física”, por ser o conhecimento que buscava explicar a origem das coisas do mundo.

O simbolismo da água é bem vasto, assim como o simbolismo de todos os outros elementos. Na antiguidade, ela estava associada ao começo do mundo. Em Gênesis, “o espírito de Deus pairava por sobre as águas” (GN 1:2). Ela era considerada as águas primordiais, de onde tudo surgiu. Ela também foi associada ao caos primordial, o meio líquido que originou todas as coisas. Esse simbolismo das águas primordiais, ou do “oceano das origens” é praticamente universal, sendo encontrado em dezenas de culturas arcaicas.

O aspecto gerador da água encontra correspondência no útero materno, quando um novo ser está em gestação. Nesse sentido, encontramos o líquido amniótico, que é o meio líquido que abriga o surgimento de uma nova vida, um novo nascimento.

Na mitologia egípcia, o monte primordial surgiu das águas primordiais. Na tradição indiana, a água é o veículo do chamado “ovo do mundo”, o meio que gerou todo o mundo. De acordo com este significado, a água representa o meio através do qual todas as coisas surgiram. Ela foi, dessa forma, uma matéria prima para a criação do mundo, ou pelo menos um dos meios pelos quais o mundo pôde ser gerado. Nesse sentido, a água se apresenta como a fonte de onde tudo proveio, o embrião original.

De acordo com Chevalier & Gheerbrant, a água é o símbolo da infinitude dos possíveis, ou seja, ela é o potencial que guarda, em estado latente, todas as possibilidades. Os textos hindus clássicos afirmam que “tudo era água” no início, indicando a água como a matéria-prima original. Aqui a água simboliza um inesgotável reservatório de energia primeva de onde tudo brotou. A ciência moderna considera que a vida na Terra começou primeiro na água, com o desenvolvimento dos primeiros seres aquáticos que posteriormente foram deixando os mares e iniciando sua existência na terra e no ar. Assim, o simbolismo da água com o significado do germe da vida encontra eco nas pesquisas científicas.

A água primordial, no entanto, não é a água física, mas um elemento sutil sem início nem fim. Os textos hindus deixam claro que, para que exista esse potencial formativo, é preciso não haver limites. Por isso, diz-se no Taoísmo que “as vastas águas não tinham margens”. Ainda dentro desse sentido gerador, a água representa a fertilidade, a fecundidade, a boa colheita, o crescimento da semeadura.

Diferentemente da terra e do ar, o fogo e a água são considerados agentes de transformação do mundo. Nesse sentido, a água possui uma estreita relação com o simbolismo da lua, que muda constante e periodicamente. Diz-se que as marés obedecem as fases da lua. No Tarot, a carta da lua aparece com uma poça de água no solo, indicando a associação que há entre ambas. A água é maleável, pode se adaptar a qualquer meio sólido, tomando a forma do lugar em que se encontre. Por isso se diz que ela seja um agente se transformação e adaptação ao novo.

Mesmo sendo a água fraca, maleável, fluida, ela pode, com o passar do tempo, até mesmo desgastar a rocha mais rígida, que não sabe ceder e permanece fixa e imóvel em seu lugar. Lao Tsé expressa divinamente o significado da água dentro de sua capacidade adaptativa e como isso pode servir de lição ao ser humano:

“A virtude verdadeira é como a água
Em silêncio se adapta, ao nível inferior
Que os homens desprezam
Ocupa os lugares mais baixos que os homens detestam.
Acomoda-se onde ninguém quer permanecer.
Serve a todos e a tudo, não exige nada.”

Mas o simbolismo da água encontra mais um significado que é praticamente universal: a água como um meio de regeneração. Essa representação é bem conhecida na passagem bíblica que cita o batismo de Jesus no rio Jordão por João Batista. Não por acaso esse evento é reconhecido como o início do caminho messiânico de Jesus. João Batista acatou o apelo de Jesus para que o batizasse nas águas, mesmo acreditando que não era digno de batizar Jesus. Após a imersão na água, os evangelhos contam que uma pomba branca sobrevoou os céus, representando assim a liberdade do espírito conquistada após o ato. Nesse momento, Jesus teria sido regenerado em corpo, emoções e mente, e aberto as portas de sua consciência para sua missão. Aqui está bem caracterizado o simbolismo da água como meio de regeneração, ela cura, purifica e faz renascer.

Como diz Chevalier: “A imersão [na água] é regeneradora, opera um renascimento, por ser ela, ao mesmo tempo, morte e vida. A água apaga a história, pois restabelece o ser num novo estado. A imersão é comparável à deposição do Cristo no Santo Sepulcro: ele ressucita, depois dessa descida nas entranhas da terra. A água é símbolo da regeneração: a água batismal conduz explicitamente a um novo nascimento”. Aqui vemos a representação da água viva, da fonte da juventude.

A água também se expressa no seu ciclo universal. Ela vive nas entranhas da terra, brota para rios e lagoas e desemboca no mar. A água se liquefaz e se torna vapor. Sobe aos céus, se condensa em nuvens. As nuvens se agrupam e formam a nuvem de chuva, que se precipitam sobre o solo jorrando a água de volta à terra novamente em estado líquido. E posteriormente isso se repete infinitamente. Na descrição do ciclo da água vemos uma representação bastante clara do próprio ciclo da alma. A alma estava no mundo celeste, ao que se precipita e desce à Terra, para animar a matéria sólida. Ao término de sua missão, retoma o estado “gasoso” quando abandona o corpo e se assume novamente como espírito em ascensão aos céus. Vemos uma boa figuração da doutrina da reencarnação da alma expressa pelo ciclo das águas.

 

(HUGO LAPA)

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Simbolismo da Luz

A Luz possui um significado simbólico bastante claro. Até mesmo quando dizemos que ele é “claro”, estamos usando o símbolo da luz/claridade para explica-la. Isso por que a luz é o símbolo da divindade por excelência, e o símbolo de tudo o que é superior, claro, nítido, verdadeiro por si mesmo. A luz ilumina e clareia, ela nos ajuda a perceber melhor as coisas como elas são. A luz é a base do ver, do reconhecer, do enxergar. A luz se relaciona com a consciência e a visão de tudo, assim como ao conhecimento e a sabedoria, mas não é apenas isso. Onde tudo está escuro, a luz se impõe e traz um caráter revelador, do oculto para o revelado.

O mais importante é que a luz representa a natureza de tudo o que é elevado e divino em todas as suas manifestações, como o sol, a lua, o relâmpago, o fogo etc. O nome de alguns deuses são derivados da raiz dei, que significa “brilhar”, como Dyaus Pitar, Zeus e Júpiter. Os anjos são representados com uma auréola brilhante no topo da cabeça. No oriente, mais precisamente  na Índia, a palavra devas (os deuses) tem o sentido de “ser brilhante”. Ainda na Índia, os redentores e reformadores da humanidade são chamados de “iluminados”. O Buda Amitabha é o Buda dos céus, cujo significado é “Luz Infinita”.

Ainda no Budismo, agora no Tibetano, monges realizam treinamento espiritual durante anos, décadas ou uma vida inteira para, após a morte, se integrarem a “Clara Luz” do Bardo (espaço entre uma vida e outra). Segundo a tradição Budista Tibetana, a Clara Luz pode purificar alguém que se fundiu com ela e transmutar todo o seu karma. Nesse sentido, os mais recentes estudos sobre as Experiências de Quase-Morte confirmam a existência dessa Luz branca, de natureza infinita (segundo relatos) que se apresenta àqueles que desencarnaram recentemente. No Cristianismo temos Jesus que, segundo os evangelhos, proferiu a famosa frase “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 8, 12).

Desde a antiguidade a luz foi associada ao simbolismo da criação e do divino.  “Fiat Lux” ou “Faça-se a Luz e a Luz foi feita” (Gn 1, 3) é um dos mais conhecidos trechos da Bíblia e expressa bem o papel e a importâ papel e a importm a ma trechos da Bsmo da Criaçedoria, mas vai alomo elas sncia da luz no ato primordial da Criação. Luz é a primeira vibração, ela vem dar ordem ao caos primordial. Sendo o primeiro ato divino criador, a luz toma, sem dúvida, um valor soberano diante de todas as outras coisas do Universo criado. É possível que essa passagem do Genesis indique que a partir da luz todas as coisas são provenientes. Por outro lado, antes de todas as coisas existirem, a luz já era. Mas a luz só pode ser concebida tendo-se como referência a escuridão. Num dia de sol, é impossível observar as estrelas no céu a olho nu, mas conforme o crepúsculo vai seguindo seu curso, a luz das estrelas vai se tornando mais e mais visível. Isso prova que a luz individual só pode existir a partir da escuridão pode existir a partir da escuridtornando mais e mais viso. Apesar da escuridão ser condição ser condiçuridi mesma no sine qua non para a existência da luz, diz-se que a luz, em essência, independe da escuridão.

Enquanto a luz é o símbolo do bem, do verdadeiro e da consciência, a escuridão é o símbolo do mal, do pecado, da inconsciência. Diz-se que o céu é claro, e o inferno sombrio. Muitos esoteristas fazem uma analogia entre o bem e o mal correlacionando-os com a luz e as trevas. Tudo que é o bom é iluminado e claro; tudo que é mau é escuro e nebuloso. Mas a metáfora não para por aí. Há ainda um ensinamento mais importante sobre a luz e a sombra e a natureza verdadeira do bem. O bem é representado pela luz, e as trevas são representadas pela ausência da luz. Nesse sentido, só o bem possui uma realidade inerente, possui uma essência; as trevas, a escuridão, não possui qualquer realidade intrínseca, mas a escuridão é a ausência da luz, ou seja, é apenas a falta ou a carência do bem. As trevas, assim como o mal, não existe em si mesmo, ele é tão somente a ausência do bem. Tudo que é mal é um distanciamento do bem e não tem realidade per si.

A maior fonte de luz é o sol. Jesus era visto como o sol, o simbolismo do sol invictus. Outros deuses ou mestres da humanidade eram associados ao sol. O próprio Gautama Buda era chamado de “Sol Buddha”. Isso por que o sol tem luz própria, ele não depende de qualquer fonte externa para gerar sua luz, calor e energia. Da mesma forma que o sol, se diz que Jesus e outros espíritos superiores, espíritos puros e perfeitos, não precisam de qualquer luz externa, pois eles são capazes de gerar sua própria luminosidade. Afirmam os esoteristas que os seres luminosos despertaram para a verdade da luz divina presente em cada aspecto do cosmos e por isso possuem uma luz interna. A luz desses seres perfeitos ou próximos da perfeição é a mesma luz cósmica do início da criação divina, que deu origem a todos os mundos. Assim como a luz física tem a capacidade de nos fazer enxergar as coisas materiais, a luz espiritual emanada por esses seres tem a propriedade de nos fazer enxergar os ensinamentos espirituais e a enxergar a nós mesmos. Quando comungamos com os espíritos de luz, eles nos ajudam a ver e entender certos aspectos fundamentais da vida que antes eramos incapazes de perceber. Eles iluminam nossa consciência. Somos como uma vela que tem o potencial de queimar a chama. Os mestres não devem ficar todo o tempo irradiando sua luz e energia para nós, mas sim nos ajudar a despertar a chama sagrada que existe dentro de cada um. Assim, diz-se que os mestres são como uma vela que acende uma outra vela (que somos nós).

O sol, apesar de ser um exemplo perfeito da expressão da luz no mundo físico, não é o único símbolo relacionado à luz. O sol está associado ao simbolismo do fogo e do olho. Vamos explicar esse ponto para que não pairem dúvidas. O sol é circular; o olho também é. O sol produz a luminosidade que nos permite enxergar; o olho é o órgão de nossa visão que também nos permite o sentido da visão. Os esoteristas afirmam que o olho (espiritual) que irradia luz, ao invés daquele que capta a luz, pode ver e perceber qualquer coisa, pois independente da luz localizada, ele ilumina cada aspecto do cosmos e assim pode entrever nuances que, a depender da luz externa, seria impossível perceber. O ser humano possui um olho espiritual, no centro de sua testa, que possui essa função. É o chakra coronário, que tem uma contraparte física: a glândula pineal. Quando este centro psíquico estiver plenamente desperto, ele agirá tal como um sol, terá luz própria e irradiará em todas as direções, emanando luz onde não há luz. É assim que se tornam possíveis fenômenos como os da clarividência, visão espiritual, desdobramento, produção de vários fenômenos paranormais etc.

Na mitologia, vemos esse esquema bem representado no mito de Apolo, o deus sol. Dizem que Apolo “tudo sabe e tudo vê”, numa clara referência a visão espiritual. Além dele, um dos mais conhecidos símbolos do Esoterismo é o chamado “Olho que Tudo Vê”, símbolo adotado por várias escolas iniciáticas e confrarias esotéricas. O Olho que Tudo Vê é representado como um sol que irradia seus raios luminosos e abre espaço para a visão de qualquer coisa existente, não apenas no sentido físico, mas também no sentido espiritual. Não é atoa que no Egito antigo os dois olhos eram relacionados ao sol e a lua, os dois astros que emitem luz à Terra: o sol era associado ao olho direito e a lua ao olho esquerdo.

O fogo possui uma relação também muito estreita, porém ele é considerado uma manifestação do poder infinito da luz dentro de uma escala menor. No sol existe numa grandeza macrocósmica; no fogo existe numa grandeza microcósmica. O fogo ainda é dependente do exterior, o vento pode alimenta-lo ou apaga-lo, a água pode apaga-lo, a terra também o alimenta, vários elementos podem influencia-lo;  o sol é invulnerável, não depende de nada externo e brilha irradiando a uma distância incomensuravelmente maior.

No Esoterismo, uma das mais importantes imagens do despertar espiritual, senão a mais importante, é a do ser saindo das trevas e indo em direção à Luz. Segundo os esoteristas, essa é a meta suprema a que toda alma deve aspirar. Em Platão vemos claramente essa metáfora no famoso Mito da Caverna, onde os habitantes da caverna, que antes estava aprisionados e se relacionavam com o mundo através das sombras da realidade(ausência da luz) devem sair da caverna (da escuridão) e encaminhar-se em direção à Luz que existe fora da caverna. Nas iniciações das escolas de mistério do Egito antigo, os candidatos davam os primeiros passos da iniciação em caminhos escuros e subterrâneos. Conforme ultrapassavam as provas iniciátivas, podiam subir a fases onde existia mais luz. O caminho da escuridão para a Luz é a representação o caminho espiritual por excelência.

O simbolismo da luz também está presente nos nascimentos de heróis, deuses e mestres da humanidade. Na China existem histórias de que heróis e fundadores de dinastias nasceram após a irradiação de uma luz divina no aposento de suas mães. O nascimento da linhagem de Gengis Khan teria origem nesse nascimento divino através da luz, tal como afirma uma princesa antiga sem marido. Ela conta que um ser de luz a visitou algumas vezes a noite e uma luminosidade penetrava em seu ventre. O nascimento divino está presente em várias tradições antigas sob várias formas e a luz frequentemente se torna co-partícipe nesse processo.

Apesar de a luz ser o símbolo da divindade, não se pode fixar nossa olhar e mente nela durante muito tempo, sob pena de sermos acometidos por algumas consequências indesejáveis. Quando não se está preparado, a luz pode causar alguns prejuízos àqueles que dela se aproximam. Essa aproximação deve ser feita com todo cuidado, pois a luz pode ofuscar as trevas. Por esse motivo é justificada a morte de Jesus na cruz: a “Luz do mundo”, um ser espiritual luminoso, que veio trazer ensinamentos sublimes que revelava a verdade ofendeu as trevas interiores dos individuos de sua época, que o levaram a tortura e à morte com a crucificação. Mas da mesma forma que não se pode destruir a luz devido a sua natureza sutil e imperecível, não se pode matar um Filho da Luz, mas apenas destruir seu corpo material e perecível.

Nas tradições espirituais é dito que os buscadores que se jogam com exagero na busca por Deus acabam ficando cegos com a quantidade de luz que recebem. Tudo deveria ser feito com prudência e de forma natural, sem forçar. Observe o sol por alguns minutos e o resultado inevitável será uma escuridão em nossa vista. Cada pessoa tem um grau de relacionamento com a luz dentro de seu nível e esse deve ser aumentado de forma gradual. Isso fica patente nas religiões dogmáticas, que congelam os princípios espirituais à vista de seus adeptos, da mesma forma que o olho fica com a imagem marcada pelo excesso de luz solar.

O simbolismo da Luz poderia se ampliado nessa explanação ad eternum, dado sua profundidade.  É importante ainda mencionar que a natureza do divino, que é luz, é a mesma natureza do ser humano, que em ultima instância, também é luz. No entanto, é uma luz inconsciente de si mesma. O objetivo da vida humana e cósmica é tomar consciência da luz primordial que habita eternamente em nosso interior.

 

(HUGO LAPA)

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Símbolos e Vidas Passadas

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Regressão Simbólica é o tipo de regressão onde as experiências resgatadas não possuem um conteúdo literal e temporal, mas são metafóricas, analógicas e representativas de nossa dinâmica psíquica. Essas imagens e experiências simbólicas podem ser de ordem individual ou coletiva. O nível da produção inconsciente individual remete a experiências passadas e atuais que são parte do psiquismo apenas de um indivíduo. O nível coletivo engloba experiência filogenéticas que são comuns a toda uma raça e cultura, foram repetidas ao longo da História humana e gravaram em nossa consciência certas figuras fundamentais: esse é o domínio dos arquétipos.

“Numa regressão simbólica a pessoa pode parecer reviver outra vida, mas isso é mais uma analogia à vida atual que uma experiência de vida passada. Por exemplo, uma mulher procurando uma casa antiga e finalmente encontrando uma varanda segura em uma, encontra uma antiga chave. Ela estava na verdade buscando conhecer a si mesma. Estava insatisfeita com sua vida atual, especialmente com o rumo de sua carreira profissional, mas não sabia que caminho tomar. Seguindo a “regressão”, ela estudou astrologia e shiatsu, com os quais se envolveu naturalmente. A chave destrancou talentos adormecidos e sua vida mudou para melhor. Curiosamente, sua nova carreira estava dentro de casa.” (Judy Hall, 1996)

Segundo a Psicanálise, os símbolos são modos de a consciência mascarar e modificar o real a fim de que este não se torne insuportável para a pessoa, guardando um conteúdo de intensa carga emocional. Essa experiência estaria ligada à repressão da experiência literal e a modificação para o plano do simbólico.Segundo a psicanálise, o símbólico surge para que a experiência possa ser digerida pela consciência sem maiores danos.

Na TVP, não é raro o cliente expressar símbolos diversos quando mergulha num estado alterado de consciência. Muitos terapeutas ficam em dúvida sobre como diferenciar o literal e experiencial do simbólico e metafórico. Para diferenciar uma regressão simbólica de algo literal pode-se simplemente questionar ao cliente se o que ele sente e vê trata-se de um símbolo ou de uma circunstância literal. Caso seja um símbolo, o terapeuta deve aprofundar no sentido simbólico e procurar descobrir quais as relações entre o símbolo e a vida da pessoa. Pode acontecer de um símbolo expressar uma experiência que reúne o significado de várias existências. Porém, é mais comum o símbolo transmitir uma mensagem sobre o estado atual da vida presente do indivíduo.

Muitas vezes, os símbolos são indicativos de um insight que ainda não foi captado pela consciência; outras vezes representam mensagens de grande sabedoria, que abordam o conhecimento profundo de arquétipos da alma, concentrando um saber de grande valor sobre nossa estrutura psíquica e nossa missão na Terra.

Considerações gerais:

  • Apesar das analogias terem sido rechaçadas e postas de lado após a revolução cientifica e o advento das ciências naturais, parece que atualmente o cenário está se invertendo. A ciência moderna, principalmente a Física Quântica, utiliza-se muito de analogias e metáforas para explicar mecanismos naturais. Certas explicações seriam muito difíceis de serem traduzidas em conceitos analíticos e puramente intelectuais sem o recurso de símbolos, analogias, comparações ou metáforas, por carecerem estes de material mais complexo de significados.
  • O valor do símbolo está nas relações de analogia entre os termos. Uma escada pode representar a ascensão; o sol pode representar a divindade; o céu pode representar um estado de consciência sem limites; um leão pode representar a força e o comando; uma estrada pode representar a caminhada espiritual; uma porta pode representar a passagem de uma condição à outra; um pilar pode representar um fundamento; o chão representa a base; o fogo pode representar a sabedoria e a transmutação; o rio pode representar o fluxo e a circulação de energias, e assim por diante. O símbolo cria padrões de relação entre as coisas.
  • Após estudar profundamente os sonhos, Freud estabeleceu claramente o fundamento do inconsciente como tendo uma linguagem simbólica. Até hoje é reconhecido nas escolas de influência psicanalítica, que o símbolo é um reservatório de significados que o inconsciente produz visando conhecer-se a si mesmo. Assim, a TVP não pode negligenciar o uso profundo dos símbolos em sua leitura das múltiplas existências físicas.
  • Apesar da ciência ter negado o valor dos símbolos durante séculos, o uso dos simbolos acabou sendo explorado por outros setores, principalmente após o advento da cultura midiática. Os meios de comunicação, a televisão, o marketing, o cinema, as artes em geral sempre fizeram amplo uso dos símbolos para transmitir mensagens que outros meios são incapazes de reproduzir. Assagiolli ressalta que esse uso pode ser positivo ou negativo. Infelizmente, a propaganda tem utilizado profundos e complexos mecanismos simbólicos com intenção meramente financeira e consumista, estimulando o individualismo, a vaidade e o egocentrismo.
  • A imaginação ativa de Jung é um método que cria um espaço de produção e interação dos símbolos do psiquismo. Um dos objetivos é atuar sobre sobre os símbolos para  a obtenção de resultados terapêuticos. O inconsciente acaba demonstrando por intermédio dos símbolos aquilo que o nível racional e concreto da consciência não consegue alcançar. A análise dos sonhos da psicanálise também tem esse objetivo.
  • Além de o inconsciente ter a função de produção de símbolos, outros símbolos podem agir sobre o inconsciente e induzir transformações significativas. Os símbolos religiosos e místicos são exemplos dessa função catalisadora e metabolizadora do psiquismo. EX: a paixão de Cristo é até hoje um símbolo cristão de abnegação, caridade e esforço pessoal na luta pelo transcendente. A morte e a ressurreição cristãs são símbolos universais. Mesmo dois milênios após do evento original, permanece seu ensinamento profundo relacionado à morte e ao renascimento espiritual. A cruz carregada por Jesus também pode significar as provações da vida humana e o quanto precisamos morrer diante do pesado ego crucificado pelas dificuldades para renascer na transcendência do espírito. Os rosacruzes identificam na cruz o símbolo das vicissitudes da vida humana. Outros místicos falam da cruz como relacionada ao pesado karma que cada um de nós tem que carregar durante a vida ou as inúmeras vidas humanas.
  • Na Terapia de Vidas Passadas, os símbolos podem ser extremamente úteis. Os terapeutas podem fazer a pessoa interagir com o símbolo, questionando seu significado e correlacionando tudo com a vida atual ou mesmo vidas passadas. Pode-se orientar o cliente a fazer perguntas ao símbolo. Pode-se também pedir ao atendido que permita ao símbolo ter uma continuidade imaginativa e observar quais outros símbolos são revelados à pessoa. É possível pedir ao Eu Superior que conceda um símbolo ao cliente, algo que lhe revele o significado de alguma experiência passada em associação com a vida atual. A reflexão sobre o significado do símbolo pode ser feita em conjunto com o Eu Superior, o Mestre ou guia espiritual do atendido.
  • O processo da TVP contém todo um conjunto de símbolos que contribuem para os bons resultados que ela atinge. O terapeuta deve compreender esse sentido para bem utilizar-se do potencial simbólico de cada aspecto terapêutico. O Mestre ou Eu superior é um símbolo de um estado mais elevado de consciência o qual o atendido deve ter como meta espiritual. O terapeuta pode também ser um símbolo de alguém que detém um conhecimento que vai além da pessoa. Esse pode ser inclusive o princípio do processo que Freud chamou de transferência. Vários métodos de indução utilizados pelos terapeutas de vidas passadas podem ter força simbólica como:

1) Caminhar por um estrada e ir voltando (representa o retorno ao passado);

2) Adentrar por um portal de luz para entrar na vida passada (símbolo da passagem de um estado a outro);

3) Envolver-se numa luz branca (luz como símbolo da clarificação da consciência que permite enxergar melhor as coisas), dentre outros métodos de indução simbólicos.

  • Roger Woolger é um autor que enfatiza o valor dos símbolos na TVP. Ele diz que seu trabalho está no limite entre a produção da fantasia simbólica do inconsciente e o reconhecimento da realidade literal da experiência. A esse respeito, a pesquisa histórica tem pouca importância, como afirma: “Nunca encorajo meus clientes a investigarem o substrato histórico de uma recordação de vida passada, pois isto pode drenar energia do poder imediato da imagem ou história que está emergindo”. (Woolger, 1987) Assim, para Woolger, o que importa é o que a consciência toma como realidade e não a suposta realidade literal gravada na consciência.

 

(HUGO LAPA)

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Simbolismo do Círculo

SIMBOLISMO DO CÍRCULO

Para melhor compreender o motivo pelo qual a mandala pode ser considerada um símbolo universal, verificaremos que seu desenho, apesar de muitas vezes ser inscrito dentro de um quadrado, é formada basicamente por um círculo. O círculo, sabem todos aqueles que são versados nas mais diferentes correntes de pensamento místico, sempre foi considerado, em todas as épocas, como o símbolo da totalidade original do Universo. Mas não apenas a totalidade universal, como também todos os atributos que acompanham o Todo ou o absoluto, como a perfeição, o infinito, o ilimitado, o atemporal, o inespacial, a completude, a inteireza, etc.

Esse Todo, ou o próprio absoluto, só pode ser Um, e esse Um sempre foi representado, em todas as épocas, pelo círculo. O círculo é uma das figuras geométricas principais, que contém rico simbolismo, assim como o são o ponto (círculo em miniatura), o quadrado, o triângulo e a cruz. Todas essas figuras contém um significado qualitativo e filosófico, que expressa leis de caráter universalista, não estando restritos a suas facetas meramente calculistas.

Dentre as figuras geométricas com caráter universal, que como dissemos expressam leis e princípios absolutos, está a figura do ponto. Consideramos o ponto como um circulo em miniatura, pois se observarmos o ponto mais de perto, veremos que ele é na realidade um circulo. Sendo assim, em muitas correntes, o ponto sempre foi visto como uma expressão do circulo em menor grau, ou como um círculo em miniatura. Ou podemos igualmente considerar o círculo como um ponto estendido. Portanto, o ponto também participa da perfeição do circulo e possui um simbolismo equivalente. Para melhor entender esta significação, visualizemos uma pessoa andando e se afastando de nós até que nós a tenhamos perdido de vista. Antes de ela desaparecer de nossa visão, nós a veremos distante com a forma de um ponto. Inversamente, quando ela se aproxima de nós bem de longe, a primeira forma que vemos dela é igualmente a de um ponto. Este exemplo ilustra a significação que o simbolismo do ponto tem para os místicos. Antes de algo se manifestar numa forma visível e compreensível, ele possuía apenas o formato de um ponto. O ponto é, portanto, o símbolo da manifestação do imanifestado. Da passagem do latente para o manifesto, ou o símbolo transição da potência ao ato, ou ainda, do amorfo para aquilo que tem uma forma e um conteúdo.

Voltemos agora ao simbolismo do círculo. Dissemos que o circulo simboliza a totalidade original. Mais do que isso, ele representa os atributos da divindade ou do absoluto. Estes são, como já dissemos, unidade, perfeição, harmonia, universalidade, infinito, etc. Ou seja, todas as qualidades que admitimos para o plano do absoluto. Em um outro nível de interpretação, o próprio céu torna-se um símbolo. Não o céu físico, mas o céu como representação da periodicidade perfeita e ritmada da natureza. O céu foi percebido, em muitas gerações diferentes na antiguidade, como o local mais próximo da perfeição que existia. Conseqüentemente, o céu estava bem próximo de Deus, ou da Ordem Primordial (Cosmos) que regulava todas as atividades do Universo. Enquanto a terra era o local da imprevisibilidade, da decadência, do perecível, da geração e da mudança, o céu, por sua vez, parecia dotado de uma regularidade pura e de luminosa beleza, onde tudo estava em perfeita harmonia com tudo e todos os fenômenos se encadeavam num perfeito movimento. Do céu emanava uma ordem diferente e superior, que sugeria a própria eternidade e a perfeição de leis inalteráveis. Tanto que os eventos celestes mais significativos eram indicadores de correspondências com eventos terrestres, de modo que a manifestação dos fenômenos na terra obedecessem inevitavelmente a uma ordenação direta do mundo celestial. Por este motivo, o céu sempre foi percebido como a fonte de toda a perfeição, harmonia e luminosidade próprias do plano divino. Desse modo, existiu uma associação direta entre o circulo e o céu ou plano celestial.

O céu é aqui entendido como um estado ou condição onde se expressam livremente essas qualidades divinas. É, com efeito, o símbolo do mundo espiritual, invisível, imaterial e transcendente. O circulo portanto simboliza o céu cósmico, onde existe harmonia, ordenação, grandeza, imutabilidade, continuidade. Aqueles que conseguem atingir um nível de consciência que está aqui representado pelo “céu” estão, como dizem alguns, diante da consciência do circulo universal ou da Inteligência Cósmica. Nesse sentido, pergunta Plotino:

Por que o céu se move com movimento circular? Por que ele imita a inteligência.

Em suas relações com a terra, o círculo encontra-se estreitamente ligado às manifestações circulares e periódicas da natureza. Isso se expressa pelo eterno ciclo contínuo natural, os ciclos cósmicos e os ciclos terrenos. É a atividade do céu na terra, ou a maior manifestação da perfeição na imperfeição, que é a circularidade do conjunto do Universo. Este movimento circular natural é perfeito, imutável, sem começo e nem fim.

Temos como exemplo,o dia e a noite (movimento de rotação da terra), as estações (movimento circular que o planeta faz ao redor do sol), o ciclo da água, etc. E num nível humano, temos, por exemplo, as batidas do coração, nascimento e morte das células, a digestão, a respiração e todas as funções orgânicas, pois tudo no corpo humano só funciona obedecendo a um ritmo preciso e matemático. Isso está perfeitamente expresso no Caibalion, onde vemos enunciado o chamado Princípio do Ritmo. Este princípio está na base dos ciclos, que provém diretamente do coração do significado universal do circulo:

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés;  tudo sobe e desce, tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda, o ritmo é a compensação.”

Nesse sentido, o circulo também expressa o movimento, o devir eterno e perpetuo da natureza. O movimento sem origem e infinito, que nunca teve um início. Porém, é preciso que haja algo que produza esse movimento, mas este não pode ser, ele mesmo, movimento.

Nesse sentido, Aristóteles fala do “Eterno e perpétuo motor cósmico”, que gerava todo o movimento do mundo e este tinha a capacidade de imitar a essência do Grande Motor. Vejamos o que Marcelo Gleiser, em seu livro “A Dança do Universo” nos fala desta idéia em Aristóteles:

“Ao postular a existência do éter, Aristóteles efetivamente dividiu o Universo em dois domínios, o sublunar, onde o movimento ´natural’ era linear e os fenômenos naturais, que envolviam mudanças e transformações materiais, eram possíveis, ou seja, o domínio do devir, e o celeste, onde o movimento ´natural’ era circular e nada podia mudar, o domínio imutável do ser. Sem duvida, se você quiser descrever ´movimento sem mudança’, nada melhor do que o movimento circular, já que sempre retorna ao seu ponto de partida. Envolvendo a esfera das estrelas fixas, Aristóteles postulou a existência de uma outra esfera, geradora primária de todo movimento do cosmo, a esfera do “Movedor Imóvel”, o Ser que de certa forma sustenta todo o Universo.”[os grifos são meus] (Marcelo Gleiser, pág. 74 e 75)

A idéia expressa por Aristóteles do Motor imóvel nos lembra uma metáfora muito interessante que explicaremos aqui. Segundo Aristóteles, o centro imóvel de todas as coisas é aquilo que produz todo o movimento do Universo. Nesse sentido, deve existir um centro produtor de movimento, mas esse centro deve ser, necessariamente, imóvel, pois aquilo que é móvel não pode ser a causa do movimento. Todo movimento vem de uma causa, e a causa de todo o movimento é algo que, em essência, é imóvel. Para que isso fique melhor compreendido, vejamos a seguinte metáfora. Visualizemos uma roda de carroça, de gira incessantemente ao longo de um percurso qualquer. Consideremos por um momento que essa roda seja a esfera do “movedor imóvel” tal como Aristóteles afirmava. Podemos verificar que o movimento dessa roda percorre um espaço maior conforme a sua distância do centro. Dessa forma, quanto mais distante do centro estiver um ponto qualquer situado na roda, mais ele percorrerá um espaço e conseqüentemente, mais movimento ele terá.

Se invertermos a situação, veremos que quanto mais próximo do centro da roda estiver um ponto qualquer, menos espaço ele percorrerá e menos movimento ele terá. Se formos identificando pontos mais e mais próximos do centro, veremos que o movimento vai diminuindo cada vez mais, até se tornar quase desprezível. Nesse momento, podemos dizer que no centro absoluto da roda, que só pode ser conhecido num plano ideal, reside um ponto infinitesimal sem qualquer movimento. Esse ponto ou centro de movimento zero seria, portanto, a condição imóvel de onde se produz todo o movimento da roda. E justamente pela sua condição de imobilidade e ausência de movimento, é que se permite a existência do movimento inteiro e constante da roda. Nesse sentido, podemos imaginar que todo o movimento giratório contínuo da roda só existe devido a esse centro imóvel que serve como referencia primordial do seu movimento completo. A partir dessas considerações, podemos dizer que é em decorrência do centro do “movedor imóvel” que todo o restante do movimento tem a sua manifestação. Considerando aquilo que dissemos sobre o simbolismo do circulo como implicando o movimento periódico e cíclico da natureza e também considerando aquilo que dissemos a respeito do ponto como o início de toda a manifestação, fica mais claro compreendermos como o ponto, sendo a passagem do imanifesto ao manifesto, ou da potência ao ato, pode produzir o movimento contínuo e perpétuo da natureza.

Vejamos agora a expressão do simbolismo do circulo em diversas culturas e por pesquisadores diferentes. Dionísio o Aeropagita descreveu as relações da Criação com o Criador:

“No centro do círculo todos os raios coexistem numa única unidade, e um ponto único contém em si todas as linhas retas, unitariamente unificadas em relação às outras e todas juntas em relação ao principio único do qual todas elas procedem. No próprio centro, sua unidade é perfeita; se elas se afastarem um pouco do centro, distinguem-se pouco; se se separarem ainda mais, distinguem-se melhor. Em resumo,  na medida em que estão mais próximas do centro, mais íntima se torna sua união mutua; na medida em que estão mais afastadas do centro, aumenta a diferença entre elas.”

O círculo não é esta totalidade, mas sua representante no mundo físico, assim ensinava Platão. Platão diz que as formas(eidos) têm uma realidade que vai além do mundo físico devido a sua perfeição e estabilidade. Em grego, a palavra para “forma” tem o mesmo sentido que “idéia”. O mundo físico se parece com as formas, mas devido a constantes mudanças inerentes a natureza dele, nunca se chega a essa perfeição. Platão nos fornece um exemplo em que utiliza o circulo para explicar a relação entre o Mundo das Formas Perfeitas e o mundo manifesto. Devido ao mundo das formas temos a concepção de um círculo perfeito – totalmente redondo, composto de uma série de pontos que apresentam exatamente a mesma distancia do ponto central. No mundo físico essa figura jamais pode ser vista, porque os círculos nunca podem ser desenhados com perfeição. Nesse sentido, o circulo existe no Mundo das Idéias e é eterno e imutável. Para Platão, este circulo só pode ser conhecido pela Razão, e nunca pela experiência sensível. Portanto, o que vemos é apenas um reflexo imperfeito de uma Forma Perfeita, que está diretamente ligada a um Pensamento Original de Deus, no momento em que ele concebeu o conjunto da Criação. A este respeito, escreveu Platão:

“Acaso não sabeis que (os geômetras) utilizam as formas visíveis e falam delas, embora não se trate delas, mas destas coisas de que são um reflexo, e estudam o quadrado em si e a diagonal em si, e não a imagem deles que desenham? E assim sucessivamente em todos os casos… O que realmente procuram é poder vislumbrar estas realidades que apenas podem ser contempladas pela mente.”(Platão, A República)

Platão, além do bem conhecido “Mito da Caverna”, criou outros mitos ao longo de sua vida. Um desses mitos fala sobre a existência, num passado remoto, dos chamados “Homens redondos”. Originalmente, a humanidade era habitada por seres esféricos. Eles eram filhos do sol, da lua e da Terra. Esses seres não andavam, mas rodavam para se movimentar a outros lugares. Eram tão completas devido a sua forma circular que resolveram subir ao céu e desafiar os deuses. Zeus, como punição de tal rebeldia, divide-os em duas partes, cortando-os ao meio. Zeus ainda alertou os seres já cortados de que se eles voltarem a desafiar os deuses, devido ao seu orgulho, mais cortes seriam realizados, e eles ficariam ainda mais limitados. Esse mito nos inspira a considerar que Platão conhecia bem a simbolismo do circulo como representando a totalidade da consciência e uma condição de perfeição dos seres. Quando os seres redondos resolveram ir além e desafiar os deuses, ou seja, resolveram admitir que eram verdadeiramente deuses e quiseram observar diretamente sua condição divina, eles foram cortados ao meio. Criou-se então, o sujeito e o objeto; o observador e o observado. Foi quando “Deus quis ver a face de Deus” e criou-se dois deuses a partir de um, ou duas realidades diferentes a partir de uma única realidade. Na Cabala há uma frase que diz algo parecido: “A Criação é um espelho onde Deus contempla eternamente sua própria imagem”. Isso não é o mesmo que dizer que o Um se desdobra do próprio Um para formar o Dois, mas sim que o Um se reconhece como Um e partir dessa percepção de si mesmo, ele cria algo externo a ele.

Quando jogamos uma pedra no lago veremos a formação de círculos concêntricos se estendendo de um ponto central e se propagando indefinidamente. A água serve de veiculo para a energia que veio da pedra. Porque esse choque com a água gera uma forma circular e não outro tipo de forma? Quando uma bolha de ar se forma na água, ela sempre, invariavelmente, se constituirá na forma de um meio círculo. Ela retém o ar em forma de circulo e pode ficar um tempo nesse formato até posteriormente estourar. Porque o ar com a água depois de um atrito formam um circulo e não um outro formato? Porque o circulo é a forma mais perfeita de propagação de uma energia no espaço. Antes do ar estourar dentro da bolha, o limite perfeito entre a manutenção da forma e sua destruição é a forma circular.

Vamos imaginar por um momento, de forma hipotética, que estamos no centro de um circulo metálico fechado, que estamos sem corpo físico e dispomos apenas de nossa visão. Imagine que você está olhando fixamente para o que existe à sua frente. Você estará vendo o metal e distinguindo sua cor. Se você deslocar sua visão para outros pontos da esfera, verá sempre o metal, mas não poderá distinguir a sua forma, pois todos os pontos do circulo são idênticos entre si. O que ocorre nesse caso? Você não saberá que está em um espaço, pois todos os espaços se equivalem e são idênticos entre si. Além disso, você poderá não perceber que em um dado momento olha para um lugar e em outro momento olha para outro lugar, pois não há diferença entre um e outro. Logo, você também não perceberá a passagem do tempo, pois não haverá sucessão de fenômenos que sejam percebidos como diferentes. O único processo que sobra nesse momento é nossa consciência. Nossa consciência passa perceber a si mesma como uma unidade indissociável de tudo o que percebe e de tudo o que é. Não há espaço, pois tudo se equivale dentro de um circulo e não há tempo, pois não há entre coisa alguma para que observemos uma sucessão temporal de coisas separadas que vem e vão. Através desse nosso experimento observamos que o círculo, pela perfeição de uma equivalência entre suas partes – quando nos situamos no seu centro – pode nos fazer perceber uma Unidade de tudo. Nenhuma outra forma no mundo pode suscitar essa visão da unidade como o círculo. Por esse motivo o circulo sempre foi associado à Unidade e a Perfeição na antiguidade. Esse exemplo hipotético apenas ilustra de um modo simples como o circulo é uma forma perfeita, e quando nos situamos no centro do circulo, é como se estivéssemos no centro do Cosmos participando da harmonia, da completude e da perfeição de Deus.

No Islamismo e no Sufismo, a forma circular é considerada a mais perfeita de todas as formas. Alguns poetas Sufis chegam a dizer que o círculo formado pela abertura da boca é a mais bela de todas as formas, porque é inteiramente redonda.

A Maçonaria é conhecida por ser uma Sociedade Secreta que preserva um ensinamento iniciático durante alguns séculos. Alguns maçons atribuem a origem de sua Ordem a construção do Templo de Salomão. Assim como as pirâmides do Egito, o Templo de Salomão é o que podemos chamar de uma “bíblia em pedra”, ou seja, sua construção arquitetônica transmite uma sabedoria a respeito dos princípios e leis universais através das formas geométricas simbólicas com a qual ela foi construída. Outros falam de uma origem mais recente, que veio com a herança da sabedoria da Ordem dos Templários. A palavra maçom significa “construtor” ou “pedreiro”. Há algumas interpretações que atribuem a origem do nome Franco-maçom a derivação das palavras egípcias Phree Messen, que significam “Filhos da Luz”. Apesar dessas controvérsias, a Maçonaria é uma sociedade que se estabeleceu com o ideal da construção de um novo mundo, no sentido dos termos Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A despeito de tudo, sabemos que um dos principais símbolos da maçonaria é o compasso. Este instrumento de medida serve para traçar círculos com medidas exatas de tamanho e proporção. Dentre outras interpretações, sabendo-se que o circulo representa a perfeição na imperfeição,  aquele que usa o compasso está criando medidas divinas de perfeição e harmonia  dentro do mundo da dualidade e da forma. Assim, os maçons seriam os arquitetos menores que ajudam a construir um reino de perfeição na Terra. Eles seriam os encarregados de expressar a harmonia do Grande Arquiteto do Universo num mundo de formas e de limites.

Na China, o compasso e o esquadro são respectivamente o símbolo do céu e da terra. O esquadro traça o quadrado, que representa o mundo tridimensional e objetivo. A interação entre compasso e esquadro é a harmonia entre o céu e a terra, e aqueles que usam esses instrumentos são considerados os mediadores entre ambos. A expressão compasso e esquadro(kuei-kin) indica a boa ordem, as boas normas e a harmonia da complementação dos opostos céu e terra.

Há uma pintura famosa da época da Renascença que é sugestiva de uma correlação entre Homem e totalidade, envolvendo o simbolismo do círculo. O Homem Vitruviano de Leonardo DaVinci é considerado um símbolo da Renascença, pois agrega todo o ideário renascentista do surgimento do antropocentrismo, ou do “Homem como a medida de todas as coisas”. Essa famosa pintura mostra uma figura masculina sem roupa separadamente e simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos em um circulo e em um quadrado.

vitruviano

Essa pintura tem medidas de proporções muito significativas. A cabeça é do tamanho de um décimo da altura total. Algumas vezes o desenho e o texto são chamados de Cânone das Proporções. As posições com os braços e os pés em forma de cruz é inscrita acompanhando a posição do quadrado. Já a posição dos braços e das pernas, que estão acima e parecem estar em movimento, são desenhados acompanhando a forma do círculo. Temos uma perfeita representação do Homem dentro de uma Mandala sob uma perspectiva de universalidade. O quadrado desenhado e a forma do homem imitando uma cruz parecem estar parados e fixos no chão. Já o Homem inscrito dentro do circulo, parece estar fora do chão e sua posição nos dá a impressão de movimento. Nesse sentido, o quadrado implica a estabilidade e o circulo o movimento e a dinâmica. Podemos observar que, a despeito do movimento, o umbigo do homem permanece imóvel. O Umbigo, que é o verdadeiro centro de gravidade, é o ponto central do homem que está posicionado precisa e matematicamente no centro do círculo. O desenho também é considerado freqüentemente como um símbolo da simetria básica do corpo humano e das proporções matemáticas do ser humano perante o Universo.

Outra maneira bastante conhecida dentro do misticismo onde se aplica o simbolismo do circulo é aquilo que os Buddhistas e Hinduístas chamam de a “roda do samsara”. A Roda do Samsara é a condição de nascimento e morte a que todas as coisas estão sujeitas.

Autor: Hugo Lapa

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O Simbolismo do Centro

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Considerado por alguns estudiosos como um dos quatro símbolos fundamentais, juntamente com o círculo, o triângulo e o quadrado. Símbolo clássico da tradição espiritual de todos os tempos, a idéia de centro evoca um significado de muito valor do ponto de vista arquetípico.

O centro é, antes de tudo, o início, a origem, o ponto de partida de todas as coisas. Um ponto sem forma, dimensões, invisível e imóvel. A única imagem da Unidade Primordial. Diz-se que todo o Universo veio de um ponto. Encontramos também na noção moderna do Big Bang da Física, a idéia de um centro concentrado de energia potencial de onde o Universo teria sido originado a partir de uma explosão.

A sabedoria Hermética proclama que: “Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma.” Significa que a divindade encontra-se no centro invisível do ser, além de abranger todas as coisas. Os antigos explicavam que da Unidade Primordial representada como o centro de tudo é de onde nascem todos os “números”, que neste caso possuem um sentido não apenas quantitativo, mas qualitativo, no sentido da expansão da própria natureza divina.

O centro produz a emanação da divindade, criando o conjunto de todos os seres e de todos os estados de existência que constituem a manifestação universal. É a passagem do imanifesto para o manifesto, do infinito para o finito, do invisível para o visível. O centro não está encerrado apenas no espaço, não se prende a este, mas é uma medida além que evoca a própria condição íntima do ser, para onde tudo converge e e tudo se expande.

 

 

 

(HUGO LAPA)

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